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Ele 'viciou' em reviver clássicos de São Paulo — e não vai parar por aí

Cairê Aoas, dono do Bar Brahma, segue investindo em pontos icônicos de São Paulo

Cairê Aoas, empresário: “A vocação de recuperar lugares que fazem parte da cidade veio do Bar Brahma” (Fábrica de Bares/Divulgação)

Cairê Aoas, empresário: “A vocação de recuperar lugares que fazem parte da cidade veio do Bar Brahma” (Fábrica de Bares/Divulgação)

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.

O empresário Cairê Aoas aprendeu com o pai, Álvaro, a recuperar negócios que pareciam ter ficado no passado. O principal deles é o Bar Brahma, fechado no fim dos anos 1990 e reaberto pela família em 2001, na famosa esquina da Ipiranga com a São João. A reforma resgatou referências dos anos 1950 e 1960, mas o público não voltou de imediato.

“Demorou quase 10 anos para o negócio se estabelecer, engrenar e criar hábito”, lembra.

O Bar Brahma nasceu em 1948, quando o Centro concentrava cinemas, empresas e parte importante da vida cultural de São Paulo. Formado em administração e hotelaria, Aoas trabalha com o pai desde os 14 anos. A reabertura também deu origem ao Camarote Bar Brahma, criado para divulgar a casa no Carnaval paulistano e hoje capaz de receber 7.500 pessoas.

O aprendizado virou estratégia da Fábrica de Bares: assumir endereços conhecidos, preservar sua identidade e atualizá-los para novos públicos. Vieram Bar Léo, Bar dos Arcos, Love Cabaret, Café Girondino e, mais recentemente, o Edifício Rolim. 

“Essa vocação de recuperar lugares que a gente gosta e que são parte da cidade veio do Bar Brahma”.

O baque pós-pandemia e a volta por cima

Após a pandemia de covid-19, o grupo enfrentou seu momento mais crítico. Em 2023, uma tentativa de assalto terminou com o bar apedrejado e clientes abrigados no salão. Segundo Aoas, o reforço do policiamento, da iluminação e de outras ações públicas mudou o entorno de lá para cá.

Agora o grupo amplia a marca com uma unidade de 650 metros quadrados próxima à Avenida Paulista e aposta em novos projetos no Centro. Um deles é o Boulevard São João, a “Times Square brasileira”,  suspenso por uma decisão liminar. 

A proposta prevê 8 milhões de reais em melhorias urbanas e 42 milhões de reais em telões, bancados pela iniciativa privada. Aoas, contudo, mantém o otimismo. “Tenho convicção de que esse projeto vai sair do papel.”

Quais projetos

Recentemente, o empresário abriu nova unidade do Bar Brahma nas proximidades da Avenida Paulista. O investimento para tirar o projeto do papel foi de R$ 12 milhões, conforma noticiou a EXAME.

Em paralelo, Cairê tornou-se sócio da rede de padarias belga Le Pain Quotidien. Ele comprou 20% da operação brasileira, que mira expandir por franquias nos próximos anos.

Outras paradas obrigatórias no Centro

Bar Estadão

Aberto desde 1968, o Estadão virou parada obrigatória da madrugada paulistana. Funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e fez do sanduíche de pernil seu maior símbolo. A casa consome mais de 30 peças de pernil por dia, com cerca de 7 a 8 quilos cada. E segue atraindo filas a qualquer hora.

Rua do Ouro

Com cerca de 100 metros, a Rua Barão de Paranapiacaba ganhou o apelido de “Rua do Ouro” após a chegada da primeira fábrica e loja, em 1960. Vizinha à Praça da Sé, concentra mais de 300 lojas de joias e semijoias, além de ourives e fabricantes de alianças. O polo é referência no país no segmento.

Casa Godinho

Fundada em 1888, é a mercearia mais antiga de São Paulo, eleita o primeiro patrimônio imaterial paulista. Sediada desde 1924 no Edifício Sampaio Moreira, o empório opera com 15 funcionários e oferece frios, bacalhau e a sua famosa empada.

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