Revista Exame

'Tinha que ser algo grandioso', diz Christopher Nolan sobre 'A Odisseia'

O longa-metragem é o primeiro da história filmado totalmente em IMAX de 70 milímetros e já se consagra como o maior projeto da carreira do diretor Christopher Nolan

A Odisseia: Christopher Nolan dobra a ambição técnica e parte na aventura pela conquista do segundo Oscar (Universal Pictures/Divulgação)

A Odisseia: Christopher Nolan dobra a ambição técnica e parte na aventura pela conquista do segundo Oscar (Universal Pictures/Divulgação)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 30 de julho de 2026 às 06h00.

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Em uma Hollywood dominada por telas verdes, imagens geradas por computador e retoques de inteligência artificial, chegar aos cinemas com um rolo de película de quase 300 quilos e mais de 18 quilômetros de extensão, com mínimos ajustes de efeitos especiais, é quase uma afronta à tecnologia. Christopher Nolan, no entanto, tem tido o prazer de travar essa batalha já há alguns anos e parece ter atingido a glória em seu novo filme, A Odisseia.

Com orçamento estimado em 250 milhões de dólares, o cineasta, que venceu o Oscar de Melhor Filme, Direção e mais cinco categorias com Oppenheimer em 2024, voltou às telonas com o filme mais grandioso de sua carreira. A Odisseia é o primeiro longa-metragem da história a ser inteiramente gravado com câmeras IMAX de 70 milímetros. As cenas são, em sua maioria, práticas. Os atores foram para dentro do mar, com batalhas coreografadas em cenários nos Estados Unidos, Escócia, Itália, Marrocos, Grécia e Islândia.

O elenco, aliás, é composto de nada mais, nada menos que Matt Damon (Odisseu), Anne Hathaway (Penélope), Tom Holland (Telêmaco), Zendaya (Atena), Charlize Theron (Calipso) e Robert Pattinson (Antínoo).

“Seja pela linha narrativa que acompanha Odisseu, seja pelos episódios individuais que compõem toda a epopeia, A Odisseia está na base de praticamente todo o cinema”, afirma Nolan na entrevista de bastidores da Universal Pictures. “Tinha que ser algo grandioso. A obra certamente está presente, em algum grau, em todos os filmes que já fiz, eu só nunca havia percebido. Foi uma descoberta muito prazerosa à medida que mergulhei no trabalho de adaptação.”

Antigo grego, atual épico

Inspirado na epopeia grega de Homero, o cineasta iniciou uma busca obsessiva por um realismo visceral para dar o tom épico do filme. O herói da jornada é interpretado por Matt Damon, que entrega a atuação mais física e complexa de sua carreira.

“Ele [Nolan] me disse logo em uma de nossas primeiras reuniões que seria um filme difícil. Cuidei da forma física, da alimentação, da saúde e do descanso para evitar lesões, porque foi mesmo desafiador. Foram filmagens noturnas em praias de areia negra na Islândia, com chuva batendo de lado no nosso rosto, vento, frio. Dentro do mar, dentro da água. Não houve um único dia fácil, e cada dia teria sido o mais difícil de qualquer outro filme. Mas foi recompensador", comentou o ator.

Para além da qualidade técnica e da atuação de Damon, a fotografia de Hoyte van Hoytema e a trilha de Ludwig Göransson, vencedor do Oscar também por Oppenheimer, fecham um conjunto primoroso.

O filme já está em cartaz nos cinemas, e a melhor experiência para assisti-lo é em uma sala IMAX. Todo o aparato tecnológico, no entanto, não é mais que uma moldura para o que o longa tem de mais precioso nas entrelinhas: a lição de humildade diante do ego do homem e o impacto da guerra na humanidade.


LIVRO

Provérbio mato-grossense

Curva de Rio Sujo | Editora Todavia | 89,90 reais (físico) e 62,90 reais (e-book) (Editora Todavia/Divulgação)

Mais de 20 anos após o lançamento, Curva de Rio Sujo recebe uma edição inédita, revista pelo autor Joca Reiners Terron. Tendo como cenário as cidades em que Terron viveu, a obra evoca aquilo que é “mais realista que a própria realidade”, como pressente um dos personagens. O nome faz referência ao provérbio mato-grossense “curva de rio sujo só junta tranqueira”.


ARTE

Diálogos ambientais

Até 4 de outubro de 2026 | Av. Paulista, 1.578, Masp | Edifício Lina Bo Bardi | Ingressos a partir de 42 reais, com entrada gratuita às terças (dia todo) e sextas (das 18h às 21h) | De terça a sábado, das 10h às 20h; aos domingos, das 10h às 18h (MASP/Divulgação)

Com diferentes plataformas, como fotografia, instalação, vídeo, performance e desenho, o Masp apresenta um conjunto de obras da colombiana Carolina Caycedo, participante da Bienal de Veneza neste ano. As obras destacam as relações entre rios e comunidades, e articula questões ambientais e formas de resistência sob diferentes estilos e materiais.


TEATRO

Broadway à brasileira

A peça Vindos de Longe, que narra o acolhimento a passageiros do 11 de Setembro, ganha versão no Brasil

Vindos de Longe: pela primeira vez no Brasil (Ticketmaster/Divulgação)

Em 11 de setembro de 2001, o mundo parou diante dos atentados terroristas nos Estados Unidos. Quem viveu o dia se lembra do que estava fazendo no momento do ataque, e de como recebeu a notícia. Um grupo de 7.000 pessoas, contudo, teve a memória alterada: no meio do caos, o espaço aéreo estadunidense  fechado forçou dezenas de aviões a pousarem na isolada cidade de Gander, no Canadá, dando início a uma complexa trajetória de volta para casa.

É essa história real de passageiros desamparados que conduz Vindos de Longe, versão brasileira do premiado musical da Broadway Come From Away, agora em cartaz no reformado Teatro Ruth Escobar, na capital paulista.

A produção traz aos palcos uma narrativa sobre empatia e união em tempos de crise. A montagem é inédita no Brasil e conta com um elenco de 16 atores que se revezam em múltiplos papéis. No time estão nomes consagrados de diferentes gerações do teatro musical brasileiro, como Saulo Vasconcellos, Andrezza Massei e Neusa Romano. Emocionante e necessário, o musical mostra como o pior da história recente despertou o melhor da humanidade. 

Vindos de Longe | Teatro Ruth Escobar. Rua dos Ingleses, 209, Morro dos Ingleses, São Paulo. Ingressos pela Ticketmaster, a partir de 40 reais. Até 23 de agosto


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