Repórter
Publicado em 28 de abril de 2026 às 06h00.
A cantora americana Taylor Swift apresentou solicitações ao Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos, United States Patent and Trademark Office (USPTO), para registrar sua voz como marca comercial.
A medida ocorre em um contexto de crescimento de conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) e segue movimento semelhante ao do ator Matthew McConaughey, que tomou iniciativa parecida no início do ano.
Foram encaminhadas duas gravações de voz ao órgão. Em ambas, a mensagem começa com “Olá, sou Taylor” e menciona o lançamento do álbum mais recente, “The Life of a Showgirl”, divulgado no início de outubro. A assessoria da artista não respondeu ao contato da AFP até a publicação.
Em setembro de 2024, a cantora criticou a divulgação, no site ligado à campanha de Donald Trump, de uma imagem manipulada em que aparecia apoiando o candidato. “Isso aumentou meus medos sobre a IA e os perigos de divulgar desinformação”, escreveu Taylor Swift em uma publicação no Instagram na época.
O debate sobre uso indevido de identidade digital também envolve outros nomes do setor. Em janeiro, Matthew McConaughey tornou-se o primeiro artista a solicitar ao USPTO proteção formal contra a utilização de sua voz por sistemas de IA.
Artistas têm relatado preocupações recorrentes sobre o uso de imagem e voz em conteúdos sintéticos. Parte dessas discussões levou estados norte-americanos a aprovarem legislações específicas, com foco em usos considerados maliciosos ou com objetivo comercial. Algumas normas, como a sancionada em 2024 no estado do Tennessee, ampliam o escopo de proteção.
No campo jurídico, ainda são limitados os processos movidos por artistas. Um dos casos de maior repercussão envolve a atriz Scarlett Johansson, que, em 2023, acionou o aplicativo Lisa AI por utilizar, sem autorização, um avatar com características semelhantes às suas em campanhas publicitárias.