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SP aposta em festas privadas e movimenta R$ 3,4 bi no Carnaval

Eventos fechados como o Carnaval na Cidade ganham espaço na folia paulistana com line-up diversificado e curadoria baseada em dados

Carnaval na Cidade: evento reuniu mais de 60 mil pessoas em 2026

Carnaval na Cidade: evento reuniu mais de 60 mil pessoas em 2026

Maria Eduarda Lameza
Maria Eduarda Lameza

Estagiária de jornalismo

Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 13h36.

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Se antes o paulistano cruzava estradas e aeroportos em busca de curtir o Carnaval, agora é São Paulo que virou destino. A capital passou a atrair foliões de diferentes estados e se tornou um dos principais polos da folia no país.

Cerca de 56 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais afirmaram que pretendiam pular o Carnaval neste ano, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. Entre os que planejavam participar, 20% optariam por blocos com abadá e 14% por festas privadas, formato que ganhou força na capital paulista.

Em São Paulo, a expectativa é de que o Carnaval tenha injetado R$ 3,4 bilhões na economia, alta de cerca de 10% em relação a 2025, de acordo com a Prefeitura. No Brasil, a projeção é para R$ 18,6 bilhões movimentados na data, segundo o Ministério do Turismo.

Para além dos camarotes no sambódromo e dos blocos de rua, os foliões paulistanos também ocupam as festas privadas de Carnaval. Seja pelas atrações ou pela estrutura, o modelo mudou a face do Carnaval paulista.

Carnaval na Cidade

O Carnaval na Cidade, que realizou sua sétima edição entre os dias 14 e 17 de fevereiro, é um exemplo dessa transformação. Entre 2019 e 2025, o evento registrou crescimento de aproximadamente 300% em público. Para 2026, a organização recebeu cerca de 60 mil pessoas ao longo dos quatro dias no Centro Esportivo do Tietê.

"Faltava um lugar fechado, seguro para que as pessoas pudessem vir com abadá e curtir vários shows que elas gostam de todos os artistas do Brasil", diz Pedro Braun, sócio da Fishfire, produtora responsável pelo evento, em entrevista exclusiva à EXAME.

A história da Fishfire com o Carnaval paulistano começou há nove anos, quando a produtora organizou o primeiro bloco de rua com a Banda Eva. "No primeiro ano que teve bloco em São Paulo, a gente fez o primeiro bloco com a Banda Eva, que é o Beleza Rara, que esse ano também teve. Então a gente está há nove anos fazendo o bloco em São Paulo, investindo no Carnaval de São Paulo, que a gente sempre acreditou", afirma Braun.

O festival evoluiu de um bloco de rua para um evento com line-up diversificado que inclui Anitta, Ludmilla, Pedro Sampaio, Thiaguinho, Péricles e Zé Neto & Cristiano, entre outros artistas de diferentes gêneros musicais.

Samba, funk, sertanejo e pop no mesmo palco

A diversidade musical não é por acaso. A curadoria do Carnaval na Cidade é resultado de análise de dados e comportamento do público, segundo a companhia.

"Tudo parte de um olhar muito atento para o comportamento do público brasileiro, embasado em pesquisas, inteligência de dados e leitura constante de indicadores de consumo cultural e entretenimento", diz Guilherme Teixeira, também sócio da Fishfire, para a EXAME.

O Carnaval, para a Fishfire, deixou de ser um evento de um único gênero musical e passou a refletir a pluralidade do país. "Nosso desafio é equilibrar isso sem perder identidade. Pensamos o line-up como uma jornada, em que diferentes ritmos dialogam entre si e ampliam o alcance do evento, conectando públicos distintos e criando oportunidades mais estratégicas para as marcas", afirma Teixeira.

Segundo o produtor, a diversidade também amplia o potencial de engajamento ao criar um ambiente mais democrático, representativo e atrativo para diferentes perfis de parceiros e de público.

"Muitas das marcas que entram com a gente ficam, não saem mais, porque elas não fazem só uma ativação, a gente constrói junto, elas fazem parte da experiência. A gente sempre conversa o que elas querem ativar, como elas querem ativar, como a gente pode modificar essa história toda delas aqui com a gente", diz Pedro Braun.

No Instagram, o perfil da companhia cresceu 30% em seguidores de 2024 para 2025. Para Teixeira, o evento também é um hub de conteúdo, com desdobramentos em redes sociais, mídia espontânea e influência.

São Paulo como capital do carnaval

Para os sócios da Fishfire, São Paulo tem potencial para se tornar um polo carnavalesco.

Nos últimos anos, a cidade passou a olhar o Carnaval não apenas como manifestação cultural, mas também como um motor econômico e criativo, segundo eles.

"São Paulo reúne escala de público, poder econômico, diversidade cultural e uma infraestrutura capaz de sustentar grandes eventos. Esse movimento impulsiona setores como turismo, serviços, entretenimento e publicidade, além de abrir um campo enorme para o live marketing", diz Teixeira.

Pedro Braun já vê essa transformação acontecendo dentro do Carnaval na Cidade: "Tem muita gente que vem para o nosso Carnaval hoje em dia de Alagoas, Recife, Salvador, que são capitais do Carnaval. Hoje tem essa migração para São Paulo. A cidade oferece uma estrutura bacana, vários restaurantes e tem atraído os foliões de outros estados."

"São Paulo é a maior cidade do país e está cada vez mais fazendo as pessoas ficarem aqui e trazendo pessoas para cá. São Paulo pode ser sim, se é que já não é, a capital do Carnaval do Brasil", afirma Pedro Braun.

Da folia à Copa

Além do Carnaval, a Fishfire já mira novos projetos.

Para a Copa do Mundo de 2026, a produtora está organizando a Arena Brasileira no Parque do Ibirapuera, reunindo futebol, música e experiências culturais.

"Vai ser para todos os gêneros. Quem quiser curtir tanto um dia mais pop quando tiver um jogo no Brasil, quanto outros dias de MPB, rock, rap, trap. Tem para todos os gostos e a nossa grande aposta do ano da Copa é a Arena Brasileira", afirma Braun.

O projeto segue a mesma lógica dos eventos proprietários da Fishfire ao criar plataformas que conectem música e marcas a eventos importantes do calendário brasileiro, segundo a empresa.

"A tendência é que eventos deixem de ser apenas shows ou transmissões e passem a operar como ecossistemas culturais, com conteúdo, ativações, influência e presença de marca integrada. E a Arena dialoga diretamente com esse futuro do live marketing", diz Teixeira.

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