Pokémon: Três décadas depois da estreia, Pokémon mantém sua força entre jogos, cartas, animações, brinquedos e novas experiências para fãs (Pokemon/Divulgação)
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Publicado em 18 de agosto de 2026 às 06h43.
Em 1996, quando os primeiros jogos de Pokémon foram lançados no Japão, a franquia começou uma trajetória que mudaria a indústria do entretenimento. Três décadas depois, Pokémon se tornou uma das maiores franquias de mídia do mundo, com jogos, cartas, animações, brinquedos, parques temáticos e uma legião de fãs espalhada pelo planeta.
Pokémon foi criado por Satoshi Tajiri e desenvolvido pela Game Freak. Os primeiros jogos foram lançados no Japão pela Nintendo para o Game Boy, em 1996, em um momento em que o portátil já estava envelhecendo. A franquia rapidamente deixou de ser um fenômeno restrito às escolas japonesas e ganhou dimensão internacional.
Segundo o The Guardian, o sucesso veio acompanhado de uma reação intensa pelo mundo. Em 1999, uma reportagem de televisão australiana apresentou Pokémon como uma possível influência negativa sobre crianças, associando a franquia à violência e até a práticas de bruxaria.
"O brinquedo mais popular deste Natal pode estar levando nossas crianças à bruxaria e à violência." Era assim que começava uma reportagem do canal 7NEWS sobre Pokémon em 1999, citando as preocupações do pastor Chas Gullo, da Sunshine Coast.
Na rádio ABC, o jornalista Mark Colvin ironizou o slogan da franquia ao questionar se o apelo para "pegar todos" dizia respeito apenas aos personagens ou também aos planos da empresa de conquistar as crianças australianas.
O lançamento do Pokémon Trading Card Game ampliou a febre. Nos dois primeiros meses, os australianos gastaram US$ 11 milhões em cartas, que rapidamente passaram a fazer parte da rotina escolar. Algumas instituições proibiram os cards durante os intervalos.
Pokémon chegou a ser associado a vício, violência e maus-tratos a animais pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), ONG internacional de apoio aos animais.
Quando Pokémon chegou ao Brasil, em 1999, o desenho já carregava uma reputação controversa por causa de um episódio exibido no Japão que havia levado centenas de crianças ao hospital. A Rede Record comprou os direitos da primeira temporada e preparou a estreia do anime para sua programação infantil.
A primeira previsão era de que a animação entrasse no ar em março, dentro do programa "Eliana e Alegria". A Folha de S.Paulo anunciou a novidade em 14 de fevereiro daquele ano com uma manchete que deixava clara a repercussão do caso japonês: "Record traz desenho polêmico".
A matéria relembrou o episódio que ficou conhecido pela cena de luzes piscantes envolvendo Pikachu. Em 16 de dezembro de 1997, cerca de 680 crianças japonesas passaram mal durante a exibição e foram hospitalizadas. Médicos associaram as reações às luzes que piscavam rapidamente na sequência.
A repercussão foi tão grande que a Nintendo retirou os efeitos problemáticos das versões posteriores do episódio. A Folha também informou que a cena havia sido cortada antes da exibição brasileira, afastando o risco relacionado à sequência que provocara o incidente no Japão.
A polêmica ajudou a colocar Pokémon no radar do público brasileiro antes mesmo da estreia. Quando finalmente chegou à televisão, em 10 de maio de 1999, o anime passou a ser exibido de segunda a sexta-feira pela Record.
O sucesso cresceu rapidamente. A franquia passou a ocupar bancas de jornal, lojas de brinquedos e videogames. Meses depois, a própria Folha já descrevia Pokémon como uma "febre nacional" ao anunciar a chegada de "Pokémon - O Filme" aos cinemas brasileiros.
As cartas também ganharam uma dimensão própria ao longo dos anos. A valorização de exemplares raros transformou o mercado de colecionáveis em um negócio de cifras milionárias.
Segundo a CNBC, a nova onda ganhou força nos últimos anos, impulsionada por nostalgia, redes sociais e pela percepção de que certos cards raros podem render retornos comparáveis aos de investimentos tradicionais. Em alguns casos, colecionadores passaram a tratar cartas como ações ou criptomoedas, comprando itens raros na expectativa de revendê-los por valores ainda maiores no futuro.
Entre 2004 e 2020, os preços das cartas Pokémon acumularam alta de 282%, segundo um índice da Collectors, empresa proprietária da autenticadora Professional Sports Authenticator (PSA). Mas foi após 2020 que o mercado explodiu: desde então, os valores dispararam 1.350%, de acordo com o mesmo levantamento.
O caso mais emblemático envolve o influenciador e lutador Logan Paul. Em 2021, ele comprou uma raríssima carta “Pikachu Illustrator” por cerca de US$ 5,3 milhões. Neste ano, a mesma carta foi revendida por impressionantes US$ 16,5 milhões em um leilão da Goldin Auctions, estabelecendo um novo recorde mundial para um card colecionável.
Em países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão, lojas têm registrado filas, esgotamento rápido de estoques e até episódios de confusão envolvendo compradores que tentam adquirir grandes quantidades de pacotes para revenda.
A franquia chega ao aniversário de 30 anos com presença em praticamente todos os formatos de entretenimento. Além dos jogos e das cartas, Pokémon mantém produções audiovisuais, brinquedos, produtos licenciados e novas experiências para o público.
Essa expansão ganhou uma nova dimensão em 2026 com a abertura do PokéPark KANTO, no Japão. Inaugurado em 5 de fevereiro dentro do parque de diversões Yomiuriland, em Tóquio, o espaço é a primeira atração permanente de Pokémon ao ar livre. Com cerca de 26 mil metros quadrados, o parque reúne uma área de floresta, atrações, lojas e experiências inspiradas no universo dos jogos. Mais de 600 Pokémon podem ser encontrados pelo espaço.
A celebração dos 30 anos também chegou a marcas de outros setores. A Adidas anunciou uma coleção especial com 12 modelos de tênis inspirados em personagens como Pikachu, Mewtwo, Charizard, Rayquaza e Gengar, com lançamento previsto para setembro de 2026.
No setor de alimentação, a Krispy Kreme se uniu à The Pokémon Company International para criar uma coleção especial de donuts inspirados em personagens como Pikachu, Jigglypuff, Squirtle, Charmander e Bulbassauro, além de uma versão baseada na Pokébola.
Enquanto a marca amplia sua presença para diferentes mercados, os próprios jogos continuam impulsionando a franquia. "Pokémon Pokopia", lançado em março de 2026 para Nintendo Switch 2, ultrapassou 5 milhões de cópias vendidas mundialmente em pouco mais de quatro meses, mostrando que, mesmo após três décadas, os "monstros de bolso" seguem sendo parte da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.