Veigh: trapper encerra o ciclo de 'Eu Venci o Mundo' com o DVD 'EVOM – A Última Dança', gravado no Espaço Unimed, em São Paulo (Divulgação)
Repórter
Publicado em 12 de setembro de 2026 às 06h45.
Veigh já bateu recorde no Spotify, lotou datas de turnê e hoje é sócio de uma gravadora. Mas, na hora de falar de dinheiro, ele é pé no chão e relembra das raízes.
"Eu vim de uma realidade muito, muito pobre", diz o trapper em entrevista à EXAME, antes da estreia do DVD "EVOM – A Última Dança", gravado no Espaço Unimed, em São Paulo. "Ou você vai ser o cara que vai gastar tudo, ou você vai ser o cara que tem medo de voltar a não ter nada. Por muito tempo eu fui esse cara."
O DVD encerra o ciclo de "Eu Venci o Mundo" (2025), terceiro álbum de Veigh. No trap brasileiro, ainda não existe um manual para esse tipo de projeto, diferente do sertanejo e do pagode, que usam DVDs para lançar uma nova era.
"A gente realmente entendeu que essa era a melhor forma de se encerrar uma era", diz. "Tem poucos artistas que conseguiram realmente fazer dinheiro, ter ouvintes numa numeração alta. Nós que estamos trilhando o que pode ser feito dentro do nosso gênero."
Segundo ele, é comum um projeto sair, fazer barulho e ser esquecido rápido. "As pessoas não usam dele, sabe? "É só aquele produto e já era", diz. Por isso, o DVD só veio depois de marcas, clipes, álbum e turnê — a ideia era "sugar" cada etapa antes de fechar o ciclo.
Veigh se apresenta no palco do Espaço Unimed durante a gravação do DVD 'EVOM – A Última Dança'. (Divulgação)
Veigh é sócio, ao lado do produtor André Nagalli, da Supernova Ent., selo que também reúne outros artistas da cena. Mas separa bem o artista do sócio — e admite ser, nesse segundo papel, um controlador de gastos. "Eu não dou passos maiores do que a perna", diz.
Antes de qualquer viagem ou projeto da empresa, ele revisa pessoalmente quem precisa embarcar e por quê. "É mais uma aérea, é mais alguém para ficar num Airbnb ou hotel. Eu gosto de analisar isso, porque às vezes é tanta coisa que não pode ir só fluindo", afirma.
Ao falar em equilibrar arte e negócio, Veigh cita Anitta — hoje, amiga pessoal — como a principal referência brasileira de alguém que é, ao mesmo tempo, artista e "chefe".
"Aqui no Brasil não tem tantas inspirações hoje dessa forma, para a gente conseguir enxergar", diz. "Atualmente, sem dúvidas, é a artista brasileira que eu olho e falo: esse é o tipo de coisa que eu quero fazer."
Ele evita expor esse lado nas redes, diz que soa forçado, mas admite que gostaria de ser mais reconhecido por ele. "A gente gravava num quarto e hoje tem um prédio de três andares", diz, sobre o crescimento da Supernova.
Depois de bater 100 milhões de streams e lotar 11 datas de turnê, Veigh ainda não sabe dizer o que é sucesso.
"Eu nunca parei para ver o que eu considero sucesso, porque eu não me enxergo desse jeito", diz. "Pra mim, eu sou o mesmo cara, só que hoje sem passar as necessidades que eu já passei, hoje conseguindo ajudar minha família."
Gravação do DVD 'EVOM – A Última Dança' no Espaço Unimed, em São Paulo. (Divulgação)
Segundo ele, o que mudou não foi quem ele é, e sim a escala. "Eu não tinha dinheiro antes, hoje eu tenho. Pessoas me odeiam, outras gostam de mim da mesma forma que era antes, só que numa quantidade maior."
"Acho que o sucesso é só a paz de ver minha família bem mesmo assim", resume.
O DVD "EVOM – A Última Dança" tem lançamento agendado para 13 de setembro no Youtube e em todas as plataformas digitais.