Pluribus: estreia da Apple TV+ já conquista aclamação crítica, com destaque para Rhea Seehorn (Apple TV/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 8 de dezembro de 2025 às 05h01.
"Pluribus", a nova série da Apple TV, conquistou a atenção do público por meio de várias características. A trama enigmática, o gênero de ficção científica, o protagonismo de Rhea Seehorn. No entanto, um nome chamou mais atenção: Vince Gilligan.
Gilligan é conhecido por seu envolvimento direto em três dos maiores sucessos televisivos das últimas décadas, "Arquivo X", "Breaking Bad" e "Better Call Saul".
Após anos imerso no mundo criminoso de Walter White e Saul Goodman, ambas criadas por ele mesmo, Vince retorna à ficção científica com "Pluribus".
Revisitando elementos que explorou no período em que escreveu e dirigiu episódios de "Arquivo X", a nova produção é uma mistura de gêneros centrada em “a pessoa mais miserável da Terra encarregada de salvar o mundo da felicidade”.
Em entrevista à TIME, Gilligan contou que a ideia apareceu por volta de 2016, durante caminhadas longas na hora do almoço, enquanto trabalhava na terceira temporada de "Better Call Saul".
“Fiquei pensando: e se todos no mundo fossem gentis? E se todos fossem extremamente legais comigo?”, disse ele. O criador explicou que, ao retirar a si próprio da equação, se perguntou por que uma única pessoa despertaria tamanha devoção. Foi esse o ponto de partida de Pluribus.
A produção tem escala internacional. A equipe filmou episódios nas Ilhas Canárias e no norte da Espanha, além de cenas em um hotel de gelo na Noruega e em colinas de Tânger, no Marrocos.
Para retratar o bairro fictício onde vive a protagonista, construiu-se um cenário inteiro no deserto de Albuquerque. Gilligan explicou à revista que usar uma vizinhança real seria inviável porque os moradores “nos expulsariam depois do segundo episódio”.
O estilo narrativo permanece fiel à marca do criador. À IndieWire, Gilligan afirmou que mantém o ritmo sereno e as cenas prolongadas que caracterizaram suas séries anteriores. “O público nos deu o presente do tempo”, disse ele, ao comentar como fãs de Breaking Bad e Better Call Saul aceitaram narrativas mais lentas e contemplativas. Essa confiança permitiu ampliar o uso do formato em Pluribus.
Mesmo sendo lembrado sobretudo por obras de crime, Gilligan também comentou, em declaração à IndieWire, que não se define por um único gênero. “Não me vejo como o cara da ficção científica nem como o cara da comédia”, afirmou. “Eu sigo onde a história me leva.”
A escolha de trabalhar com uma protagonista essencialmente “boa”, após anos escrevendo anti-heróis complexos, surgiu desse impulso criativo.
Gilligan criou a personagem de Carol especificamente para Seehorn, reconhecendo seu talento de capturar ao mesmo tempo o humor e a tensão de momentos dramáticos.
O desenvolvimento da personagem reflete a visão de Gilligan de que, em tempos de crise, os heróis podem surgir de onde menos se espera. Especialmente de pessoas que, à primeira vista, não possuem nenhuma habilidade para lidar com tais situações.
Pluribus também reflete o estilo de Gilligan, conhecido por narrativas complexas e personagens ambíguos.
Em entrevista à Variety, ele mencionou que a ideia de Pluribus surgiu quase uma década atrás e que a série oferece uma visão sobre o mundo moderno, onde a obsessão por conforto e felicidade pode ser tanto uma benção quanto uma maldição.
A série não se limita a ser uma crítica social, mas também questiona como as grandes tecnologias e a busca por uma vida sem conflitos podem afetar a liberdade individual.
Além de chamar a atenção pela história e pela direção, Pluribus já foi renovada para uma segunda temporada, o que é um indicativo de sua recepção positiva, tanto pelos fãs como pela crítica especializada.
Confira abaixo o trailer da série: