Goma Filmes e SX Group: parceria envolve o fundador da Goma, Daniel Baccaro, o CEO da SX Group, Guilherme Camargo, e um novo quadro de sócios (Divulgação)
Repórter
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 14h36.
Transformar criatividade em negócio exige mais do que boas ideias. Exige método, capital e visão de longo prazo. É a partir dessa premissa que os amigos de longa data Daniel Baccaro e Guilherme Camargo estruturaram um novo hub criativo, reunindo a Goma Filmes e a venture builder SX Group em uma iniciativa focada em conteúdos autorais e inovação no audiovisual.
A Goma Filmes, fundada por Baccaro, é conhecida no mercado por suas propriedades intelectuais, enquanto a SX Group, sob a liderança de Camargo, é especializada em criação de negócios e desenvolvimento de IPs (sigla para intellectual properties). Com essa empreitada, as duas empresas pretendem consolidar um ecossistema de inovação baseado em narrativas originais e tecnologia.
"Descobrimos um formato inovador em um setor que está sempre se reinventando e que permite aos empreendedores atuar fora dos modelos convencionais. Então, investimentos em projetos para entretenimento e audiovisual, com o propósito de impactar a indústria", declara Daniel Baccaro, fundador da Goma Filmes.
A nova estrutura, batizada de Goma, parte de uma colaboração estratégica entre as empresas com o objetivo de captar R$ 50 milhões nos próximos ciclos para iniciativas autorais e colaborativas.
O investimento inicial da SX Group está direcionado à infraestrutura dos projetos criativos liderados por Baccaro, incluindo etapas como pesquisa, prototipagem, integração tecnológica e comunicação.
Segundo os empresários, a captação de recursos funcionará em diferentes frentes. Baccaro e Camargo estão em negociação com fundos especializados no setor de entretenimento e audiovisual — que já investem em propriedade intelectual. Além disso, parte do montante virá de acordos de licenciamento das franquias e universos proprietários da Goma com canais de TV e plataformas de streaming.
"Trabalhamos sempre com uma visão 360º para extrair o máximo valor de cada propriedade. Isso envolve diferentes frentes de captação", detalha Baccaro. "Também trabalhamos com patrocínio direto. No documentário que dirigi, 'Vida sobre Rodas', por exemplo, houve parceria com a Disney e patrocínio do Guaraná Antárctica. Em outro projeto, o Bradesco investiu por meio de um artigo específico de incentivo".
Para o futuro, os gestores já estão desenvolvendo ativações com marcas interessadas em associar seus produtos aos projetos do hub. Por outro lado, há planos também de acesso a mecanismos de fomento voltados ao audiovisual e à economia criativa. De acordo com Daniel Baccaro, essa alternativa ajudou a viabilizar a série documental 'Bob Burnquist: A Lenda do Skate', para a HBO em 2024, que mais tarde gerou receita à produtora pela venda dos direitos ao canal.
"Contamos com editais e fundos públicos. Já produzimos uma série que foi viabilizada pelo FSA, o Fundo Setorial do Audiovisual. Mais recentemente, fizemos a série sobre o Bob Burnquist com recursos da Ancine. Essa produção foi possível graças a um mecanismo ligado às leis de incentivo, com desdobramentos que passam pelo audiovisual e pelo cinema. No fim, a captação é sempre um mix".
Após quebrar muitos ossos, Bob Burnquist quer mostrar a verdade 'nua e crua' do skate em sérieA iniciativa marca um novo momento da parceria entre as duas empresas, que já colaboram há mais de oito anos.
Um dos principais frutos dessa aliança é o Street Rock, plataforma transmídia dedicada ao mapeamento de bandas independentes. Com 26 edições de festival gratuito realizadas em praças públicas ao longo de 25 anos, o projeto estreou uma série televisiva na TV Cultura em março de 2025.
"O Street Rock nasceu com um propósito muito claro: ser um projeto gratuito, em praça pública, capaz de reunir pessoas que normalmente ficam à margem dos grandes festivais. Ao longo de 25 anos, essa lógica sempre esteve no DNA do projeto", recorda o fundador da Goma Filmes.
Além da presença em meios físicos e na TV, o Street Rock estruturou um acervo com mais de 1.500 bandas cadastradas, 3.000 videoclipes e cerca de 5 mil músicas. Esse banco de dados sustenta novas frentes de atuação como festivais, iniciativas digitais e modelos de licenciamento de produtos.
Para Daniel Baccaro, um dos maiores legados do Street Rock é o impacto social da música na vida paulistana.
"Em algumas edições, o festival arrecadou cerca de 100 toneladas de alimentos. Essas doações chegavam diretamente a instituições que atendem crianças em situação de vulnerabilidade. Em alguns casos, a arrecadação de uma única edição garantia até dois meses de merenda para cerca de 200 crianças", explica.
"Em algumas comunidades tradicionalmente ligadas ao samba, as pessoas passaram a olhar com curiosidade para o rock devido às doações geradas pelo evento. Não se trata de transformar gostos musicais, mas de ampliar o alcance e o amparo por meio da música".
O empresário também enxerga neste cenário oportunidades de negócio e de escalabilidade do audiovisual. "O projeto também funciona como um ecossistema para as bandas. Os artistas se inscrevem, participam de ativações nas redes, tocam no circuito de festivais, podem integrar séries audiovisuais e, agora, também terão desdobramentos digitais. Esse sistema se retroalimenta de conteúdo e gera impacto social contínuo. Para as marcas, é um exemplo de como investir em projetos legítimos fora dos formatos tradicionais de marketing, com retorno social concreto e mensurável".
Levando em consideração a experiência com o Street Rock e o conhecimento adquirido na produção de conteúdo, Guilherme Camargo afirma que a Goma entra forte no mercado pelo seu potencial transmídia.
"Isso acabou configurando um projeto transmídia, porque saiu do evento de rua, virou uma série e também uma plataforma. É um modelo que combina o online com o incentivo à presença no espaço físico, algo que pode ser replicado em esportes e artes que muitas vezes ficam à margem", explica.
"Por isso, surgiu a ideia de ampliar a parceria e aplicar esse modelo do Street Rock a outros projetos. O Daniel é extremamente criativo, com forte repertório em cinema e propriedade intelectual, e ajuda a transformar ideias em projetos viáveis", reforça o CEO da SX Group.
A criação do hub Goma sinaliza uma tentativa de reposicionamento estratégico no mercado criativo brasileiro, com foco em formatos próprios e escaláveis de produção. A consolidação do banco de dados e o histórico de atuação do Street Rock oferecem uma base operacional para os planos de captação e monetização futura da iniciativa.
A Goma iniciou 2026 com uma reestruturação que amplia sua atuação no mercado de propriedade intelectual. A empresa passa a operar como um hub 360º voltado à criação, gestão e expansão de projetos autorais e colaborativos. O modelo integra tecnologia, formatos transmídia, licenciamento, plataformas digitais e ativações presenciais.
Para responder a esse desafio, o hub expandiu o quadro de sócios, que agora conta com: Eduardo Salles, Maísa La Cava, Leandro Armani e Paulo Nemr.
Com a nova estrutura, a Goma também pretende impulsionar parcerias com empresas, marcas e outros criadores, expandindo sua atuação para além de projetos proprietários. A expectativa é fortalecer sua presença como articuladora de narrativas e negócios criativos.
Entre os projetos em desenvolvimento estão novas temporadas do Street Rock, plataforma dedicada à cena musical independente; um spin-off de "Vida Sobre Rodas", documentário de skate coproduzido com a Buena Vista International, exibido em festivais de Hollywood, Berlim e Pequim; além da atualização do aplicativo Jam Plug, voltado à comunidade musical.
A produtora também desenvolve novas propriedades intelectuais, com previsão de anúncio em 2026, e avança em colaborações com diretores de criação e de cena. O conjunto dessas iniciativas reforça o posicionamento da Goma no setor de conteúdos originais e formatos narrativos integrados.
Com a finalização de 2025 marcada por mudanças na estrutura societária e no núcleo criativo, a Goma inicia o novo ciclo com metas voltadas à expansão do portfólio e ao fortalecimento de sua posição na economia cultural do Brasil.
"A ideia é sair um pouco do padrão que se consolidou no audiovisual brasileiro, como favela movie e true crime, e buscar narrativas mais leves. Resgato referências clássicas do cinema — fantasia, romance, faroeste, musical — que também dialogam com um desejo pessoal meu. Essa perspectiva está presente nas propriedades que vamos lançar no segundo semestre, com foco maior em ficção", detalha Daniel Baccaro.