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Após perder na disputa pela Warner, Netflix negocia a compra do estúdio que criou 'Seinfeld'

Plataforma de streaming avalia a compra do Radford Studio Center, ativo retomado por credores após inadimplência

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 22 de abril de 2026 às 17h00.

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A Netflix recuou da disputa pela Warner Bros. Discovery e passou a negociar a aquisição de um estúdio menor em Los Angeles, por um valor inferior ao de transações recentes do setor. A movimentação ocorre após mudanças no mercado imobiliário de produção audiovisual e na estratégia de expansão da empresa.

A plataforma de streaming avalia a compra do Radford Studio Center, ativo retomado por credores após inadimplência. O estúdio havia sido vendido por US$ 1,85 bilhão em 2021. O novo acordo pode sair por menos de um terço desse valor, informaram pessoas com conhecimento das negociações à Bloomberg. O preço final ainda não foi definido e o negócio segue em andamento.

Criador de 'Seinfeld'

Seinfeld

Seinfeld: série de comédia que fez sucesso na década de 1990. (Seinfeld/Reprodução)

Localizado em Los Angeles, o Radford Studio Center possui histórico na produção audiovisual. O espaço abrigou séries como "Gunsmoke", "Gilligan's Island"e "Seinfeld", consolidando sua relevância na indústria televisiva dos Estados Unidos.

A Netflix estuda centralizar suas operações físicas no local, substituindo estruturas atualmente alugadas em Hollywood junto à Hudson Pacific Properties. A estratégia indica possível mudança no modelo tradicional da empresa, que historicamente priorizou locação em vez de propriedade de ativos imobiliários.

O ativo pertence à Hackman Capital Partners, que deixou de honrar US$ 1,1 bilhão em dívidas e transferiu o controle aos credores, liderados pelo Goldman Sachs Group Inc., após tentativa de refinanciamento sem acordo no ano passado.

O mercado de estúdios em Los Angeles registrou queda de valor após o aumento das taxas de juros e a retração da produção audiovisual. O movimento foi intensificado pelas greves de 2023, organizadas por sindicatos de roteiristas e atores. Dados da FilmLA indicam que a taxa de ocupação caiu para 62% no primeiro semestre do ano passado.

Empresas independentes, sem integração direta com grandes estúdios, registraram maior impacto. Parte da produção migrou para estruturas controladas por conglomerados do setor, alterando a dinâmica de demanda por locação.

Estratégia de Expansão

Netflix: escritório da empresa em Los Angeles, na Califórnia (EUA) (ROBYN BECK/AFP/Getty Images)

A Netflix ampliou investimentos em infraestrutura própria. A empresa desenvolve um centro de produção avaliado em US$ 1 bilhão em Fort Monmouth, em Nova Jersey. No último trimestre, a companhia reportou US$ 12,3 bilhões em caixa e equivalentes. O resultado inclui uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões recebida da Paramount Skydance, após a disputa pela Warner Bros.

A Hackman Capital Partners expandiu seu portfólio durante o crescimento do streaming, com aquisição de estúdios. O cenário mudou com a elevação dos juros e a desaceleração da indústria audiovisual. Em março, o Deutsche Bank AG iniciou ação para execução da hipoteca do Kaufman Astoria Studios, em Nova York.

Documentos vinculados ao Radford indicam que o complexo operava com 61% de ocupação em setembro. Parte relevante dos contratos vigentes tem vencimento previsto ao longo deste ano.

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