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Polvos: estudo indica que eles conseguem interpretar reflexos para localizar presas
Repórter
Publicado em 5 de junho de 2026 às 12h18.
Um polvo escapando de um aquário por um cano de drenagem já parecia difícil de superar, mas agora eles encontraram uma nova forma de impressionar os cientistas.
Pesquisadores do Dartmouth College descobriram que esses animais conseguem aprender a usar espelhos para localizar comida escondida de sua visão direta.
O resultado, publicado na revista Current Biology, sugere que os polvos são capazes de realizar um tipo sofisticado de raciocínio espacial que, até agora, só havia sido documentado em vertebrados, como mamíferos e aves.
"Nossos resultados são os primeiros a demonstrar que invertebrados podem usar espelhos para compreender o ambiente e localizar presas", afirmou Mary Kieseler, autora principal do estudo.
A pesquisa foi realizada com três polvos-da-Califórnia (Octopus bimaculoides) mantidos no Laboratório de Polvos de Dartmouth.
Antes dos testes, os animais passaram por um período de adaptação ao espelho. Depois, foram treinados a associar o reflexo à posição real dos objetos. Em uma das etapas, um caranguejo vivo era colocado em um recipiente de vidro visível apenas por meio do espelho.
Para alcançar a presa, os polvos precisavam interpretar corretamente a imagem refletida e mudar sua trajetória.
Segundo Peter Tse, professor de Ciências Psicológicas e do Cérebro em Dartmouth, o uso de espelhos é uma habilidade aprendida.
"Nós aprendemos a usar espelhos ao longo da vida. Os polvos também podem aprender a utilizá-los para descobrir onde os objetos realmente estão", explicou.
Como os polvos conseguem detectar estímulos químicos pelo contato, os pesquisadores decidiram eliminar qualquer influência do cheiro durante os experimentos.
Em vez de usar presas reais, a equipe projetou imagens virtuais de caranguejos.
Os animais eram posicionados diante de um espelho. A imagem aparecia atrás deles, à esquerda ou à direita, e só podia ser vista pelo reflexo.
Para ganhar uma recompensa, os polvos precisavam identificar corretamente a localização real da imagem e se deslocar até ela.
Os animais acertaram o lado correto em aproximadamente 73% das tentativas.
Os pesquisadores também observaram que os polvos passaram a encontrar o alvo mais rapidamente à medida que acumulavam experiência, um sinal de aprendizado.
Para os autores, os resultados ajudam a compreender como capacidades cognitivas complexas podem surgir em diferentes espécies ao longo da evolução.
Os polvos e os seres humanos compartilham um ancestral comum que viveu entre 350 milhões e 500 milhões de anos atrás. Apesar dessa distância evolutiva, ambos parecem ter desenvolvido mecanismos semelhantes para interpretar o espaço ao redor.
Segundo Kieseler, esse pode ser um exemplo de evolução convergente, quando espécies distintas encontram soluções parecidas para enfrentar desafios semelhantes.
Os pesquisadores acreditam que a habilidade observada pode estar relacionada ao modo de caça dos polvos.
Esses animais vivem em ambientes complexos, como recifes de corais e fundos marinhos repletos de obstáculos, onde localizar presas rapidamente pode ser decisivo para a sobrevivência.
"Os caçadores são muito eficazes quando têm um mapa mental do seu território", afirmou Tse.
A próxima etapa da pesquisa será investigar se os polvos possuem representações internas do ambiente semelhantes a mapas mentais.
A resposta ainda não é definitiva. Mas a descoberta adiciona mais uma habilidade à lista que transformou os polvos em alguns dos animais mais intrigantes dos oceanos.
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