Pesquiasa mostra que quase metade da Gen Z parcela ingressos para ir a festivais (Divulgação/Lollapalooza)
Redator
Publicado em 24 de março de 2026 às 17h45.
Última atualização em 25 de março de 2026 às 09h52.
Quem já foi a um festival já sabe que a experiência — e os gastos — vão muito além dos shows. Nessa equação, os ingressos, o deslocamento e até o “look” entram na conta.
Para a Geração Z, no entanto, existe um fator que pesa mais do que todos esses custos: o chamado budget emocional.
Embora a falta de dinheiro seja o principal motivo que impede 77% dos jovens de comparecer a esses eventos, 59% dos que vão priorizam a experiência e recorrem ao parcelamento do ingresso no cartão de crédito.
Os dados, enviados com exclusividade à EXAME, são do InstitutoZ, núcleo de pesquisa de novas gerações da Trope-se, consultoria especializada em novas gerações.
A pesquisa ouviu mais de 5 mil pessoas, sendo 3 mil da Geração Z.
Na prática, a mobilidade aparece como a principal barreira na hora de escolher ir ou não.
Como os grandes festivais se concentram nos principais centros, isso traz dificuldades geográficas e financeiras que dificultam a participação de quem não mora nessas regiões, especialmente com custos de acomodação, deslocamento e alimentação.
Apesar dos impeditivos, a faixa etária se consolida como um dos principais públicos desses eventos: 49% foram a dois ou três grandes festivais no último ano, enquanto 16% marcaram presença em quatro a seis.
E, entre esse público fiel, o ingresso deixa de ser visto como uma dívida e passa a ser encarado como um investimento em uma experiência que vai muito além do show e que, para muitos, é insubstituível.
Mais do que assistir a shows, essa geração enxerga festivais como experiências completas, como acontece em eventos como o Lollapalooza e o Rock in Rio, que proporcionam ações que vão além da música e envolvem convivência, estética e pertencimento.
Entre os 97% que afirmam ir para ver seus artistas favoritos, nenhum escolheu apenas esse motivo.
A decisão é sempre uma combinação de fatores: a Gen Z até vai pelo artista, mas é a experiência que a faz ficar.
E não basta viver, é preciso registrar. A pesquisa ainda revela que 34% dos jovens já se consideram criadores de conteúdo. Nesse contexto, o planejamento dos looks, a compra de acessórios e o consumo dentro do festival também entram no orçamento.
Mesmo quando não conseguem comparecer, 87% acompanham os festivais de forma online, seja por transmissões ao vivo ou pelas redes sociais, geralmente motivados pelo interesse em um artista específico.
Ou seja, apesar do preço, a Geração Z coloca idas a festivais e lazer como uma prioridade financeira na hora de fazer o balanço do mês, reforçando que esses eventos são muito mais do que apenas shows.