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Encontro sobre turismo na Casa Exame Sul: 2026 será o ano do turismo, com 21 dias de folga pelos feriados (Ricardo Wolffenbüttel/Divulgação)
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 15h43.
Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 15h49.
Com um movimento de R$ 64 bilhões por ano — o equivalente a 12,5% do PIB estadual — Santa Catarina começa a viver uma virada de chave no turismo.
O desafio agora é consolidar o setor como plataforma de negócios, e não apenas como um conceito ligado a viagens e lazer, marcados pela sazonalidade da temporada de verão.
A mudança de mentalidade impacta diretamente a forma como o poder público olha para infraestrutura, mobilidade e planejamento urbano — e ajuda a explicar por que o estado, especialmente em cidades como Florianópolis e Balneário Camboriú, aposta cada vez mais no turismo como eixo estruturante de desenvolvimento econômico, atraindo investimentos e ampliando a oferta de atrações ao longo do ano.
Durante o 2º CBA Networking Experience, promovido pela EXAME em parceria com a CBA Empreendimentos, lideranças públicas e empresariais defenderam que 2026 será o ano do turismo, impulsionado por um calendário favorável, com 21 feriados, além do crescimento do fluxo estrangeiro e de uma agenda de investimentos que reposiciona o setor como base econômica.
Ao mesmo tempo, foi consenso entre os participantes do evento, realizado nesta quinta-feira, 22, na Casa EXAME SUL, em Florianópolis, que gargalos na malha viária — em especial no trecho norte da BR-101 — exigem atenção urgente, sob risco de colapso.
A lista de motivos para Santa Catarina apostar cada vez mais no turismo é extensa.
Além das belezas naturais que funcionam como ativo para as quatro estações, o estado reúne uma diversidade de atrações já reconhecidas internacionalmente — da Oktoberfest de Blumenau, a maior das Américas, ao Beto Carrero World, parque mais visitado da América do Sul.
Soma-se a isso um turismo de negócios em expansão, puxado por Florianópolis — hoje capital nacional das startups e das corridas de rua — e por Balneário Camboriú, que se consolida como destino do mercado de luxo no Brasil e abriga uma das maiores festas de Réveillon do país.
A localização estratégica, próxima de países do Mercosul, favorece a chegada de turistas estrangeiros.
Apenas neste verão, Florianópolis estima receber 3 milhões de visitantes. Em 2025, o número de turistas estrangeiros em Santa Catarina superou 700 mil pessoas, um salto de 50% na comparação com o ano anterior.
Com o aumento do fluxo ao longo de todo o ano, cresce também a pressão sobre a infraestrutura das cidades.
É nesse ponto que o turismo passa a exigir planejamento de longo prazo, integração entre políticas públicas e investimentos consistentes em mobilidade e serviços urbanos.
Na abertura do evento, a presidente da CBA Empreendimentos, Cíntia Pereira, destacou que a empresa vive um momento de crescimento estruturado, impulsionado pela compreensão do município ao atender demandas da iniciativa privada por novos investimentos.
“Nós lançamos recentemente dois empreendimentos e já estamos com mais de 50% dos apartamentos vendidos. Isso é a prova de que o interesse por Florianópolis só aumenta”, afirmou.
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, defendeu o turismo como eixo estruturante do desenvolvimento da capital catarinense. Segundo ele, a virada de chave da cidade veio com a concessão do aeroporto.
“Hoje, temos um centro de convenções a 20 minutos do aeroporto. Nenhuma outra cidade no Brasil tem isso. Você pode fazer trilha de manhã, praia à tarde e curtir a vida noturna à noite. São 101 praias. Estamos prontos para o turista — e com segurança”, disse.
A concessão citada por Topázio não ficou apenas no plano institucional.
Ela se transformou em evidência concreta dessa nova visão para o setor após o Floripa Airport divulgar, nesta quinta-feira, 22, o recorde histórico de passageiros em 2025.
Pela primeira vez, o terminal superou a marca de 5 milhões de viajantes em um único ano. Ao todo, 5,1 milhões de pessoas circularam pelo Aeroporto Internacional de Florianópolis, administrado pela Zurich Airport Brasil.
O avanço foi puxado pela internacionalização da malha aérea.
Em 2025, o Floripa Airport registrou 1,2 milhão de passageiros internacionais, alta de 32%, além de crescimento de 27% no número de voos internacionais. O desempenho consolidou Florianópolis como o terceiro aeroporto do Brasil em movimentação de passageiros internacionais, atrás apenas de Guarulhos e Galeão.
Hoje, o Floripa Airport opera cinco rotas internacionais regulares — Buenos Aires (Ezeiza e Aeroparque), Santiago, Panamá e Lisboa — além de oito rotas domésticas, consolidando-se como infraestrutura estratégica para turismo, eventos e negócios.
Na sequência, a prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan, reforçou que o turismo é o principal motor econômico da cidade — e precisa ser tratado como negócio.
“Realizamos uma das maiores festas de Réveillon do país, mas, na manhã do dia 1º, os visitantes já encontraram a praia totalmente limpa, em uma megaoperação do município, conduzida com eficiência e planejamento. Turismo é negócio. Isso movimenta a cidade e cria expectativa para o ano inteiro”, afirmou.
Segundo ela, o município discute um novo plano diretor para permitir expansão urbana e trabalha na implantação de um parque ecológico urbano. “Temos que cuidar bem de quem mora aqui para poder receber bem quem vem de fora.”
Do lado da iniciativa privada, Fernando Fiszbein, diretor comercial e de marketing do Beto Carrero World, destacou a força do entretenimento como âncora do turismo catarinense. Em 2025, o parque recebeu mais de 2,5 milhões de visitantes e passou a operar todos os dias do ano.
Nos últimos anos, o parque acelerou sua expansão com novas áreas temáticas.
Em 2023, lançou uma área da marca Nerf, com investimento de R$ 100 milhões. No ano passado, investiu em novidades do Hot Wheels. Para 2026, está prevista uma nova área dedicada à Galinha Pintadinha, com investimento estimado em R$ 50 milhões.
Em seguida, Ronaldo Beber, CEO da Gramado Parks, chamou atenção para o impacto sistêmico do crescimento do turismo sobre toda a cadeia econômica. “Isso mexe com toda a cadeia. Superamos 14% de crescimento na hotelaria. O turismo formaliza, gera empregos e movimenta tudo”, disse.
Na visão do ex-ministro do Turismo Vinícius Lummertz, o avanço do setor só se sustenta se houver infraestrutura compatível com o crescimento do fluxo.
“Florianópolis e Balneário Camboriú ficam a uma hora de distância, mas, com trânsito, esse tempo mais que dobra. Se a gente não enfrenta esses gargalos agora, vai pagar depois. O turismo é uma plataforma para fazer a cidade avançar, mas é preciso dar a ele a dimensão econômica que tem”, afirmou.
O secretário de Turismo de Florianópolis, Juliano Richter Pires, reforçou o impacto fiscal do setor ao lembrar que a arrecadação do ISS da cidade saltou de R$ 240 milhões para cerca de R$ 1 bilhão nos últimos anos. “Quando você investe em turismo, investe em várias frentes ao mesmo tempo. O que está mudando é o entendimento de que turismo é base econômica, e não acessório”, disse.
Já o secretário de Turismo de Balneário Camboriú, Evandro Neiva, destacou o potencial da cidade para receber cruzeiros marítimos, além de ações voltadas à segurança pública e à diversificação das atrações.
O consenso é claro: o crescimento do turismo precisa ser planejado, com foco em mobilidade, sustentabilidade e qualificação dos serviços. “O turismo é fluxo. E fluxo precisa de estrutura. Não adianta atrair mais gente se o sistema colapsa”, resume Lummertz.
Para Santa Catarina, o desafio agora é transformar o bom momento em modelo de desenvolvimento de longo prazo, com ganhos não apenas para quem visita, mas também para quem vive nas cidades. A virada de chave está em curso — e 2026 surge como o ano decisivo para consolidá-la.