Motorista usa app do Mova: marketplace automotivo será lançado no próximo mês
Repórter
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 11h34.
Última atualização em 10 de fevereiro de 2026 às 11h35.
Estar presente em quase todos os quilômetros rodados das cidades brasileiras — e transformar essa informação em dinheiro e impacto ambiental mensurável — é a ambição da Mova Protocol.
A plataforma de dados de mobilidade acaba de atualizar o valuation (avaliação de mercado) para R$ 180 milhões após um aporte seed de US$ 3 milhões. A conta que sustenta o número de R$ 180 milhões foi feita por fluxo de caixa descontado, com projeções de receita anual entre R$ 240 milhões e R$ 270 milhões em até cinco anos.
A Mova é um aplicativo gratuito que constrói uma infraestrutura de dados baseada no uso real de veículos urbanos. Ele registra quilometragem e comportamento de direção pelo celular, valida as informações e converte esses dados em ativos digitais verificáveis.
É diferente de um Waze ou Google Maps, que mostra o caminho a ser traçado pelo usuário final. No caso da Mova, o usuário deixa o aplicativo acompanhar o trajeto em troca de pontos, que futuramente serão trocados por recompensas como desconto no combustível e recarga para carros elétricos.
"Os aplicativos só cobram taxas, então qualquer dinheiro a mais que entra [para o motorista de app*] é lucro", diz Antônio Farias, Diretor de Produtos da Mova. Em breve, a empresa planeja lançar relatórios para o consumidor final com dados como tipo de condução, nível de trânsito enfrentado e quanto gastou em gasolina.
A ideia é que, a médio e longo prazo, os mesmos dados devem embasar relatórios ambientais e emissão de créditos de carbono lastreados em operação real, não em estimativas genéricas. É aí que está o verdadeiro ganha-pão: na venda de relatórios e pesquisa para os segmentos B2B e B2G.
Ao usuário final, toda essa parte permanece invisível — ele só vê o app, os pontos acumulados e, em breve, um marketplace automotivo. Hoje, a empresa tem pouco mais de 25 mil usuários cadastrados e uma meta ambiciosa de cadastrar 1 milhão de motoristas até o fim do segundo trimestre.
A expansão da Mova acontece em paralelo a uma mudança regulatória importante no Brasil. A partir de 2026, companhias abertas, securitizadoras e fundos de investimento terão de reportar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, seguindo a Resolução 193/2023 da CVM, baseada no padrão internacional do ISSB, conselho de padrões de sustentabilidade.
Na prática, isso deve ampliar a demanda por dados auditáveis, rastreáveis e vinculados ao que de fato acontece nas ruas — exatamente o tipo de informação que a Mova promete entregar. Hoje, porém, esses dados continuam espalhados em silos: montadoras, locadoras, apps de transporte, empresas de logística e gestores de frotas produzem informações em formatos distintos, sem padronização.
A tese da empresa é que a combinação de pressão regulatória, crise climática e metas de descarbonização abre espaço para infraestruturas neutras de dados que consolidem e qualifiquem esses registros, especialmente para organizações pressionadas por relatórios de ESG.
Pelo lado do motorista, a proposta é simples: o usuário baixa o app, autoriza a coleta de dados de deslocamento e passa a acumular pontos conforme dirige.
No futuro, esses pontos podem ser trocados por benefícios no marketplace automotivo — como serviços de manutenção, seguros, limpeza, acessórios e recarga — e, mais para frente, até convertidos em criptomoedas.
Do lado corporativo, os dados alimentam relatórios de eficiência operacional, avaliação de risco e emissões, oferecendo insumos para seguradoras, empresas com frotas e governos que precisam de informação mais precisa sobre mobilidade urbana.
Com o atual desenho de negócio, a Mova projeta receita anual entre R$ 21 milhões e R$ 24 milhões em uma fase inicial de escala, podendo chegar a R$ 240 milhões a R$ 270 milhões em até cinco anos, à medida que as verticais B2B e ambientais ganham peso.
*Neste caso, o motorista de aplicativo pode ser tanto de deslocamento urbano, como Uber e 99, como um autônomo que trabalha com entregas para empresas como Mercado Livre e Amazon.