Emilio Guerra, fundador e CEO da Skyler: “Quando você entende a realidade local, surgem oportunidades que os números sozinhos não mostram” (Skyler/Divulgação)
Repórter
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 07h01.
RESUMO | A Skyler, rede cearense de moda masculina fundada por Emilio Guerra em 1997, planeja abrir de seis a oito lojas em 2026 após faturar mais de R$ 78 milhões em 2025. Com 72 unidades em 14 estados, a marca aposta nas franquias para chegar a todo o Brasil em três anos.
Cortar grama, limpar neve e fazer pequenos serviços nos Estados Unidos foi uma das primeiras experiências profissionais de Emilio Guerra, fundador e CEO da Skyler. Quase três décadas depois, o empresário cearense lidera uma rede de moda masculina com 72 unidades, faturamento superior a R$ 78 milhões em 2025 e planos de expansão nacional.
A trajetória começou em 1997, quando Guerra criou a marca em Fortaleza (CE), ao lado do pai, Antonio Guerra. Hoje, a empresa cresce apoiada principalmente no modelo de franquias, com foco em cidades onde identifica oportunidades de consumo ainda pouco exploradas.
“O franchising como força coletiva, onde o franqueado entende que ele é o nosso sócio local, na cidade, na região”, afirma Emilio.
A Skyler encerrou 2025 com crescimento próximo de 10% e mantém uma meta semelhante para 2026. Neste ano, a empresa deve abrir entre seis e oito novas lojas, incluindo movimentos de expansão para regiões fora de sua base tradicional no Norte e Nordeste.
“A vida do empreendedor brasileiro é sempre a adaptação. Você tem que resolver problemas, desenvolver equipe, desenvolver as redes franqueadas”, diz o executivo.
A ideia da Skyler nasceu antes de o mercado masculino ganhar a relevância atual dentro do varejo de moda. Na década de 1990, Emilio enxergava uma lacuna entre dois extremos: de um lado, as butiques com produtos mais sofisticados, mas caros; de outro, as grandes redes populares, com escala, mas nem sempre com qualidade ou informação de moda.
“A gente queria trazer um produto atualizado em moda, com excelente relação custo-benefício e que atendesse principalmente à realidade de jovens como eu na época, saindo da faculdade”, afirma.
A percepção ajudou a definir o posicionamento da marca: oferecer roupas masculinas com maior valor percebido, sem competir diretamente com as grifes premium. Ao longo dos anos, a empresa ampliou o portfólio para acompanhar mudanças no comportamento do consumidor.
Hoje, a Skyler divide suas linhas entre Essential, Casual, Motion, Tech, Business, Premium, Forward e Junior. A companhia também mantém mais de 400 lançamentos por temporada, em uma estratégia de renovação constante do catálogo.
Antes de construir a Skyler, Emilio teve uma trajetória marcada por experiências em diferentes áreas. Durante um intercâmbio nos Estados Unidos, em 1991, trabalhou com serviços como cortar grama e remover neve. Segundo ele, a experiência ajudou a formar uma visão sobre disciplina e execução.
“Você vê a pegada deles lá de que tem que dar resultado”, conta.
Formado em Direito, com pós-graduação em gestão estratégica empresarial e formação em branding pelo Insper, voltou ao Brasil e passou por atividades como captação de imóveis, corretagem e representação comercial de moda.
Foi trabalhando com uma empresa de private label — especializada no desenvolvimento de marcas para terceiros — que percebeu o potencial de criar uma operação própria.
“Foi aí onde eu descobri o poder das marcas. Passou a ser um desejo, uma vontade e uma inspiração para minha vida de um dia ter uma marca para mim”, afirma.
A Skyler foi fundada em dezembro de 1997. As primeiras lojas próprias começaram a ser abertas em 2002, quando a companhia já tinha sete unidades em Fortaleza. A expansão via franquias começou a ganhar força em 2005, com as primeiras operações no Ceará.
A expansão da Skyler foi construída principalmente pelo franchising. Para Emilio, o modelo permite combinar a estrutura da marca com o conhecimento de empresários locais.
A rede hoje está presente em 14 estados, com maior concentração no Norte e Nordeste. Fortaleza é a principal praça, com 16 lojas, mas a companhia também possui presença em cidades como Manaus, Belém, São Luís, Teresina, João Pessoa e São Paulo.
O plano agora é ampliar a presença nacional. A empresa quer chegar ao Centro-Oeste, interior paulista e regiões ligadas ao agronegócio.
“Em três anos queremos estar presente em todo o Brasil”, diz Emilio. A estratégia inclui analisar oportunidades que nem sempre aparecem nos indicadores tradicionais. Um exemplo é o estudo para abrir uma unidade em Oiapoque (AP), na fronteira com a Guiana Francesa.
Segundo o executivo, uma análise baseada apenas em população poderia indicar pouco potencial, mas o comércio transfronteiriço e a diferença cambial criam uma demanda específica.
“Quando você considera o comércio transfronteiriço, uma realidade de câmbio e de público diverso, começa a sinalizar uma oportunidade”, afirma.
O investimento para abrir uma franquia varia conforme o formato da loja. Segundo Emilio, operações menores podem exigir cerca de R$ 300 mil a R$ 350 mil, enquanto unidades maiores em shopping podem chegar a R$ 500 mil ou R$ 600 mil.
Cerca de 60% das lojas estão em shoppings, enquanto 40% ficam em pontos de rua. O modelo busca padronizar a abertura das unidades para reduzir custos e facilitar a expansão.
A empresa desenvolveu uma estrutura modular de mobiliário que pode ser replicada em diferentes lojas. O projeto, segundo Emilio, já foi aplicado em unidades como as dos shoppings Ibirapuera e West Plaza, em São Paulo.
“O grande custo da mobília é a montagem. Quando conseguimos equacionar essa conta, conseguimos baratear”, afirma.
Apesar de ter uma operação nacional, a Skyler não possui fábrica própria. O desenvolvimento das coleções é feito internamente por uma equipe de produto formada por estilistas, modelistas e profissionais especializados em moda.
A produção combina fornecedores brasileiros e internacionais. O jeans, por exemplo, tem forte ligação com Fortaleza, enquanto tecidos e outros componentes vêm de diferentes regiões do país.
No exterior, a empresa trabalha principalmente com fornecedores da China e Bangladesh.
Emilio diz que a China deixou de ser vista apenas como uma alternativa de menor custo e passou a ser uma fonte de tecnologia e desenvolvimento.
“A China não está barata, a China é altamente tecnológica”, afirma.
Além da expansão comercial, a Skyler trabalha para profissionalizar a gestão de uma empresa familiar. Atualmente, três gerações da família Guerra participam da operação: Emilio, o pai Antonio e a filha Beatriz.
A companhia também investiu em ferramentas de gestão, universidade corporativa e padronização de processos.
Hoje, cada loja emprega, em média, cinco pessoas, enquanto a franqueadora tem cerca de 40 colaboradores. Somando unidades e estrutura central, a empresa estima aproximadamente 400 funcionários.
Para Emilio, o desafio daqui para frente é crescer mantendo a proximidade com os parceiros.
“A gente tem um comprometimento muito forte com o sucesso do franqueado dentro da Skyler”, afirma.
A Skyler possui 72 unidades distribuídas por 14 estados, com maior concentração no Norte e Nordeste. Fortaleza é a principal praça da rede, com 16 lojas.
O investimento varia de aproximadamente R$ 300 mil a R$ 600 mil, segundo Emilio Guerra. Operações menores custam entre R$ 300 mil e R$ 350 mil, enquanto lojas maiores em shopping podem exigir de R$ 500 mil a R$ 600 mil.
A Skyler faturou mais de R$ 78 milhões em 2025 e encerrou o ano com crescimento próximo de 10%. A empresa mantém uma meta semelhante de crescimento para 2026.
A Skyler pretende abrir entre seis e oito lojas em 2026 e avançar para o Centro-Oeste, o interior paulista e regiões ligadas ao agronegócio. Segundo Emilio Guerra, a meta é estar presente em todo o Brasil em três anos.
A Skyler desenvolve as coleções internamente e terceiriza a produção para fornecedores brasileiros e internacionais. A empresa trabalha principalmente com parceiros da China e de Bangladesh no exterior, enquanto o jeans mantém forte ligação com Fortaleza.
A Skyler foi fundada em dezembro de 1997, em Fortaleza, por Emilio Guerra e seu pai, Antonio Guerra. A marca nasceu após Emilio identificar uma oportunidade para oferecer roupas masculinas atualizadas, com qualidade e boa relação entre custo e benefício.