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O próximo voo da Decolar: 'Vamos superar US$ 1 bilhão em faturamento', diz CEO

O Brasil está no centro do plano de expansão da companhia, que aposta em inteligência artificial e parcerias para mais que triplicar de tamanho até 2030

Rafaela Rezende, CEO da Decolar no Brasil: “A tecnologia está no nosso DNA. Investimos, em média, anualmente mais de 100 bilhões de dólares em tecnologia” (Decolar/Divulgação)

Rafaela Rezende, CEO da Decolar no Brasil: “A tecnologia está no nosso DNA. Investimos, em média, anualmente mais de 100 bilhões de dólares em tecnologia” (Decolar/Divulgação)

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 06h06.

Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 22h04.

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A Decolar está prestes a cruzar uma marca inédita: superar US$ 1 bilhão em faturamento no próximo ano fiscal. A companhia, que também é conhecida como Despegar, faturou US$ 804 milhões no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026. O marco na casa do bilhão, porém, para a companhia de viagens e turismo, deve ser apenas o primeiro trecho de um plano bem mais ambicioso.

Após a Prosus adquirir, em maio de 2025, o grupo Despegar (companhia argentina de turismo online dona da Decolar no Brasil), a empresa passou a integrar um ecossistema que reúne negócios como iFood, OLX Brasil e Sympla na América Latina.

Dentro deste grupo, a Decolar aparece com uma meta ambiciosa, e o Brasil ganhou papel central nessa rota de crescimento, segundo Rafaela Rezende, CEO da Decolar no Brasil.

“Desde que a Decolar foi comprada, vieram planos e sonhos muito ambiciosos. A gente tem o objetivo de mais do que triplicar o tamanho da empresa até 2030”, afirma a CEO.

A executiva assumiu o comando da operação brasileira em maio deste ano, em uma cadeira criada justamente em um momento no qual o país ganha mais autonomia e relevância dentro da estratégia da companhia.

Hoje, o Brasil responde por cerca de 40% das vendas da Decolar, segundo Rezende.

“A expectativa é elevar essa participação para 50%”, diz.

Para chegar lá, Rezende pretende combinar algumas frentes: ampliar parcerias com outras empresas, explorar os negócios B2B, investir em tecnologia e inteligência artificial e aproximar novamente a marca do consumidor brasileiro, seja por lojas ou vendas online.

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O efeito iFood

Uma das principais apostas já começou a mostrar resultados.

A Decolar criou uma parceria com o iFood na qual compras feitas no aplicativo de delivery geram cashback que pode ser utilizado em viagens, hotéis e experiências. Segundo Rezende, a parceria já responde por mais de 25% do crescimento da empresa.

“A gente testou três ou quatro modelos até chegar nesse modelo de cashback, que hoje a gente entende que já está em momento de escala”, afirma.

O próximo passo é replicar a fórmula. A companhia ainda não fechou novos acordos, mas já discute parcerias seguindo o mesmo modelo e pretende, no futuro, levá-lo para outros mercados da América Latina.

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Travel tech: a IA que consegue vender uma viagem sozinha

A segunda avenida é a tecnologia, tanto que Rezende define a Decolar como uma “travel tech”.

“Nós somos uma travel tech, afinal, a tecnologia está no nosso DNA. Investimos, em média, anualmente mais de 100 milhões de dólares em tecnologia”, diz a CEO.

Uma das apostas é a Sofia, agente de inteligência artificial da empresa. Segundo a CEO, a tecnologia já realizou sua primeira venda de forma autônoma, conduzindo o consumidor desde a busca pelas opções até a reserva e o pagamento.

“Ela não só ofereceu as melhores opções para o consumidor dentro de um contexto que ele trouxe, mas executou todas as etapas do processo de compra até a emissão da reserva e o pagamento”, afirma.

Para Rezende, o objetivo não é simplesmente incorporar inteligência artificial para seguir uma tendência do mercado.

“O objetivo aqui não é a gente falar que tem IA na nossa empresa, mas como a gente usa IA para efetivamente gerar um benefício de negócio, que é melhorar a experiência do nosso consumidor, salvando o tempo desse consumidor na ponta.”

Apesar do DNA digital, a companhia também mantém uma operação física. Hoje são 21 lojas no Brasil. Por enquanto, porém, não existe um plano definido de aceleração desse formato. A maior parte das vendas continua vindo dos canais digitais.

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B2B: Um negócio além do site da Decolar

Outro caminho para crescer está menos visível para o consumidor.

Além da venda direta de passagens, hotéis, pacotes e experiências pelo site, aplicativo, lojas e televendas, a Decolar atua no B2B, fornecendo produtos para outras agências de viagens.

“Temos três negócios principais: a venda direta pelo site, app, lojas e televendas; o B2B, em que somos parceiros de outras agências de viagens; e o B2B2C, em que oferecemos nosso catálogo para empresas parceiras como bancos e varejistas, que vendem viagens e experiências.”

Essa diversificação é uma das maneiras de aumentar a presença da companhia sem depender exclusivamente do consumidor que acessa diretamente a plataforma da Decolar.

O Brasil no centro da estratégia

Rezende afirma que, anteriormente, decisões de marca eram tomadas regionalmente e depois replicadas nos diferentes países. Agora, a operação brasileira passou a tomar algumas dessas decisões localmente.

A mudança apareceu durante a Copa do Mundo. A empresa escolheu um parceiro local e, segundo a CEO, realizou seu maior investimento em marca na região. O resultado, afirma, apareceu tanto nas vendas quanto nos indicadores de conhecimento e consideração da marca.

“A gente entra num outro momento, num novo contexto. O que a gente sabe é que, para entregar o que precisa entregar, a gente precisa fazer diferente do que vinha fazendo”, afirma.

A companhia pretende continuar aumentando os investimentos de marca para se reaproximar do consumidor brasileiro.

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O plano é investir nos países onde a marca está

Com um plano de crescimento tão agressivo e o respaldo de um grupo global, aquisições poderiam funcionar como um atalho. Mas, segundo Rezende, não existe atualmente nenhuma negociação avançada.

“A gente está sempre olhando, claro, avaliando o mercado, entendendo o que tem de oportunidade e de possibilidade. Mas hoje não tem nada quente que a gente possa falar.”

A expansão para fora da América Latina também não é prioridade. A Decolar está presente em 19 países e, segundo a executiva, ainda enxerga espaço suficiente para crescer nos mercados em que já atua.

“Não é necessário a gente olhar para fora para entregar o que precisa entregar. A gente ainda tem um espaço de crescimento muito grande, tanto no Brasil como nos outros 18 países em que atua.”

A filosofia do “jet skis”

Uma das estratégias que Rezende usa hoje na gestão da Decolar é a de manter o foco no negócio principal.

Por isso, dentro do grupo, são comuns as iniciativas experimentais chamadas de “jet skis”. São projetos que circulam ao redor do “grande navio” (o negócio principal) em busca de novas fontes de receita, margem e crescimento.

“Temos vários jet skis dentro da empresa, e o jet ski nada mais é do que tentativas de criar novos negócios, tentativas de descobrir novas alavancas de crescimento, de receita, de margens sustentáveis”, afirma.

A regra é que essas experiências não desviem recursos e atenção da operação que sustenta a companhia.

É uma filosofia que Rezende trouxe também de seus 16 anos de varejo. Para ela, parte dos problemas enfrentados por grandes varejistas nos últimos anos veio justamente da perda de foco no básico: estoque, lojas, clientes e fluxo de caixa.

A mesma lógica deve orientar a Decolar. A empresa pode testar novas avenidas, estudar aquisições e até avaliar uma expansão geográfica no futuro. Mas, por enquanto, o voo principal está definido: ultrapassar a barreira de US$ 1 bilhão ainda este ano e usar principalmente o Brasil e a América Latina para sustentar a próxima etapa de crescimento.

Quando o recorte é valuation, a projeção da Decolar prevê um crescimento de US$ 1,7 bilhão em 2025 para US$ 6 bilhões até 2030, refletindo a estratégia de expansão. Em 2025, as vendas do Grupo somaram aproximadamente R$ 33,5 bilhões na América Latina, sendo R$ 13,4 bilhões no Brasil.

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