Manuela Oliveira e Nathalia Emiliano, da Bounty Hunters: dupla projeta expandir o time para outras regiões do Brasil
Freelancer
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 08h00.
O mercado de eSports, que já soma mais de 115 milhões de jogadores no Brasil, vive uma corrida por profissionalização, estrutura e liderança qualificada. O país ganhou força global, mas ainda esbarra na falta de regulamentação, investimentos consistentes e diversidade real nos bastidores, especialmente nas posições de comando.
Nesse ambiente de avanços e gargalos, a Bounty Hunters surge como ponto fora da curva. A organização, focada no jogo Counter Strike e criada em Belo Horizonte, é a única do país fundada e liderada por uma mulher.
Quem está por trás do time é Nathalia Emiliano, ex-bióloga e professora por 16 anos, que deixou a sala de aula para empreender em um setor que ela “não conhecia absolutamente nada”, como conta.
A Bounty Hunters fecha 2025 com R$ 850 mil de faturamento, com previsão de chegar a R$ 1,3 milhão no ano seguinte.
O time também acaba de garantir presença na final do Campeonato Brasileiro de Counter Strike, o CBCS. Um salto raro para uma equipe com apenas dois anos de existência — e sem estar no eixo Rio–São Paulo.
“Descobri uma infinidade de oportunidades”, afirma Emiliano. “A BH [abreviação que também faz referência à capital mineira] hoje figura entre as quatro equipes do país e fecha 2025 na décima posição da América”.
Antes dos eSports, Emiliano administrava aulas, laboratórios e rotinas escolares. A virada veio quando ela e o marido decidiram abrir a Fire, loja e arena gamer em Belo Horizonte. O espaço virou ponto de encontro, curso educacional e, sem querer, laboratório para negócios.
“Senti pertencimento”, relembra. O fluxo da comunidade chamou atenção — e a ideia de ter um time próprio apareceu oito meses depois.
Nesse impulso, nasceu a Bounty Hunters. A organização construiu identidade mineira, abraçou torcida local e, pouco depois, começou a disputar campeonatos grandes.
O currículo recente inclui vice no CCT, top 3 na Kabum Prime League, top 4 no ESL Challenger South America e a vaga inédita na final do CBCS no Rio.
“Um time com tão pouco tempo estar numa posição como a BH é um marco muito grande”, afirma Manuela Oliveira, advogada e parceira de trabalho de Emiliano. “Times com menos de cinco anos não costumam chegar nesse patamar”.
Se Emiliano veio com a gestão e a comunidade, Manuela Oliveira é quem segura as pontas jurídicas e estratégicas.
Advogada há quase 15 anos, ela atua há mais de uma década no setor. Oliveira acompanhou durante oito anos a carreira de Gabriel “FalleN” Toledo, maior nome do CS brasileiro.
Hoje, Manuela cuida de atletas, times e criadores de conteúdo. Já estruturou mais de 500 tipos de contratos diferentes, somando cerca de US$ 50 milhões em negociações. “O time é uma empresa”, diz. “E o mercado ainda tem lacunas grandes”, explica ela.
Até 2023, não havia legislação específica que desse suporte ao ecossistema. A Lei Geral do Esporte e o Marco Jurídico de 2024 abriram brechas importantes, permitindo incentivos fiscais e apoio público. Mesmo assim, segundo a especialista, a base regulatória ainda é frágil.
Oliveira afirma que espera ver, até 2030, o esporte eletrônico plenamente regulamentado e reconhecido como modalidade de alto desempenho, apoiado por uma base legal sólida.
Assim, segundo a advogada, há mais espaço para parcerias público-privadas, uso de estádios e atração de investimentos estrangeiros, algo comum nos EUA e na Europa.
Oliveira e Emiliano projetam expandir a Bounty Hunters no Brasil e profissionalizar ainda mais a operação. Há planos para encontrar novas vertentes de receita, como criação de um programa de sócio-torcedor da Bounty Hunters.