Marciano Testa, fundador e CEO do Agibank (Itamar Aguiar/Divulgação)
Repórter
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 08h36.
O Brasil passou a ter um novo bilionário nesta quarta-feira, 11, após a estreia da fintech Agi Inc. (Agibank) na New York Stock Exchange (NYSE). O fundador da companhia, Marciano Testa, viu sua participação de 63% na empresa atingir cerca de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) com o fechamento das ações a US$ 10,75, mesmo após queda de 10% no primeiro dia de negociação.
A abertura de capital ocorreu com ajustes de última hora no preço e no volume de papéis ofertados, o que pressionou a estreia. Ainda assim, o valor de mercado garantiu a Testa o status de bilionário em dólar.
A listagem do Agibank marca a segunda grande abertura de capital de uma empresa brasileira nos Estados Unidos desde 2021. O movimento ocorre semanas após o IPO da fintech PicPay e reforça uma retomada pontual de companhias brasileiras no mercado americano.
Apesar da diluição da fatia acionária, Testa manteve o controle da empresa. Suas ações são da classe B, com poder de voto ampliado, o que lhe assegura cerca de 95% dos direitos de decisão. Os papéis podem ser convertidos em ações ordinárias sem perda de comando.
O Agibank combina operação digital com mais de 1.000 “smart hubs” físicos no país e tinha 6,4 milhões de clientes ativos em setembro. A principal frente de atuação é o crédito consignado para aposentados, com desconto direto em benefícios do INSS.
O IPO da Agibank levantou US$ 240 milhões em sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos, depois de ajustar a quantidade de ações e a faixa de preços da operação. A empresa, que agora é conhecida como AGI Inc., vendeu 20 milhões de ações por US$ 12 cada, ficando no limite inferior da faixa revisada, que originalmente variava de US$ 15 a US$ 18.
O valor levantado coloca a fintech em um patamar de mercado de aproximadamente US$ 1,9 bilhão, com base nas ações que permaneceram em circulação após a oferta.
O Agibank, que conta com cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, foi avaliado recentemente em R$ 9,3 bilhões (aproximadamente US$ 1,79 bilhão), após receber um investimento significativo de R$ 400 milhões pela Lumina Capital Management, fundo brasileiro. A empresa registrou lucro líquido de R$ 1,1 bilhão nos últimos 12 meses.
O IPO foi altamente demandado, com a procura superando a quantidade de ações disponibilizadas. Mas a revisão de preço ocorreu em um cenário de incertezas no mercado, especialmente após a queda das ações de sua concorrente, a PicPay.
Participaram do IPO bancos como Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citigroup e BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).