Eduardo Chedid, CEO do PicPay: produtos de crédito são prioridade
Editor de Invest
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 15h11.
Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 15h43.
O PicPay pode até ter listado ações na bolsa de valores dos Estados Unidos com a intenção de acessar os investidores desse mercado. Mas levar suas operações para o país já é uma outra história que a empresa prefere deixar para embarcar em outro momento.
"Ainda que possa parecer um movimento natural para nós, temos grande convicção que a oportunidade no Brasil é muito grande", afirmou Eduardo Chedid, CEO do PicPay.
"Posso te garantir que, pelos próximos dois, três anos, a gente vai estar exclusivamente focado no Brasil".
O foco do PicPay, nesse primeiro momento de companhia aberta, é execução e não mudança de estratégia. A fintech começou como carteira digital em 2012, numa época em que transferências de dinheiro eram feitas majoritariamente por TEDs e DOCs. Hoje, como banco múltiplo, o PicPay tem cartão de crédito, concede empréstimos e "tudo o que você procura em um banco", diz Chedid.
"A gente tem muito a percorrer em cross-selling de todos esses produtos que lançamos nos últimos anos, nessa base de clientes que temos, de mais de 66 milhões".
Segundo Chedid, "o principal driver de crescimento da empresa, tem sido e continua sendo, a penetração de produtos de crédito na nossa base", pessoa física e jurídica.
O PicPay estreia no mercado americano em um momento turbulento para as bolsas locais. Mas isso não significa que timing do IPO foi ruim. Pelo contrário: é mais uma empresa de um país emergente na Nasdaq para investidores que estão apostado nessa tese.
"Operar no Brasil, hoje em dia, voltou a ser considerado algo bacana", admite o CEO.
Na oferta inicial, o PicPay atraiu investidores que apostam na tese de mercados emergentes, fundos especializados em América Latina, em empresas de tecnologia e crescimento. "A listagem aqui traz muito dessa composição, bastante interessante para uma fintech como o PicPay", afirma André Cazotto, diretor de relações com investidores da empresa.
Por enquanto, o PicPay não tem previsão de negociar ativos na bolsa brasileira, como BDR's. Mas reconhece que a euforia deste começo de ano na B3 joga a favor da empresa, especialmente nesse momento de maior cautela com companhias americanas.
"Tem bons sinais de que isso pode ser um movimento um pouco mais sustentável de rotação e que mercados emergentes voltaram a tomar um pedaço maior do portfólio dos investidores globais. E o Brasil parece ser um dos mercados que eles estão olhando com mais carinho", concluiu o CEO.
A reportagem viajou para Nova York a convite do PicPay