Mundo

Zelensky destitui embaixadora ucraniana nos EUA

Olga Stefanishyna ocupava o cargo desde agosto de 2025 e deixa o posto em meio à reforma do governo ucraniano e aos esforços de Kiev para obter mais sistemas Patriot de Washington

 (Simon Wohlfahrt /AFP)

(Simon Wohlfahrt /AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 15h09.

Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 15h16.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, exonerou nesta segunda-feira, 3, sua embaixadora nos Estados Unidos. A diplomata Olga Stefanishyna foi responsável pelo intermédio da relação com o governo Trump desde o ano passado.

A demissão foi oficializada por meio de um decreto presidencial publicado no site do governo ucraniano. O documento não apresenta justificativa para a decisão, mas a saída já era esperada desde a ampla reforma ministerial iniciada em julho.

A mudança ocorre, porém, em um momento sensível para a diplomacia ucraniana. Kiev intensifica as negociações com Washington para obter novos sistemas de defesa antiaérea Patriot, considerados essenciais para conter os ataques russos contra cidades ucranianas.

Reforma diplomática e investigações

Stefanishyna havia sido nomeada embaixadora em 27 de agosto de 2025. Antes disso, passou um mês como enviada especial da Presidência para o desenvolvimento da cooperação com os Estados Unidos, após deixar o cargo de vice-primeira-ministra para Integração Europeia e Euro-Atlântica.

Nas últimas semanas, já circulavam especulações sobre sua substituição. No fim de julho, a própria diplomata afirmou que Zelensky não havia solicitado sua renúncia.

Segundo fontes ouvidas pelo Kyiv Independent, Stefanishyna teria decidido deixar o cargo por iniciativa própria. Outra fonte, no entanto, afirmou que a reorganização do governo já estava planejada antes dessa decisão.

A exoneração faz parte de uma ampla reorganização do governo e do corpo diplomático ucraniano promovida por Zelensky.

Inicialmente, o presidente pretendia nomear a ex-primeira-ministra Yuliia Svyrydenko para a embaixada em Washington, mas ela recusou o convite, alterando os planos da Presidência.

A saída de Stefanishyna também ocorre enquanto seu nome aparece em investigações conduzidas pelo Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU). Ela é investigada por supostas irregularidades envolvendo a Agência de Recuperação e Gestão de Ativos, embora não tenha sido formalmente denunciada.

Segundo a imprensa ucraniana, empresas ligadas ao ex-marido da diplomata receberam contratos para administrar ativos apreendidos pelo Estado. Ela também respondeu, em 2019, a um processo separado relacionado a suspeitas de desvio de recursos públicos.

Até o momento, Zelensky não anunciou quem será o novo embaixador da Ucrânia nos Estados Unidos.

Visita à Casa Branca na semana passada

Zelensky, se encontrou na terça-feira passada, 28, com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Ao fim das conversas entre os mandatários, Zelensky afirmou que foi uma "boa reunião" e disse que os dois discutiram a concessão de licenças para a produção de interceptadores do sistema Patriot na Ucrânia, além de formas de reativar as negociações diplomáticas com a Rússia.

A reunião ocorre em um momento de intensificação da guerra, com aumento dos ataques de longo alcance entre Rússia e Ucrânia nas últimas semanas, e também em meio à crise política enfrentada por Zelensky após mudanças no comando das Forças Armadas e do Ministério da Defesa.

Trump, por sua vez, tem adotado uma postura de contenção de gastos com a Ucrânia e com a Otan, além de ter  buscado mediar um acordo de paz entre Moscou e Kiev.

Em publicação na rede social X, o presidente ucraniano afirmou que equipes dos dois países darão continuidade às discussões nas próximas semanas. Ele também agradeceu o apoio de Washington à defesa da Ucrânia e disse que é importante "revigorar o processo diplomático".

Crise política de Zelensky

A visita a Washington na semana passada e a exoneração da embaixadora ucraniana ocorrem em meio a um momento delicado para Zelensky dentro do próprio país.

O presidente enfrenta repercussões políticas após a substituição do ministro da Defesa e do comandante das Forças Armadas, mudanças que geraram críticas dentro do país.

Ao mesmo tempo, Kiev tenta retomar negociações de paz que permanecem praticamente paralisadas há meses. Analistas ouvidos pelo New York Times avaliam que tanto Trump quanto Zelensky têm interesse em reativar a diplomacia.

Para Trump, um avanço nas conversas representaria uma vitória diplomática em um momento em que também enfrenta dificuldades para consolidar um cessar-fogo duradouro entre Estados Unidos e Irã.

Já Zelensky busca ampliar o apoio americano enquanto a Ucrânia intensifica ataques contra alvos estratégicos russos, ao passo que Moscou mantém bombardeios frequentes contra cidades e infraestrutura ucranianas.

Segundo o Kremlin, porém, não há negociações em andamento para um cessar-fogo aéreo. Moscou afirma que a intensificação dos ataques ucranianos em território russo tende a prolongar o conflito.

Com AFP

Acompanhe tudo sobre:Volodymyr-ZelenskyUcrânia

Mais de Mundo

Com colapso da rede elétrica, Cuba enfrenta escuridão a nível nacional

Trabalhador latino-americano tem 26% da produtividade de um norte-americano

Irã deverá escolher entre 'acordo ou rendição total', diz Trump

Israel mantém ataques em Gaza e contesta plano de Trump aceito pelo Hamas