Xi Jinping: o presidente chinês elogiou uma 'amizade invencível' com Pyongyang ao chegar à Coreia do Norte (JUNG YEON-JE/AFP)
Repórter
Publicado em 8 de junho de 2026 às 07h30.
O presidente da China, Xi Jinping, chegou nesta segunda-feira, 8, à Coreia do Norte para uma visita oficial de dois dias, sua primeira ao país desde 2019.
O líder chinês foi recebido no aeroporto de Pyongyang por Kim Jong-un e pela primeira-dama norte-coreana, Ri Sol-ju, em uma cerimônia marcada por tapete vermelho, guarda de honra e crianças entregando flores.
A viagem acontece poucos dias após Xi receber, em visitas separadas a Pequim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O encontro com Kim é visto como mais um movimento diplomático da China em meio às disputas geopolíticas envolvendo Washington, Moscou e a Península Coreana.
Xi está acompanhado da primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, do ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, e de outros integrantes da cúpula do governo chinês.
Esta é a primeira vez que Xi visita a Coreia do Norte em sete anos. O líder chinês e Kim Jong-un se encontraram pela última vez em setembro de 2025, durante uma parada militar em Pequim que marcou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Na ocasião, os dois participaram de uma aparição pública ao lado de Vladimir Putin, em uma demonstração de aproximação entre China, Rússia e Coreia do Norte.
Antes da viagem de Xi, a diplomacia chinesa intensificou os contatos com Pyongyang. Em abril, o ministro das Relações Exteriores chinês esteve na capital norte-coreana pela primeira vez desde 2019. Segundo o governo chinês, foram discutidas questões internacionais e regionais, enquanto Kim manifestou interesse em ampliar a comunicação com Pequim.
A China é o principal aliado diplomático e econômico da Coreia do Norte. Pequim responde pela maior parte do comércio oficial norte-coreano, uma relação que ganhou ainda mais importância diante das sanções internacionais impostas ao país por causa de seu programa nuclear.
Nos dois primeiros meses de 2026, o comércio bilateral cresceu 22% em comparação com o mesmo período do ano passado.
A Coreia do Norte depende da China para a importação de combustíveis, alimentos, eletrônicos, máquinas, veículos e produtos têxteis. Ao mesmo tempo, empresas e portos chineses funcionam como uma importante porta de saída para exportações norte-coreanas.
Entre os principais produtos exportados pelo regime de Kim estão perucas e cabelos artificiais, além de minerais, frutos do mar congelados, aço e componentes de relógios.
Nenhuma agenda oficial detalhada foi divulgada pelos dois governos, mas analistas acreditam que temas como o programa nuclear norte-coreano, as relações com os Estados Unidos e a segurança regional devem estar entre os assuntos discutidos.
A visita ocorre em um momento em que Washington voltou a defender a desnuclearização da Coreia do Norte. Após uma reunião entre Trump e Xi em Pequim, a Casa Branca afirmou que os dois líderes concordaram com esse objetivo.
Já o governo chinês informou apenas que os presidentes discutiram a questão nuclear na Península Coreana, sem mencionar um compromisso conjunto.
Pyongyang, por sua vez, tem rejeitado publicamente a possibilidade de abrir mão de seu arsenal nuclear. Nos últimos dias, autoridades norte-coreanas reiteraram que o país continuará ampliando suas capacidades nucleares.
Segundo o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, o regime segue produzindo material nuclear e avançando em seu programa de mísseis balísticos.
Além da questão nuclear, especialistas apontam outro motivo para a visita: a crescente aproximação entre Coreia do Norte e Rússia. Nos últimos anos, Pyongyang aprofundou sua cooperação com Moscou, incluindo apoio à guerra na Ucrânia, em troca de assistência econômica e militar.
Analistas avaliam que um dos objetivos da viagem é reforçar a influência chinesa sobre a Coreia do Norte em um momento de maior alinhamento entre Pyongyang e Moscou. Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela BBC, Pequim vê com preocupação o aprofundamento da relação entre os dois países.
Em artigo publicado na imprensa estatal norte-coreana antes da viagem, Xi classificou a amizade entre os dois países como “inquebrável” e defendeu uma comunicação estratégica mais estreita entre Pequim e Pyongyang. Segundo ele, as relações bilaterais estão em um “novo ponto de partida histórico”.