Mundo

Daniel Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua

Declaração ocorre após reformas que criaram o cargo de copresidente para Rosario Murillo e estenderam o mandato presidencial

Daniel Ortega: declaração do presidente ocorre após reformas que criaram o cargo de copresidente para Rosario Murillo e estenderam o mandato presidencial (Jesus Vargas/Getty Images)

Daniel Ortega: declaração do presidente ocorre após reformas que criaram o cargo de copresidente para Rosario Murillo e estenderam o mandato presidencial (Jesus Vargas/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 20 de julho de 2026 às 23h12.

Última atualização em 20 de julho de 2026 às 23h32.

Tudo sobreNicarágua
Saiba mais

Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, afirmou que o país deixará de realizar eleições, em uma declaração que indica o fechamento de uma futura disputa eleitoral após o término de seu atual mandato, previsto para 2027. A afirmação foi feita durante um discurso no domingo, 19, e ocorre após mudanças constitucionais que ampliaram os poderes de Ortega e de sua esposa, Rosario Murillo, no comando do país.

No poder desde 2007, após já ter ocupado a Presidência durante a década de 1980, Ortega declarou que a medida impediria a oposição de chegar ao governo por meio de eleições. O presidente, no entanto, não apresentou detalhes sobre como o fim das disputas eleitorais seria implementado.

“Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, afirmou Ortega durante um evento em referência à Revolução Sandinista de 1979, movimento que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza e do qual o atual presidente participou. “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram — nunca mais”, declarou. O discurso marcou sua primeira aparição pública em dois meses.

A última eleição presidencial da Nicarágua ocorreu em 2021, em um processo marcado pela prisão de opositores, líderes políticos e representantes do setor empresarial antes da votação. O governo também adotou medidas que restringiram a atuação de grupos de oposição e manifestações de dissidência política.

Mudanças na Constituição ampliaram a estrutura de poder da Presidência. Entre as alterações, Rosario Murillo, esposa de Ortega, passou a ocupar o cargo de “copresidente”, enquanto o mandato presidencial foi estendido para seis anos. As reformas também ampliaram a concentração de atribuições no Executivo, que exerce influência sobre instituições como as Forças Armadas e o Poder Judiciário.

Nicarágua enfrenta crise política desde 2018

O Conselho de Direitos Humanos da ONU acusou o governo de Ortega e Murillo de transformar a Nicarágua “em um Estado autoritário” e apontou violações sistemáticas de direitos humanos no país.

A crise política nicaraguense se intensificou em abril de 2018, após protestos contra o governo. A resposta das autoridades às manifestações resultou em uma repressão que deixou mais de 300 mortos.

Desde então, o governo ampliou medidas contra grupos de oposição e promoveu mudanças na estrutura institucional do país. Ortega permanece na Presidência desde 2007, enquanto Murillo passou a dividir formalmente o comando do Executivo após as reformas constitucionais.

Acompanhe tudo sobre:NicaráguaCrise política

Mais de Mundo

O plano que pode mudar a forma como Hong Kong governa sua economia

Trump pode ter 3º mandato em 2028? Entenda o que diz a Constituição dos EUA

Presidente da Colômbia pede suspensão de tarifas dos EUA após terremoto

Ataques de drones pressionam Rússia enquanto Putin rejeita cessar-fogo