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Xi Jinping visitará Coreia do Norte para conter avanço de Moscou

Viagem de Estado ocorre em 8 e 9 de junho a convite de Kim Jong-un, marcando a primeira agenda internacional do líder chinês neste ano e servindo como recado diplomático ao Ocidente

Aliança estratégica: Líderes da China e da Coreia do Norte buscam alinhar posições geopolíticas e debater os rumos do comércio e do programa nuclear na região ( KCNA VIA KNS / AFP)

Aliança estratégica: Líderes da China e da Coreia do Norte buscam alinhar posições geopolíticas e debater os rumos do comércio e do programa nuclear na região ( KCNA VIA KNS / AFP)

Publicado em 5 de junho de 2026 às 07h38.

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O presidente da China, Xi Jinping, fará uma visita oficial de Estado à Coreia do Norte nos dias 8 e 9 de junho. O anúncio, divulgado nesta sexta-feira, 5, pela emissora estatal chinesa CCTV e confirmado pela agência norte-coreana KCNA, consolida a estratégia de Pequim de se posicionar como o principal mediador e potência diplomática no cenário global.

A viagem a Pyongyang carrega um simbolismo: trata-se do primeiro compromisso internacional de Xi Jinping neste ano. A agenda ocorre logo após o líder chinês ter recebido em Pequim, ao longo do mês de maio, reuniões sucessivas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o mandatário da Rússia, Vladimir Putin.

Para analistas internacionais, a China está operando no topo de sua influência e coordena posições com superpotências para atrair nações isoladas e fortalecer a construção de uma nova ordem internacional multilateral.

Economia e a sombra da Rússia sobre Pyongyang

A China atua historicamente como o pulmão financeiro e político da Coreia do Norte, que sofre com severos embargos da comunidade internacional. Dados de institutos de pesquisa baseados em Washington apontam o tamanho dessa dependência:

  • Comércio Exterior: Pequim responde por até 95% de todo o fluxo comercial internacional da Coreia do Norte.

  • Exportações: Cerca de 85% de tudo o que o regime de Kim Jong-un exporta tem como destino o mercado chinês.

Contudo, essa relação de exclusividade balançou nos últimos anos. Isolada, a Coreia do Norte buscou uma aproximação acelerada com a Rússia, enviando armas e milhares de soldados para apoiar Moscou na guerra contra a Ucrânia. Em troca, o Kremlin passou a fornecer ajuda financeira, alimentos, energia e transferência de tecnologia militar de ponta para os norte-coreanos.

Especialistas em relações internacionais avaliam que a escolha da Coreia do Norte como o primeiro destino de Xi Jinping em 2026 é um recado direto ao Ocidente. A China quer deixar claro que Pyongyang continua sob sua esfera de influência direta, rebatendo teses de que o regime de Kim Jong-un teria migrado de vez para a órbita de influência de Vladimir Putin.

O fator nuclear e o medo de conflitos na região

Outro ponto urgente na pauta de Xi Jinping é colocar um freio de mão diplomático nas ambições bélicas do vizinho. Nesta mesma semana, Kim Jong-un anunciou que a Coreia do Norte conseguiu dobrar sua produção de insumos nucleares e exigiu uma expansão "exponencial" de seu arsenal atômico.

Embora seja aliada de Pyongyang, a China vê com extrema preocupação o ritmo acelerado dos testes nucleares norte-coreanos. Para o governo chinês, se a Coreia do Norte adotar uma postura excessivamente beligerante ou realizar provocações militares na região, isso pode funcionar como o estopim para um conflito armado de grandes proporções no quintal de Pequim, contrariando os interesses de estabilidade econômica da China.

A diplomacia da Coreia do Sul já se manifestou sobre o encontro da próxima semana. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores sul-coreano declarou esperar que a reunião entre os líderes contribua diretamente para a paz regional e que a China desempenhe um papel construtivo para desarmar as tensões na península.

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