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Brasil e EUA querem fechar acordo até início de dezembro, diz Vieira

O chanceler brasileiro disse que o colega americano mostrou interesse de Washington em manter boas relações com o Brasil

Mauro Vieira falou que na semana passada houve uma reunião virtual entre Itamaraty, Fazenda, MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria) com seus pares dos EUA (AFP/AFP)

Mauro Vieira falou que na semana passada houve uma reunião virtual entre Itamaraty, Fazenda, MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria) com seus pares dos EUA (AFP/AFP)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 13 de novembro de 2025 às 20h25.

Última atualização em 14 de novembro de 2025 às 05h51.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse nesta quinta-feira que apresentou uma proposta geral aos Estados Unidos sobre o tarifaço. Vieira teve um encontro com o secretário de Estado, Marco Rubio. Na quarta-feira, os dois já haviam conversado em reunião paralela ao encontro do G7 no Canadá.

O chanceler brasileiro disse a jornalistas em Washington que o colega americano mostrou interesse de Washington em manter boas relações com o Brasil. A proposta ainda aguarda retorno da Casa Branca, que pode vir amanhã ou na próxima semana, e que os dois lados querem finalizar até o início de dezembro um acordo que crie uma espécie de "mapa do caminho" para as negociações. Vieira falou que esse processo pode durar de dois a três meses.

Mauro Vieira falou que na semana passada houve uma reunião virtual entre Itamaraty, Fazenda, Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDIC) com seus pares dos EUA. Nesse encontro, o Brasil apresentou uma resposta sobre os temas que a Casa Branca havia enviado em outubro.

O chanceler disse que Rubio mencionou comentários positivos do presidente Donald Trump a respeito da reunião que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia.

Estágio das negociações

As negociações para suspender as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos continuam sem avanços. A sinalização recente de Washington sobre a possibilidade de reduzir tarifas de importação de café, mencionada por Trump e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, trouxe certa esperança para o Itamaraty como um possível alívio para o setor, embora o Brasil não tenha sido citado nominalmente.

O tarifaço atual soma uma sobretaxa de 40% à tarifa-base de 10% e atinge setores como aço, alumínio, carne, café, frutas, pescados, máquinas e equipamentos industriais. Hoje, o governo brasileiro trabalha com a suspensão temporária das sobretaxas até a conclusão das negociações para um acordo comercial mais amplo ou ampliação da lista de exceções - produtos classificados por Trump como “recursos naturais indisponíveis” nos Estados Unidos.

Em outra frente, o Brasil trabalha pela revogação de sanções impostas por Washington a cidadãos brasileiros, entre eles o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e tenta evitar novas punições previstas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O dispositivo permite retaliação contra países cujas práticas sejam consideradas “injustificáveis ou discriminatórias” contra empresas americanas. No caso brasileiro, a investigação inclui comércio digital, serviços financeiros, tarifas preferenciais, desmatamento ilegal e uso do Pix como meio de pagamento.

Trump sinaliza que vai reduzir tarifas sobre café

Em entrevista à rede americana Fox News, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo deve reduzir tarifas de importação sobre o café, medida que teria como objetivo baratear o produto para os consumidores americanos. O Brasil seria o maior beneficiado pela medida.

Atualmente, o café brasileiro está sujeito a uma taxação de 50%, o que encareceu o produto no mercado interno dos EUA e contribuiu para a pressão inflacionária local. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial do grão e abastece grande parte da demanda americana.

No vídeo da entrevista, publicado no site da emissora na noite desta terça-feira, Trump declarou que pretende cortar “algumas tarifas” sobre o café, o que pode incluir o produto na lista de exceções ao pacote de sobretaxações contra o Brasil.

Lula diz que ligará novamente para Trump se as negociações não avançarem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disse que fará uma nova ligação para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso as discussões entre os dois países não avancem até o final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30)

Lula e Trump se encontraram na Malásia em outubro para diminuir as tensões entre as nações após o aumento das tarifas de importação sobre produtos brasileiros, que passaram de 10% para 50% em agosto, por decisão da Casa Branca.

"Saí da reunião com o presidente Trump convicto de que vamos chegar a um acordo", declarou Lula a jornalistas em Belém, às vésperas da COP30. "Falei a ele da importância de nossos negociadores iniciarem as conversas o quanto antes."

O presidente acrescentou que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão prontos para uma nova rodada de negociações e estão dispostos a viajar aos Estados Unidos se necessário.

"Se ao final da COP30 a reunião entre nossos negociadores e os de Trump ainda não tiver ocorrido, farei outra ligação para ele", reforçou Lula.

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