Flávio Bolsonaro: senador chegou a Washington na segunda-feira, 25 (Saulo Cruz/Agência Senado/Flickr)
Publicado em 25 de maio de 2026 às 17h46.
Última atualização em 25 de maio de 2026 às 17h49.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, chegou aos Estados Unidos nesta segunda-feira, 25, na expectativa de uma reunião com o presidente Donald Trump.
A chegada foi confirmada por Paulo Figueiredo, aliado de Flávio e de seu irmão Eduardo. Ele, no entanto, disse que um encontro do candidato com Trump não foi confirmado.
"A campanha não confirmou (ou negou) essa agenda. A Casa Branca não confirmou (ou negou) a agenda. O que a imprensa vem publicando é mera especulação. De fato, Flávio Bolsonaro está em Washington, DC para uma série de reuniões de alto nível. O resto saberão em breve", disse Figueiredo, em um post na rede social X.
Até a publicação desta reportagem, Flávio não havia postado ou se pronunciado sobre a viagem.
Procurada pela EXAME, a Casa Branca não confirmou nem negou a visita. O governo americano não costuma confirmar eventos na agenda do presidente de forma antecipada.
A agenda de Trump do dia geralmente é informada à imprensa na noite anterior, mas costuma trazer apenas os eventos mais importantes. Encontros mais breves muitas vezes não são citados.
Na quinta-feira passada, integrantes da pré-campanha bolsonarista passaram a afirmar reservadamente que Trump teria convidado Flávio para uma reunião nesta semana.
Como a EXAME mostrou, o Palácio do Planalto não deverá agir para impedir a eventual reunião. Um auxiliar do presidente, afirmou, sob reserva, que a avaliação é de que o governo Trump tem proximidade ideológica com os Bolsonaros e que pode receber quem quiser. O encontro por si só não seria interpretado como uma intervenção nos assuntos domésticos do Brasil.
A boa relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, no entanto, é vista por pessoas do entorno do presidente como um fato relevante e um trunfo diplomático que reduz a margem de manobra para que os Bolsonaros consigam que o governo americano tome ações concretas que possam causar prejuízo ao Brasil.
No ano passado, o lobby feito pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo blogueiro Paulo Figueiredo junto a autoridades americanas em prol de sanções contra autoridades e pró-tarifaço contra exportações brasileiras foi visto como relevante para que as medidas fossem tomadas.
O cenário hoje é outro, avalia um auxiliar de Lula, em boa medida devido ao trabalho diplomático que permitiu estabelecer contatos entre os dois governos e, mais especificamente, entre os dois presidentes.
Em meio às tratativas em andamento entre o USTR, órgão de representação comercial do governo americano, e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, auxiliares de Lula entendem que há pouco espaço para o anúncio de novas sanções imediatas derivadas de um encontro entre Flávio e Trump.
No entorno de Lula, também se entende como pouco provável que Trump volte a ameaçar o governo brasileiro em decorrência da condenação de Jair Bolsonaro no âmbito do processo da trama golpista.
No ano passado, a retórica de uma "caça às bruxas" foi usada pelo presidente americano e autoridades de seu governo para aplicar o tarifaço contra exportações brasileiras aos Estados Unidos.
A reação do governo Lula de, ao mesmo tempo, buscar o diálogo com os americanos e criticar publicamente a imposição de sanções por razões de política doméstica, contribuiu para que o presidente brasileiro aumentasse sua popularidade.
A divulgação do suposto encontro entre aliados de Bolsonaro é vista pelo Planalto como uma tentativa, por parte da pré-campanha bolsonarista, de criar um fato novo que mitigue a crise em que a pré-campanha Flávio Bolsonaro se encontra após as revelações de sua relação próxima com Daniel Vorcaro e dos R$ 61 milhões que o banqueiro destinou à produção do filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro.
Há, ainda, a percepção no Planalto de que Flávio e Eduardo Bolsonaro podem, além de pedir um apoio oficial de Trump nas eleições brasileiras, busquem, por exemplo, fazer lobby para que os Estados Unidos punam o Brasil no âmbito da investigação aberta pelo USTR na chamada seção 301. O processo, aberto no ano passado, investiga supostas práticas comerciais desleais do Brasil.