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Trump teve 1º ano frenético, enquanto mundo 'aprende' a lidar com ele

Presidente colocou em prática mudanças profundas na relação dos EUA com o mundo e na atuação do governo federal dentro do país

Donald Trump, presidente dos EUA, ao anunciar nova série de navios de guerra, que ele chamou de 'classe Trump', em 22 de dezembro
 (Andrew Caballero-Reynolds/AFP)

Donald Trump, presidente dos EUA, ao anunciar nova série de navios de guerra, que ele chamou de 'classe Trump', em 22 de dezembro (Andrew Caballero-Reynolds/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 27 de dezembro de 2025 às 08h01.

O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos trouxe uma tempestade de mudanças, em muitas áreas ao mesmo tempo. O republicano quis fazer alterações bruscas na atuação do governo dos EUA, tanto dentro quanto fora do país. Em meio à surpresa inicial, muita gente lembrava: ele estava apenas entregando o que prometeu na campanha.

Logo ao tomar posse, Trump retirou os EUA do acordo climático de Paris e da Organização Mundial da Saúde. Ele também iniciou uma perseguição forte a imigrantes irregulares.

Nos meses seguintes, vieram o tarifaço, que balançou o comércio global, e um ataque militar a instalações nucleares do Irã. Dentro dos EUA, houve demissões em massa de funcionários federais e embates contra universidades. Trump teve vitórias em boa parte destes casos e conseguiu entregar o que prometeu.

Já em outras áreas, os resultados demoram a aparecer. No campo externo, a guerra na Ucrânia prossegue, apesar de Trump ter prometido resolvê-la rapidamente.

O americano tem se mostrado aberto a demandas da Rússia, o que assusta ucranianos e europeus, mas o ano termina ainda sem acordo, com intermináveis rodadas de conversas em andamento.

Dentro dos EUA, Trump segue com o desafio de baixar a inflação, que rondou os 3% ao longo de todo o ano, embora a meta do país seja 2%. A alta de preços, afinal, foi apontada como uma das principais razões para a derrota de Joe Biden nas eleições de 2024.

Ao mesmo tempo, ao longo do ano, os líderes estrangeiros foram se acostumando a lidar com a incerteza e encontraram formas de negociar com Trump.

Vários países e blocos, como Reino Unido, União Europeia e Vietnã, fizeram acordos para conseguir reduções de tarifas em troca de investimentos nos EUA ou abertura de mercados, por exemplo.

Outra lição do ano: Trump gosta de ser elogiado. Ele disse diversas vezes que merecia um Prêmio Nobel da Paz, por ter encerrado guerras. O republicano não venceu a premiação neste ano, mas vários líderes estrangeiros, como o premiê israelense Benjamin Netanyahu, passaram a defender a entrega da láurea para ele.

O presidente da Fifa, Giovanni Infantino, foi mais longe e entregou a Trump um "prêmio da paz" criado pela entidade.

Trump também gosta de ter seu nome em coisas, produtos e programas de governo. Ele lançou um visto especial, chamado de Trump Gold Card, voltado a estrangeiros ricos que querem morar nos EUA, e incluiu seu nome no Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington.

Aprovação em baixa

Apesar de tantas ações, Trump tem perdido popularidade.

Ele começou o mandato em janeiro com 51% de aprovação, mas viu o índice cair abaixo dos 50% já em fevereiro, de acordo com o agregador de pesquisas Silver Bulletin. Em dezembro, sua aprovação aparece abaixo de 40% em algumas pesquisas, mas em 42% na média do agregador.

"Trump teve uma perda recorde de popularidade entre os últimos presidentes, mesmo comparando com seu primeiro mandato, em 2017", diz Mauricio Moura, professor da Universidade George Washington.

Para Moura, os dois principais motivos disso são a perda de apoio entre o eleitorado latino, alvo da forte campanha contra a imigração irregular, e a demissão em massa de funcionários federais, que atuam com mais força nos estados.

Trump em 2026

O líder dos EUA começa o novo ano ainda em busca de solução para a Ucrânia e reforçando um cerco militar na costa da Venezuela. Trump quer derrubar o governo de Nicolás Maduro, acusado de fraude eleitoral, mas por enquanto aposta na pressão econômica e psicológica.

Em 2026, os EUA terão dois grandes eventos de peso: a Copa do Mundo de Futebol e os 250 anos da Independência.

Nos dois eventos, Trump buscará projetar a imagem de um país que recuperou seu caminho em direção a uma era de ouro. A resposta de como os americanos avaliam tudo isso, no entanto, virá em novembro.

Nas eleições de meio de mandato, as midterms, Trump poderá reforçar seu poder ou perder o controle do Congresso, onde hoje domina as duas casas. Prever o cenário eleitoral, no entanto, é tarefa quase impossível.

Diversos estados estão revendo seus mapas de distritos eleitorais, em um movimento que deve favorecer a vitória de um partido. A prática é chamada de gerrymandering. “Ainda não está claro para ninguém quais distritos estarão em disputa, e isso introduz uma incerteza enorme”, diz Moura.

A política americana terá, assim, mais uma disputa eleitoral acirrada e incerta, uma rotina que se repete desde 2016, quando Trump venceu sua primeira eleição.

Já são dez anos em que os EUA, e o mundo, buscam formas de lidar com o trumpismo, e são também moldados por ele. 

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