Mundo

Trump e Xi sinalizam aproximação em encontro na Casa Branca

Em discurso na Casa Branca, presidente chinês defende 'estabilidade estratégica', enquanto Trump destaca 'verdadeira grande amizade' entre os dois líderes

Trump e Xi: os líderes das duas maiores potências econômicas mundiais se encontram nesta semana (Evan Vucci/AFP)

Trump e Xi: os líderes das duas maiores potências econômicas mundiais se encontram nesta semana (Evan Vucci/AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 12h58.

Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 12h59.

Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, sinalizaram nesta quinta-feira, 24, uma disposição de manter uma relação mais estável entre as duas potências durante o encontro na Casa Branca. Trump destacou a relação pessoal com Xi, enquanto o presidente chinês defendeu evitar conflitos e afirmou que os interesses dos dois países são “profundamente interligados”.

“A China mantém sua porta amplamente aberta e recebe empresas americanas que desejam investir e fazer negócios lá. Esperamos que as empresas chinesas sejam tratadas de forma justa aqui nos Estados Unidos”, afirmou Xi durante o encontro.

Trump, por sua vez, disse ter construído com Xi uma “verdadeira grande amizade” e afirmou que os dois países têm interesses comuns. O presidente americano também disse que as decisões tomadas pelos dois governos em áreas como segurança e tecnologia podem promover “paz e prosperidade” nas próximas décadas.

As declarações não significam que as principais divergências entre Washington e Pequim tenham sido resolvidas. O encontro ocorre em meio a disputas sobre comércio, tecnologia, Taiwan e outros temas, e a expectativa é de avanços pontuais, não de uma solução para todas as questões que dividem os países.

Xi cita “armadilha de Tucídides”

Durante seu discurso, Xi também citou a chamada “armadilha de Tucídides”, expressão usada para descrever o risco de conflito quando uma potência emergente desafia uma potência estabelecida.

O conceito é inspirado nos relatos do historiador grego Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso, travada entre Atenas e Esparta no século V a.C. A interpretação associada ao termo aponta que o crescimento de uma potência pode provocar temor na potência dominante e aumentar o risco de confronto.

Xi já havia usado a expressão em maio, em um encontro com Trump em Pequim. Na ocasião, questionou se China e Estados Unidos conseguiriam “superar a armadilha de Tucídides” e construir um novo modelo de relação entre grandes potências.

A referência desta quinta-feira reforça a ideia apresentada por Xi de que os dois países devem administrar a competição sem permitir que ela evolua para um conflito.

Comércio é um dos principais pontos

A aproximação sinalizada no discurso ocorre enquanto Estados Unidos e China tentam preservar uma trégua comercial firmada em 2025. O acordo termina em novembro e envolve tarifas, terras raras e minerais críticos.

Xi afirmou que a China mantém sua porta aberta para empresas americanas que queiram investir e fazer negócios no país. Também defendeu que empresas chinesas sejam tratadas de forma justa nos Estados Unidos.

Comércio, terras raras e tecnologia estão entre os assuntos centrais da reunião. Taiwan também pode gerar divergências: segundo informações reunidas para a visita, Xi deve pressionar Trump a reduzir ou adiar vendas de armas à ilha.

Trump e Xi também falam de inteligência artificial

A inteligência artificial apareceu nos dois discursos. Trump afirmou que pretende discutir segurança, tecnologia e “superinteligência”. Xi disse que a IA deve estar “sempre sob controle humano”.

A tecnologia já aparece como um ponto sensível na relação entre Washington e Pequim, enquanto a disputa pela liderança em inteligência artificial ganhou peso econômico e estratégico.

Irã, Ucrânia e fentanil também estão entre os temas da agenda. Trump pode buscar maior cooperação chinesa nesses assuntos, enquanto Pequim deve defender interesses comerciais e maior acesso a tecnologias americanas.

O que acontece agora?

A visita de Xi começou na quarta-feira, 23, com a chegada a Washington. Nesta quinta, Trump e Melania Trump receberam Xi e Peng Liyuan na Casa Branca em uma cerimônia com 479 militares, execução dos hinos nacionais, revisão militar e sobrevoo de um B-2 Spirit e quatro F-22 Raptors.

À noite, os dois casais participam de um jantar de Estado. Entre os convidados esperados estão Tim Cook, Jensen Huang e Sam Altman.

Na sexta-feira, 25, Trump e Xi terão novos compromissos antes do encerramento da visita. Melania e Peng também terão uma programação paralela, incluindo uma visita ao Smithsonian National Museum of Asian Art. Melania Trump participou da recepção oficial desta quinta-feira.

A visita é a primeira de Estado de Xi aos Estados Unidos em mais de uma década e ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato. As votações de novembro adiciona um contexto político doméstico à agenda internacional de Trump.

Acompanhe tudo sobre:Estados Unidos (EUA)Donald TrumpXi Jinping

Mais de Mundo

Netanyahu convida Flávio Bolsonaro para visita em Israel

EUA apreendem sete domínios ligados a hackers chineses; entenda

Do combate ao apartheid ao Nobel da Paz de 2026: quem é Navi Pillay?

Quem são as 21 mulheres que já ganharam o Prêmio Nobel da Paz