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Armadilha de Tucídides: entenda a história grega que Xi citou para Trump

Metáfora aponta risco de duas potências entrarem em guerra quando uma delas está em expansão

Trump na China: líderes reportam boas relações e tentativa de superar os perigos da ascensão Chinesa com cooperação ao invés de rivalidade  (Brendan Smialowski/AFP)

Trump na China: líderes reportam boas relações e tentativa de superar os perigos da ascensão Chinesa com cooperação ao invés de rivalidade (Brendan Smialowski/AFP)

Publicado em 14 de maio de 2026 às 11h50.

Durante um banquete com o presidente americano, Donald Trump, em Pequim, o líder chinês Xi Jinping evocou uma analogia histórica para ilustrar a relação entre os dois países — a armadilha de Tucídides. 

O conceito, popularizado em 2012 pelo cientista político e professor de Harvard Graham Allison, leva o nome do historiador e general da Grécia Antiga Tucídides, e descreve a seguinte dinâmica: em um contexto com uma única potência hegemônica, a ascensão de outro poder provavelmente levará à guerra. Na época de Tucídides, a rivalidade em questão era entre o poder estabelecido de Esparta e a rápida evolução de Atenas, o que levou a uma série de guerras.

Segundo a interpretação, o medo de potências estabelecidas diante da consolidação de um novo poder equivalente leva às hostilidades. Hoje em dia, com os EUA sendo a principal superpotência global desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a ascensão da China pôs as potências em pé de rivalidade, à medida que competem por parceirias econômicas e influência.

"Podem a China e os Estados Unidos superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma para as relações entre grandes potências? Podemos enfrentar juntos os desafios globais e proporcionar maior estabilidade ao mundo? Podemos construir juntos um futuro brilhante para as nossas relações bilaterais, no interesse do bem-estar dos dois povos e do futuro da humanidade? Estas são questões vitais para a história, para o mundo e para os povos", disse Xi., durante o primeiro encontro entre os líderes na China em quase uma década.

Convite à cooperação

A interpretação chinesa, todavia, não vem como ameaça, mas como um convite à cooperação para que os países superem a temida armadilha — um mecanismo que resultou em diversos conflitos ao longo da história — a fim de estabelecer um novo parâmetro de aliança em vez de rivalidade.

Os dois líderes relatam conversas bem-sucedidas e amigáveis, com Trump chamando Xi de "amigo" e afirmando que enxerga "um futuro fantástico" nas relações entre os países.

"Você é um grande líder. Digo isso em todo o mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade", disse o americano para Xi, durante uma cúpula repleta de atos de hospitalidade e amizade, incluindo um banquete, uma cerimônia do chá e uma visita a monumentos históricos.

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