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Data center do Google: Brasil fica de fora do radar por enquanto (Google/Reprodução)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 12h52.
O Google Cloud anunciou que pretende dobrar sua infraestrutura de inteligência artificial agêntica no Brasil até 2030, ampliando capacidade de processamento, armazenamento e computação de alta performance. A empresa afirma que, por enquanto, não planeja novos data centers no país e aposta em infraestrutura de nuvem, GPUs, processamento local de dados e conectividade por cabos submarinos.
O Google Cloud anunciou nesta quinta-feira, 24, que pretende dobrar a infraestrutura para o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) agêntica no Brasil até 2030 — mas que, ao menos por enquanto, não vai apostar em data centers.
Em coletiva de imprensa durante o Google Cloud Summit Brasil, em São Paulo, da qual a EXAME participou, Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, afirmou que "todo investimento tem a ver com demanda".
"Nossa aposta de crescimento na demanda das empresas brasileiras é no uso corporativo da IA. Os data centers são importantes. Vamos duplicar nossa capacidade no Brasil", disse. "Como isso vai acontecer, é um serviço de demanda de mercado — e não tanto sobre data centers."
Nos próximos quatro anos, a empresa irá aumentar a capacidade local de processamento, armazenamento e computação de alta performance para IA.
Na prática, o anúncio se traduz em três frentes. A primeira é o processamento local de dados: a partir de 15 de outubro, a versão web do Gemini Enterprise, plataforma corporativa de agentes de IA da empresa, passa a processar dentro do Brasil os dados de clientes que usam o modelo Gemini 3.5 Flash — mudança que se soma ao armazenamento local já existente para fluxos de trabalho de agentes, e que busca atender exigências regulatórias e de soberania de dados no país.
O Google Cloud reforça que, em qualquer região, os dados e resultados dos clientes não são usados para treinar os modelos da empresa sem consentimento explícito.
De volta ao topo: como o Google virou o jogo na corrida da IAA segunda é o hardware: máquinas virtuais equipadas com GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition já estão disponíveis na região de nuvem de São Paulo, voltadas a cargas de trabalho de inferência pesada e em tempo real.
A terceira, segundo López, são os cabos submarinos, que ele apresentou como prioridade tão importante quanto os próprios data centers. "Quando vocês falam de infraestrutura, quando vocês falam de soluções, são duas variáveis muito importantes: os data centers e a conectividade. A conectividade é muito importante", disse. "Nós vamos às duas coisas sempre."
O detalhe técnico por trás dessa escolha, segundo López, é que a localização de um data center do Google costuma seguir a rota dos cabos submarinos da empresa, e não o contrário — o que ajuda a explicar por que a companhia tem historicamente concentrado seus investimentos em cabos que ligam o Brasil aos Estados Unidos via São Paulo, e não em novas cidades. "Não usamos nossos cabos para começar os data centers; temos um problema de latência se estiver fora da região", afirmou.
Questionado sobre o que torna o Brasil um destino tão relevante para a empresa, o presidente global do Google Cloud, Thomas Kurian, disse que os investimentos "são um reflexo de uma resposta à demanda dos nossos clientes" e da "evolução do mercado" brasileiro, um dos mais relevantes da América Latina em adoção tecnológica.
Para Milton Larsen Burgese, diretor do Setor Público do Google Cloud para a América Latina, o "jeitinho brasileiro" tem a ver com a decisão.
"O brasileiro adora tecnologia, então eu acho que é uma somatória de fatores que estão acontecendo que levam o Brasil a passar especial em relação a esses investimentos", disse.
Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina (Tamires Vitorio/Exame)
A América Latina é hoje a segunda região que mais cresce para o Google Cloud no mundo, com o Brasil como o país mais importante dentro dela.
Para López, a educação é a parte central dessa estratégia. A empresa já treinou 3 milhões de brasileiros em tecnologias de nuvem e IA — meta que havia começado em 1 milhão e foi ampliada em junho —, em parceria com 140 universidades no país.
Questionado se o investimento anunciado deve resultar em um novo cabo submarino chegando a Fortaleza, hoje um dos principais hubs de conectividade do país ao lado de Salvador, Rio de Janeiro e Santos, López não confirmou nem descartou a possibilidade — e reafirmou que decisões desse tipo costumam ser tomadas em nível global pela empresa, considerando a proximidade com data centers existentes — a maioria deles, hoje, próxima a São Paulo.
O anúncio chega num momento de forte expansão do setor de data centers no Brasil como um todo: o país recebeu 106 megawatts de nova capacidade só no primeiro semestre de 2026 e pode somar mais 134 megawatts até dezembro, segundo o relatório Data Center Brasil 2026, da consultoria JLL, que projeta cerca de US$ 8 bilhões em investimentos no setor neste ano.
Hoje, o Google opera 30 data centers ativos em 11 países, além de outras unidades em fase de construção, segundo o próprio mapa da empresa. A maior concentração está na América do Norte, principalmente nos Estados Unidos, seguida pela Europa, com unidades em países como Irlanda, Holanda, Alemanha, Finlândia e Bélgica, e pela Ásia, com data centers no Japão, em Taiwan e em Cingapura.
Na América do Sul, porém, a empresa opera apenas duas unidades: uma no Uruguai, em Canelones, e outra no Chile, em Quilicura, perto de Santiago.
Por enquanto, não. Segundo Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, a empresa pretende aumentar a capacidade de infraestrutura de IA no Brasil sem anunciar novos data centers. O foco será ampliar processamento, armazenamento e computação de alta performance conforme a demanda dos clientes.
A expansão será feita em três frentes principais: processamento local de dados, oferta de máquinas virtuais com GPUs avançadas e ampliação da conectividade por cabos submarinos. A empresa afirma que a capacidade brasileira de computação será ampliada nos próximos quatro anos.
A partir de 15 de outubro, clientes brasileiros do Gemini Enterprise poderão processar dentro do Brasil dados usados pelo modelo Gemini 3.5 Flash. Segundo o Google, a mudança busca atender demandas de regulamentação e soberania de dados.
O Google Cloud afirma que dados e resultados dos clientes não são usados para treinar seus modelos de inteligência artificial sem consentimento explícito.
A região de nuvem de São Paulo passou a oferecer máquinas virtuais equipadas com GPUs Nvidia RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition, voltadas a tarefas de inteligência artificial com alta demanda de processamento e baixa latência.
Segundo Eduardo López, conectividade é tão importante quanto data centers porque influencia a latência das aplicações. O Google costuma definir a localização de seus data centers considerando a proximidade de suas rotas de cabos submarinos.
Segundo a empresa, a América Latina é uma das regiões que mais crescem para o Google Cloud no mundo, e o Brasil é o principal mercado dentro da região. O país também concentra iniciativas de formação em tecnologia, com 3 milhões de brasileiros treinados em nuvem e IA em parceria com 140 universidades.
Eduardo López não confirmou nem descartou a possibilidade. Segundo ele, decisões sobre novos cabos são tomadas globalmente pela empresa e costumam considerar a proximidade com os data centers existentes, hoje concentrados principalmente próximos a São Paulo.
O Google opera dois data centers na América do Sul: um em Canelones, no Uruguai, e outro em Quilicura, próximo a Santiago, no Chile. A empresa ainda não possui um data center próprio no Brasil.