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Trump critica imigrantes, questiona mudanças climáticas e diz que merecia Nobel da Paz na ONU

Presidente americano ainda fez queixas contra a ONU, mas depois disse estar '100%' com a entidade

Donald Trump, presidente dos EUA, durante discurso na Assembleia Geral da ONU (Lia Rizzo/Exame)

Donald Trump, presidente dos EUA, durante discurso na Assembleia Geral da ONU (Lia Rizzo/Exame)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 23 de setembro de 2025 às 13h45.

Última atualização em 23 de setembro de 2025 às 17h07.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso longo, de mais de uma hora, na tribuna da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, 22. Para o Brasil, o maior destaque foi o anúncio da primeira conversa dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além disso, Trump citou diversos outros temas, como imigração, mudanças climáticas e o papel da própria ONU. Veja os principais pontos a seguir:

Críticas à ONU

No começo do discurso, Trump reclamou que seu teleprompter estava quebrado. O equipamento foi consertado, mas ele voltou ao tema logo depois, para usar a situação como exemplo de que a ONU vai mal.

"A ONU me deu foi uma escada rolante que parou no meio da subida. Se a primeira-dama não estivesse em boa forma, ela podia ter caído. Mas ela está em boa forma. Nós dois estamos", disse.

"Eu terminei sete guerras, e não recebi nenhuma ligação da ONU. Só o que me deram foi uma escada rolante ruim e um teleprompter ruim. Muito obrigado", afirmou.

"A ONU tem um potencial tremendo, mas não está nem perto de atingir esse potencial na maior parte do tempo. Pelo menos por enquanto, tudo o que eles parecem fazer é escrever uma carta com palavras muito fortes e nunca dar seguimento. São palavras vazias, e palavras vazias não resolvem guerras. A única coisa que resolve guerras e guerras é a ação", afirmou.

Nobel da paz

No discurso, Trump ressaltou ter resolvido sete guerras desde o começo do mandato e que poderia receber um Prêmio Nobel da Paz por isso.

"Agora, após acabar com todas essas guerras, e também antes, ao negociar os Acordos de Abraão, que é algo muito importante pelo qual nosso país não recebeu nenhum crédito, todos dizem que eu deveria receber o Prêmio Nobel da Paz por cada uma dessas conquistas", afirmou.

Os Acordos de Abraão foram firmados em 2020, para aproximar Israel de outros países do Oriente Médio.

"Para mim, o verdadeiro prêmio serão os filhos e filhas que viverão para crescer com as mães e os pais, porque milhões de pessoas não estão mais sendo mortas em guerras intermináveis ​​e gloriosas. A única coisa que me importa não é ganhar prêmios, é salvar vidas", disse Trump.

Ataques a imigrantes

Trump usou a tribuna da ONU para destacar suas ações contra a imigração irregular e disse ter zerado as entradas ilegais pela fronteira com o México.

"Se você vier ilegalmente para os EUA, será preso, mandado de volta para onde veio, ou algo pior", disse.

O americano disse ainda que os países europeus estão "indo para o inferno" por causa da imigração irregular, e afirmou que a ONU contribui para esta "invasão".

"É hora de pôr fim à experiência fracassada das fronteiras abertas", disse Trump na Assembleia Geral da ONU, para depois acrescentar: "seus países estão indo para o inferno".

Rússia e Palestina

Trump exigiu ainda que os países europeus parem imediatamente de comprar petróleo da Rússia e acusou China e Índia de financiarem a guerra na Ucrânia com esse negócio.

"Devem interromper imediatamente todas as compras de energia da Rússia. Caso contrário, estaremos todos perdendo muito tempo", disse.

Sobre Gaza, ele disse que reconhecer o direito da Palestina a um Estado seria uma recompensa ao Hamas, grupo terrorista que atacou Israel e controla a região.

"Isso seria uma recompensa pelas atrocidades horríveis cometidas (pelo Hamas), incluindo as de 7 de outubro, enquanto se recusam a libertar os reféns ou aceitar um cessar-fogo", disse.

Mudanças climáticas

O líder americano fez também ataques ao combate às mudanças climáticas.

"A mudança climática é, na minha opinião, o maior golpe já perpetrado no mundo", declarou, e acrescentou que "a pegada de carbono é uma farsa inventada por pessoas com más intenções".

"Na minha opinião, não importa o que aconteça, não haverá mais aquecimento global, não haverá mais resfriamento global, todas essas previsões feitas pelas Nações Unidas e muitos outros, muitas vezes por motivos equivocados, estavam erradas. Foram feitas por pessoas estúpidas que custaram fortunas aos seus países e não deram a esses mesmos países nenhuma chance de sucesso. Se você não se livrar dessa farsa verde, seu país vai fracassar", afirmou.

Com AFP.

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