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Zelensky diz que eleições na Ucrânia ocorrerão apenas com 'um cessar-fogo'

Se a Rússia estiver de acordo, poderia ser possível 'pôr fim às hostilidades até o verão', afirmou o presidente.

Eleições na Ucrânia: sob críticas de Donald Trump, Zelensky afirma desde dezembro que a realização de uma eleição presidencial apenas será possível ao fim da guerra com a Rússia (Andrew Harnik/Getty Images)

Eleições na Ucrânia: sob críticas de Donald Trump, Zelensky afirma desde dezembro que a realização de uma eleição presidencial apenas será possível ao fim da guerra com a Rússia (Andrew Harnik/Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 16h40.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou nesta quarta-feira, 11, que Ucrânia só realizará eleições quando obtiver "garantias de segurança" e "um cessar-fogo" com a Rússia.

"Passaremos às eleições quando houver todas as garantias de segurança necessárias", disse Zelensky a jornalistas em uma coletiva de imprensa on-line. "É muito simples de fazer: instaurar um cessar-fogo e haverá eleições."

Se a Rússia estiver de acordo, poderia ser possível "pôr fim às hostilidades até o verão", afirmou o presidente.

Pressão dos Estados Unidos

A declaração do ucraniano ocorreu após a publicação de uma reportagem do jornal Financial Times, que afirma que Kiev considera realizar eleições presidenciais e um referendo sobre um potencial acordo de paz com a Rússia antes de meados de maio, sob pressão dos Estados Unidos.

Zelensky disse que Washington não havia ameaçado deixar de garantir sua segurança caso a Ucrânia se recusasse a convocar eleições.

"No que diz respeito à ameaça de retirar suas garantias de segurança, não, eles (os americanos) não ameaçam retirar suas garantias de segurança. Além disso, não condicionam as eleições às garantias de segurança", detalhou.

Em dezembro do ano passado, o tom era diferente. O presidente ucraniano disse no dia 9 que estava “pronto” para realizar eleições no país.

“Estou pronto para as eleições”, disse Zelensky a jornalistas. Segundo ele, foi solicitado que sejam preparadas “propostas sobre a possibilidade de modificar os fundamentos legislativos e a lei sobre eleições durante a lei marcial”.

O pronunciamento havia sido feito após críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à ausência de pleito desde o início da guerra com a Rússia.

“Eles estão usando a guerra para não realizar eleições, mas acho que o povo ucraniano deveria ter essa opção”, afirmou Trump. “Falam de democracia, mas chega um ponto em que já não é uma democracia."

O americano também reiterou em dezembro críticas a Zelensky por, segundo ele, resistir às condições para um acordo de paz com a Rússia. O presidente dos EUA voltou a afirmar que o líder ucraniano não teria lido o plano americano para pôr fim ao conflito. “Talvez ele tenha lido durante a noite. Seria bom que ele lesse. Muitas pessoas estão morrendo”, disse.

Lei marcial na Ucrânia

No país, eleições não ocorrem desde 2019, quando Zelensky foi eleito. De acordo com a legislação eleitoral ucraniana, o mandato do presidente seria finalizado em 2024, mas isso não ocorreu. Desde que a lei marcial foi decretada em 2022, no início da invasão russa na Ucrânia, as eleições presidenciais estão suspensas.

Ainda nesta quarta-feira, uma alta autoridade ucraniana afirmou à agência AFP que a Ucrânia só realizará eleições quando a situação de segurança permitir.

"Por enquanto, o terror russo continua e nada indica que a Rússia esteja interessada em pôr fim à guerra", disse o funcionário, que pediu para manter o anonimato.

Possibilidade de um referendo sobre a paz

Um importante deputado do partido presidencial também declarou nesta quarta-feira à AFP que há consenso político sobre o fato de que "nem um referendo nem eleições podem ser realizados sob a lei marcial", instaurada desde o início da invasão russa há quase quatro anos.

"A ideia de organizar um referendo para permitir ao povo expressar sua opinião sobre um possível acordo de paz não é nova" e foi abordada durante as recentes negociações com os russos em Abu Dhabi, sob mediação americana, detalhou.

Esse projeto conta com o apoio de um dos negociadores, o chefe do grupo parlamentar do partido presidencial, David Arajamia, acrescentou o deputado entrevistado pela AFP.

"Mas mencionar datas não só é prematuro, é pura fantasia", afirmou.

Com informações da AFP

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