Trump sobre o Irã: presidente ainda indicou que pode não estender o cessar-fogo em vigor, previsto para terminar na próxima semana, caso não haja avanço nas negociações (Tom Williams / Colaborador/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 18 de abril de 2026 às 11h46.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 18, que o Irã não pode "chantagear" os Estados Unidos com ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, em meio à nova escalada de tensões na região.
Mais cedo, após anunciar na sexta-feira, 16, a reabertura total da rota estratégica para o escoamento do petróleo mundial, autoridades iranianas recuaram e voltaram a impor “controle rigoroso” sobre o Estreito enquanto os EUA mantiverem o bloqueio naval contra o país. Segundo comunicado militar, a via estratégica “está sob gestão e controle rigorosos” das forças do país.
Horas depois do anúncio, lanchas rápidas da Guarda Revolucionária do Irã abriram fogo contra um petroleiro que transitava pelo Estreito de Ormuz, segundo informou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
Durante um evento na Casa Branca, Trump disse que Teerã tenta usar o fechamento da rota marítima como instrumento de pressão, mas que Washington mantém uma postura firme. "Eles queriam fechar o estreito de novo, como vêm fazendo há anos, mas não podem nos chantagear", afirmou.
Apesar do tom duro, o presidente destacou que as conversas com o Irã continuam e classificou os diálogos como “muito positivos”. Segundo o republicano, um acordo pode estar próximo, embora tenha ressaltado que os EUA não cederão a pressões.
Trump também reiterou que o bloqueio naval imposto aos portos iranianos será mantido, mesmo após anúncios contraditórios de Teerã sobre a abertura ou fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
O presidente ainda indicou que pode não estender o cessar-fogo em vigor, previsto para terminar na próxima semana, caso não haja avanço nas negociações, e voltou a mencionar a possibilidade de retomada de ações militares.
Além dos episódios militares e das decisões sobre o controle da via marítima estratégica, Teerã ainda não aceitou, por ora, uma nova rodada de negociações com Washington.
Segundo a agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária e citando uma fonte iraniana, o motivo é que a segunda maior nação do Oriente Médio classifica as exigências dos EUA como "excessivas" e contesta também a manutenção do bloqueio naval americano contra portos iranianos.
A fonte afirmou que o Irã considera a ausência dessas exigências uma condição essencial para seguir com qualquer diálogo, e disse que o país não pretende "perder tempo em conversas prolongadas e infrutíferas".