Ciência

James Webb flagra planeta com 'céu limpo' de um lado e nuvens do outro

Observações do telescópio James Webb revelaram diferenças atmosféricas extremas em um 'Júpiter Quente' localizado a 700 anos-luz da Terra

James Webb: observações revelaram atmosfera desigual em exoplaneta gigante gasoso (Hannah Robbins/JHU)

James Webb: observações revelaram atmosfera desigual em exoplaneta gigante gasoso (Hannah Robbins/JHU)

Publicado em 26 de maio de 2026 às 10h11.

Astrônomos usaram o Telescópio Espacial James Webb para identificar diferenças extremas entre regiões atmosféricas do exoplaneta WASP-94A b, um gigante gasoso localizado a cerca de 700 anos-luz da Terra. As observações mostraram que o planeta apresenta áreas cobertas por nuvens minerais e outras marcadas por atmosfera mais quente e aparentemente limpa.

A descoberta foi liderada pelos pesquisadores Sagnick Mukherjee e David Sing, da Johns Hopkins University, e publicada na revista científica Science.

O que é o planeta WASP-94A b?

WASP-94A b pertence à categoria dos chamados “Júpiteres Quentes”, planetas gigantes gasosos semelhantes a Júpiter, mas que orbitam extremamente próximos de suas estrelas.

Por causa dessa proximidade, as temperaturas no lado iluminado ultrapassam 1.000 °C.

Segundo os astrônomos, o planeta também é gravitacionalmente travado, o que significa que sempre mantém a mesma face voltada para sua estrela — situação semelhante à da Lua em relação à Terra. Isso faz com que determinadas regiões permaneçam continuamente expostas à luz intensa, enquanto outras ficam em escuridão permanente.

Webb detecta lados opostos na atmosfera

Utilizando o Telescópio Espacial James Webb, os pesquisadores conseguiram analisar separadamente os dois lados visíveis da atmosfera durante o trânsito do planeta em frente à estrela. Quando a luz da estrela atravessa a atmosfera do exoplaneta, ela carrega assinaturas químicas que ajudam cientistas a identificar gases, temperaturas e presença de nuvens.

As observações revelaram diferenças importantes entre as regiões atmosféricas do “amanhecer” e do “entardecer”. No lado que entra na região iluminada, os cientistas identificaram temperaturas mais baixas e nuvens ricas em minerais, capazes de esconder parte das assinaturas químicas dos gases.

Já o lado que deixa a região iluminada em direção à noite apresentou temperaturas muito mais altas e uma atmosfera aparentemente mais limpa, com forte presença de vapor d’água.

Segundo os pesquisadores, a diferença térmica entre os lados diurno e noturno do planeta pode chegar a cerca de 450 °C. Os cientistas acreditam que essas mudanças sejam resultado da circulação intensa de gases entre as regiões permanentemente iluminadas e escuras do exoplaneta.

Estudo pode mudar análise de exoplanetas

Os autores afirmam que a descoberta indica que atmosferas de exoplanetas não podem mais ser tratadas como estruturas homogêneas. Segundo os pesquisadores, diferenças atmosféricas extremas podem alterar significativamente interpretações sobre composição química, temperatura e formação desses mundos.

O estudo também reforça o potencial do James Webb para investigar exoplanetas muito diferentes dos encontrados no Sistema Solar e ampliar o entendimento sobre a diversidade de planetas existentes na galáxia.

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