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Irã dispara contra petroleiro no Estreito de Ormuz, diz marinha britânica

Ataque aconteceu horas depois de o Irã anunciar o fechamento novamente do Estreito, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos

Estreito de Ormuz: rota de escoamento de 20% da produção global de petróleo foi novamente fechada neste sábado, 18, em resposta ao bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos (AFP/Getty Images)

Estreito de Ormuz: rota de escoamento de 20% da produção global de petróleo foi novamente fechada neste sábado, 18, em resposta ao bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos (AFP/Getty Images)

Publicado em 18 de abril de 2026 às 09h16.

Lanchas rápidas da Guarda Revolucionária do Irã abriram fogo neste sábado, 18, contra um petroleiro que transitava pelo Estreito de Ormuz, segundo informou o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

O órgão britânico afirmou que o navio foi interceptado a cerca de 37 quilômetros a nordeste de Omã por duas embarcações iranianas, sem aviso prévio por rádio. A tripulação está a salvo, mas a nacionalidade do petroleiro e seu destino não foram divulgados, de acordo com a AFP.

Irã volta a fechar Estreito de Ormuz

O ataque aconteceu horas depois de o Irã anunciar o fechamento novamente do Estreito, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos.

A decisão de Teerã reverte a sinalização feita na véspera de que a rota estaria aberta durante um cessar-fogo regional. Segundo a mídia estatal iraniana e autoridades militares, o estreito, uma das principais vias para o comércio global de petróleo, voltou a operar sob controle rigoroso das Forças Armadas, com restrições à passagem de embarcações.

Autoridades iranianas destacaram que a decisão pelo fechamento foi uma resposta ao bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos. De acordo com um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, o tráfego seguirá limitado enquanto Washington não suspender as restrições. “Essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, afirmou.

Trump adota tom otimista, apesar da escala

Apesar da escalada, Trump adotou um tom otimista. Em declaração a repórteres a bordo do Air Force One, o presidente disse que recebeu sinais positivos sobre as tratativas com o Irã. “Tivemos notícias muito boas há 20 minutos, e parece que as coisas estão indo muito bem no Oriente Médio”, afirmou, acrescentando que as negociações continuam ao longo do fim de semana.

As conversas, mediadas pelo Paquistão, ainda não resultaram em acordo. Um dos principais impasses envolve o destino do material do programa nuclear iraniano. Trump disse que os EUA pretendem recuperar “100%” desse material, mas apenas após a assinatura de um acordo formal.

Cessar-fogo encerra na próxima semana

Enquanto isso, o cenário no estreito permanece confuso. Na sexta-feira, autoridades iranianas chegaram a afirmar que a passagem estava liberada, embora condicionada a rotas coordenadas. Poucas horas depois, surgiram relatos de navios que tentaram cruzar a hidrovia, mas recuaram sem autorização.

O impasse também reflete divergências públicas entre Washington e Teerã. Trump chegou a declarar que o estreito estava “totalmente aberto e pronto para negócios”, enquanto autoridades iranianas contestaram a afirmação e condicionaram qualquer abertura ao fim das sanções e do bloqueio naval.

O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo, e sua interrupção representa um risco direto ao abastecimento global. Nas últimas semanas, a instabilidade na região já provocou forte volatilidade nos preços da commodity, evidenciando o peso estratégico da rota no mercado internacional de energia.

Mesmo com um cessar-fogo temporário em vigor em parte da região, Trump sinalizou que pode não estender a trégua e indicou a possibilidade de retomada das operações militares caso não haja avanço nas negociações. “Talvez eu não o estenda (...), e infelizmente teremos que começar a lançar bombas novamente”, disse.

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