Governo dos EUA: Trump assinou neste sábado, 18, uma ordem executiva que busca destravar a pesquisa e ampliar o acesso a substâncias psicodélicas, especialmente no tratamento de transtornos como o estresse pós-traumático (TEPT) (Heather Diehl/Getty Images)
Publicado em 18 de abril de 2026 às 12h33.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou neste sábado, 18, uma ordem executiva que busca destravar a pesquisa e ampliar o acesso a substâncias psicodélicas, especialmente no tratamento de transtornos como o estresse pós-traumático (TEPT).
A medida mira, em particular, o uso da ibogaína, um composto alucinógeno ainda proibido no país, e sinaliza uma mudança de postura do governo em relação a terapias alternativas.
Ao anunciar a decisão, Trump afirmou que a iniciativa pretende oferecer uma nova chance a pacientes que enfrentam quadros severos e resistentes aos tratamentos convencionais. "A ordem de hoje garantirá que as pessoas que sofrem de sintomas debilitantes finalmente tenham a chance de recuperar suas vidas e levar uma vida mais feliz", disse Trump em uma cerimônia no Salão Oval no sábado.
A ordem determina que a agência reguladora americana (FDA) elabore orientações específicas para estudos clínicos com a ibogaína, substância derivada de uma planta africana e já utilizada, fora dos Estados Unidos, em terapias contra depressão, ansiedade e TEPT, sobretudo entre veteranos de guerra.
Apesar do avanço, o decreto não altera imediatamente o enquadramento legal da droga, que segue classificada como substância de alto risco e sem uso médico reconhecido nos EUA. Ainda assim, Trump fez um apelo público para que autoridades de saúde acelerem sua reclassificação, abrindo caminho para eventual adoção clínica.
A medida também prevê um investimento federal de US$ 50 milhões em pesquisas com a ibogaína e amplia o uso compassivo da substância para pacientes em estado grave ou terminal, com base na chamada lei do “Direito de Tentar”, sancionada durante o primeiro mandato do republicano.
Embora estudos preliminares indiquem que a ibogaína pode ajudar a reduzir sintomas de abstinência de opioides e até auxiliar em casos de lesões cerebrais traumáticas, a base científica ainda é considerada limitada. Além disso, especialistas alertam para riscos relevantes, especialmente complicações cardíacas associadas ao uso da substância.
O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que há anos defende o potencial terapêutico dos psicodélicos, afirmou que a decisão busca eliminar barreiras regulatórias que dificultam o avanço científico. Segundo ele, é problemático que veteranos americanos precisem viajar para países como o México em busca desse tipo de tratamento.
A iniciativa federal acompanha um movimento que já ganha tração em nível estadual. O Texas, por exemplo, aprovou recentemente um pacote de US$ 50 milhões para financiar ensaios clínicos com ibogaína voltados ao tratamento de dependência química e TEPT.
Outros estados, como Arizona e Colorado, também avançam em políticas que ampliam o estudo e, em alguns casos, o uso supervisionado de substâncias psicodélicas.
A decisão de Trump marca uma inflexão em relação à gestão anterior. Sob o governo de Joe Biden, a FDA rejeitou a aprovação do MDMA para tratamento de TEPT, apontando fragilidades metodológicas nos estudos disponíveis. Agora, a nova administração sinaliza maior abertura à incorporação dessas terapias ao sistema de saúde, em linha com uma tendência internacional.
Nos últimos anos, o interesse científico e clínico pelos psicodélicos cresceu, impulsionado por pesquisas que sugerem benefícios em condições psiquiátricas complexas. Países como a Austrália já deram passos mais concretos: tornou-se o primeiro a regulamentar o uso de MDMA em tratamentos controlados para TEPT, com resultados iniciais considerados promissores.
(*) Com informações da Bloomberg