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Irã volta a fechar Estreito de Ormuz, enquanto Trump diz ver avanço com Teerã

O movimento neste sábado, 18, ocorre em resposta à manutenção do bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos

Estreito de Ormuz: decisão de Teerã reverte a sinalização feita na véspera de que a rota estaria aberta durante um cessar-fogo regional (Sahar AL ATTAR / AFP/Getty Images)

Estreito de Ormuz: decisão de Teerã reverte a sinalização feita na véspera de que a rota estaria aberta durante um cessar-fogo regional (Sahar AL ATTAR / AFP/Getty Images)

Publicado em 18 de abril de 2026 às 08h26.

O Irã voltou a restringir o tráfego no Estreito de Ormuz neste sábado, 18, elevando novamente as tensões no Oriente Médio, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter recebido “boas notícias” sobre o avanço das negociações entre os dois países.

A decisão de Teerã reverte a sinalização feita na véspera de que a rota estaria aberta durante um cessar-fogo regional. Segundo a mídia estatal iraniana e autoridades militares, o estreito, uma das principais vias para o comércio global de petróleo, voltou a operar sob controle rigoroso das Forças Armadas, com restrições à passagem de embarcações.

O movimento ocorre em resposta à manutenção do bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos. De acordo com um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, o tráfego seguirá limitado enquanto Washington não suspender as restrições. “Essa via marítima estratégica está sob gestão e controle rigorosos das Forças Armadas”, afirmou.

Trump adota tom otimista, apesar da escala

Apesar da escalada, Trump adotou um tom otimista. Em declaração a repórteres a bordo do Air Force One, o presidente disse que recebeu sinais positivos sobre as tratativas com o Irã. “Tivemos notícias muito boas há 20 minutos, e parece que as coisas estão indo muito bem no Oriente Médio”, afirmou, acrescentando que as negociações continuam ao longo do fim de semana.

As conversas, mediadas pelo Paquistão, ainda não resultaram em acordo. Um dos principais impasses envolve o destino do material do programa nuclear iraniano. Trump disse que os EUA pretendem recuperar “100%” desse material, mas apenas após a assinatura de um acordo formal.

Cessar-fogo encerra na próxima semana

Enquanto isso, o cenário no estreito permanece confuso. Na sexta-feira, autoridades iranianas chegaram a afirmar que a passagem estava liberada, embora condicionada a rotas coordenadas. Poucas horas depois, surgiram relatos de navios que tentaram cruzar a hidrovia, mas recuaram sem autorização.

O impasse também reflete divergências públicas entre Washington e Teerã. Trump chegou a declarar que o estreito estava “totalmente aberto e pronto para negócios”, enquanto autoridades iranianas contestaram a afirmação e condicionaram qualquer abertura ao fim das sanções e do bloqueio naval.

O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo, e sua interrupção representa um risco direto ao abastecimento global. Nas últimas semanas, a instabilidade na região já provocou forte volatilidade nos preços da commodity, evidenciando o peso estratégico da rota no mercado internacional de energia.

Mesmo com um cessar-fogo temporário em vigor em parte da região, Trump sinalizou que pode não estender a trégua e indicou a possibilidade de retomada das operações militares caso não haja avanço nas negociações. “Talvez eu não o estenda (...), e infelizmente teremos que começar a lançar bombas novamente”, disse.

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