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Quer viajar para a Argentina? Peso tem maior desvalorização da história

A entrada de brasileiros na Argentina voltou a ser autorizada em 1º de outubro, desde que cumpridas algumas condições, como apresentação de vacinação completa

Viajar para a Argentina pode ficar cada vez mais barato — mesmo com o real brasileiro desvalorizado.

O dólar americano tem sido negociado em patamares recordes nas últimas semanas em relação ao peso argentino, o que apesar do caos econômico no país vizinho, pode ser boa notícia para os viajantes que desejam aproveitar a reabertura das fronteiras neste mês.

Nesta quarta-feira, 27, o dólar chegou a cotação de 197 pesos argentinos na venda à tarde no mercado paralelo, cotação conhecida como "blue". É o maior valor já registrado, segundo histórico do site especializado "El Cronista".

A cotação do dólar na Argentina apresentava alta de 0,51% por volta das 15h. O recorde anterior era de ontem, quando a moeda no mercado paralelo já havia ficado na casa dos 196 pesos.

Enquanto isso, o dólar "mayorista", que o Banco Central usa como referência para grandes empresas e operações, está muito menor, em cerca de 99 pesos. Assim, a diferença de valor entre a cotação do Banco Central e a cotação "blue" chega a quase 100%, sinal sempre visto como má notícia na economia argentina.

Em meio à "briga por dólares" no país, o setor de turismo argentino espera voltar a atrair brasileiros, que levam a moeda americana para trocar no país por pesos e movimentam também o comércio. A entrada de viajantes vindos do Brasil voltou a ser autorizada em 1º de outubro (veja as regras abaixo).

Com a economia argentina altamente dolarizada, as compras de vários serviços e produtos, sobretudo os mais caros, também são feitas diretamente em dólar, e não em peso.

Para os brasileiros, não significa que a viagem será necessariamente barata, uma vez que o dólar comercial no Brasil está cotado acima dos 5,50 reais (e perto dos 6 reais na compra do dólar turismo em algumas modalidades). O preço das passagens aéreas, que tem voltado a subir com a retomada econômica e a alta dos combustíveis, também pode ser um empecilho.

Mas com a desvalorização ainda mais acelerada do peso, ter dólares em território dos hermanos pode garantir uma viagem mais barata do que a países como os Estados Unidos e europeus.

(Os EUA, por sua vez, também liberaram a entrada de brasileiros a partir de 8 de novembro, incluindo na autorização todas as vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde.)

Em parte pelo dólar alto - além da crise econômica interna e os sinais negativos do mercado internacional -, a Argentina vive ainda um cenário de inflação acima dos 50%, o que acarretou em uma política de congelamento de preços anunciada pelo governo Alberto Fernández. Nas últimas semanas, mais de 1.400 itens tiveram os preços congelados.

No último dado divulgado, referente a setembro, o principal índice de preços do país chegou a 52,5% em 12 meses, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos.

Requisitos para brasileiros

Com a reabertura e avanço da vacinação, a entrada de brasileiros na Argentina voltou a ser autorizada desde 1º de outubro. Algumas condições foram estabelecidas, como apresentação de vacinação completa.

Veja as regras: 

  • Vacinação completa contra a covid-19 (duas doses ou uma dose da vacina da Johnson & Johnson) e apresentação de comprovante;
  • A vacinação tem de ter sido completada há mais de 14 dias;
  • A quarentena não é necessária para quem tem vacinação completa, desde que assinado um termo de compromisso;
  • Quem não se vacinou completamente precisa cumprir uma quarentena de 7 dias, independentemente da idade;
  • Todos os estrangeiros ou não residentes têm de apresentar teste RT-PCR negativo realizado 72 horas antes do embarque;
  • Um outro teste é exigido entre o 5º e 7º dia de permanência no país.

A reabertura das fronteiras a estrangeiros, para além do Brasil, também vale para viajantes vindos de outros países sul-americanos que fazem fronteira com o território argentino.

Antes da pandemia, a Argentina recebia cerca de 1,4 milhão de brasileiros por ano, e o Brasil, quase 2 milhões de argentinos.

Inflação

A situação cambial na Argentina piora devido a uma dívida de 45 bilhões de dólares contraída junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) na gestão do ex-presidente Mauricio Macri. Outra dívida, com credores internacionais, foi negociada no ano passado para condições mais favoráveis, e o governo argentino tenta agora uma negociação com o FMI.

O cenário de câmbio instável também tem feito o preço do bitcoin disparar na Argentina. Já cresce no mercado de ações local a procura por opções de listagem atrelada a criptomoedas, e um projeto de lei chegou a ser apresentado no Congresso sugerindo o pagamento de salários em criptomoedas.

O principal caso de uso de bitcoins vem de El Salvador. O governo de Nayib Bukele - presidente que deu um golpe destituindo a Suprema Corte do país - instituiu uma carteira digital com bitcoin como moeda de curso legal, usada em supermercados e postos de gasolina, para conter a instabilidade monetária.

Além da Argentina, que vivia o trauma da inflação mesmo antes da pandemia, outros países latino-americanos vêm sofrendo com o aumento de preços e o cenário internacional. O governo do Equador, do ex-banqueiro recém-eleito Guillermo Lasso, também anunciou congelamento de preços, como o da gasolina.

Lasso foi eleito prometendo reformas liberais e menor interferência do Estado na economia. O país vive ainda uma onda de violência.

A inflação também voltou a ser um problema no Brasil, com a alta do IPCA superando os 10% no acumulado de 12 meses e a taxa de juros, a Selic, podendo terminar o ano também perto de 10%.

Apesar disso, o Brasil tem situação mais estável que a Argentina devido à estabilidade maior. Em entrevista anterior à EXAME, ao falar sobre a situação dos países emergentes em meio à inflação internacional, o economista André Biancarelli, diretor do Instituto de Economia da Unicamp, afirmou que o Brasil se encontra em situação mais estável do que em crises passadas - apesar da inflação em 10% - por ter reservas internacionais e não ter mais dívida com o FMI.

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