Copa do Mundo FIFA 2026 vê preços elevados de ingressos que frustram fãs pelo mundo (Divulgação/Adidas)
Repórter
Publicado em 9 de maio de 2026 às 08h30.
A segunda leva de ingressos para jogos da Copa do Mundo FIFA desse ano, lançada pela própria organização, tem cifras de US$ 3.000 (cerca de 14.800 reais) a até US$ 10 mil (49.400 reais). Os preços elevados estão fora do alcance de muitos fãs de futebol pelo mundo, inclusive nos países anfitriões – Canadá, México e EUA.
Os preços para a final batem os US$ 10.990 por ingresso (54.260 reais), vendidos diretamente pela FIFA. O preço de revenda para a final varia de US$ 11 mil (R$ 54.300) a US$ 3 milhões (mais de R$ 14 milhões). Por mais que a organização não controle diretamente o preço de revenda dos ingressos, ainda assim recebe 15% do valor tanto do revendedor quanto do comprador, para uma cifra final de 30% do valor da revenda oficial.
Na última edição do campeonato, em 2022 no Catar, o ingresso mais caro para a final tinha um preço nominal de "apenas" US$ 1.600 (R$ 7.900) em comparação.
Os números estonteantes são sentidos particularmente no México, que vai fazer história mês que vem ao se tornar o primeiro país anfitrião de três copas – 1970, 1986 e 2026 – mas cuja realidade econômica da maioria dos moradores faz com que os ingressos estejam fora do alcance.
“Considerando a realidade econômica do México, apenas aqueles que têm mais recursos conseguirão entrar”, disse o cidadão Francisco Javier Ferreira, de 70 anos, que foi nos jogos das duas outras copas, em conversa com a CNN. “Não parece a mesma coisa que as duas Copas do Mundo anteriores. Esta Copa do Mundo pertence, basicamente, aos Estados Unidos. Não tem a cara do México. É assim que me sinto, porque até os preços dos ingressos estão fora do alcance de todos.”
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu os altos preços, insistindo que a organização foi, de um ponto de vista econômico, basicamente obrigada a tirar proveito das leis americanas que permitem a revenda de ingressos na casa dos milhares de dólares acima do valor nominal. Em uma fala dessa terça, 5, durante a Conferência Global do Milken Institute, um think tank de economia sediado na Califórnia, Infantino disse que os preços exorbitantes refletem a demanda para assistir à copa.
“Temos que olhar para o mercado. Estamos no mercado de entretenimento mais desenvolvido do mundo. Portanto, temos que aplicar as taxas apropriadas”, disse o presidente da FIFA. “Nos Estados Unidos, a revenda de ingressos também é permitida. Portanto, se você vender ingressos a um preço muito baixo, eles serão revendidos a um preço muito mais alto.”
“E, na verdade, mesmo que algumas pessoas digam que nossos preços são altos, eles acabam no mercado de revenda por um preço ainda maior, mais do que o dobro do nosso.”
Em sua fala, Infantino destacou que a FIFA reinveste seus lucros da Copa do Mundo em programas de futebol ao redor do mundo, e encorajou investidores americanos – onde o esporte não é tão popular – a se envolverem mais com o futebol, já que, afinal, continua sendo o esporte mais popular do mundo.
De qualquer forma, a organização enfrenta fortes críticas quanto ao preço, com a organização de fãs Football Supporters Europe (FSE) chamando o sistema de precificação de “extorsivo” e de uma “traição monumental”. O grupo iniciou, em março, um processo perante a Comissão Europeia contra a FIFA por “preços de ingresso excessivos” para o torneio.
Sobre as críticas, Infantino rebateu: “Se algumas pessoas colocarem ingressos para a final no mercado de revenda por US$ 2 milhões, primeiro, isso não significa que os ingressos custem US$ 2 milhões”, disse à mídia.
“E, segundo, isso não significa que alguém vá comprar esses ingressos”, continuou Infantino. “E se alguém comprar um ingresso para a final por US$ 2 milhões, eu mesmo levarei um cachorro-quente e uma Coca-Cola para garantir que ele tenha uma ótima experiência.”
Infantino reiterou que a FIFA recebeu mais de 500 milhões de pedidos de ingressos esse ano, comparado com menos de 50 milhões combinados das copas de 2018 e 2022, adicionando que 25% dos ingressos para a fase de grupos estavam com preços abaixo de 300 dólares (cerca de 1.480 reais).
“Nos Estados Unidos, você não consegue assistir a um jogo universitário, muito menos a uma partida profissional de alto nível, por menos de US$ 300”, disse Infantino. “E estamos falando da Copa do Mundo.”
No entanto, a FIFA tem enfrentado dificuldades para lotar os jogos, incluindo a estreia dos Estados Unidos contra o Paraguai. Ainda há ingressos disponíveis para a maioria dos jogos da fase de grupos, mas na mesma casa de preços altos.
Os ingressos para o jogo dos EUA contra o Paraguai, por exemplo, começam em US$ 1.120 (R$ 5.535) e chegam a US$ 4.105 (mais de R$ 20 mil), com muitos ingressos custando cerca de US$ 2.000 (R$ 9.884) para a partida de 12 de junho em Los Angeles. Os assentos nos pacotes de hospitalidade podem custar até US$ 6.050 (R$ 30 mil) cada.
Ainda há ingressos disponíveis no site oficial da FIFA, nessa faixa de preço, na seção de “vendas de última hora”.