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O que é o Conselho de Paz de Trump, novo órgão que desafia a ONU

Proposto pelos EUA, novo organismo internacional amplia atuação além de Gaza e prevê contribuições bilionárias de seus membros

Conselho de Paz de Trump: presidente dos EUA lança órgão internacional em Davos com atuação global e poderes concentrados fora da ONU (Getty Images/Montagem/Exame)

Conselho de Paz de Trump: presidente dos EUA lança órgão internacional em Davos com atuação global e poderes concentrados fora da ONU (Getty Images/Montagem/Exame)

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 06h22.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou oficialmente nesta quarta-feira, 21, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, o chamado Conselho de Paz, uma organização internacional idealizada pelo seu governo para atuar na resolução de conflitos globais.

Segundo Trump, a iniciativa já contaria com o apoio de dezenas de líderes mundiais e pode funcionar como uma alternativa à Organização das Nações Unidas (ONU).

A proposta ganhou destaque após Trump afirmar que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, “aceitou” o convite para integrar o grupo — embora o Kremlin tenha informado que ainda analisa os termos. A carta fundacional do Conselho deve ser assinada nesta quinta-feira, 22, também em Davos, e entrará em vigor assim que pelo menos três Estados a ratificarem.

Concebido inicialmente para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza no pós-guerra, o Conselho de Paz teve seu escopo ampliado. O estatuto do órgão, obtido pela AFP, não limita sua atuação ao território palestino e define uma missão global, o que levou críticos a classificá-lo como um organismo que desafia o papel central da ONU na governança internacional.

O que é o Conselho de Paz?

De acordo com o texto fundador, o Conselho de Paz será presidido por Trump, que também atuará separadamente como representante dos Estados Unidos. Apenas o presidente do conselho —Trump — pode convidar novos membros e revogar participações, salvo veto por maioria qualificada de dois terços dos Estados integrantes.

O conselho executivo terá sete membros fixos e será liderado por Trump. Entre os nomes confirmados estão o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o empresário Jared Kushner, genro do presidente, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, além de executivos do setor financeiro e representantes ligados ao Conselho de Segurança Nacional dos EUA.

O estatuto do Conselho afirma que sua missão é “promover a estabilidade, restabelecer uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura” em regiões afetadas por conflitos, ao mesmo tempo em que critica “instituições e enfoques que falharam repetidamente”, em referência indireta à ONU.

Para integrar o Conselho de forma permanente, os países convidados podem ser solicitados a aportar até US$ 1 bilhão no primeiro ano de funcionamento. Estados que fizerem contribuições acima desse valor ficam isentos do limite de mandato de três anos previsto para os demais membros.

A Casa Branca afirmou que as contribuições são voluntárias, mas disse que países que desejem participar ativamente da supervisão dos projetos devem estar dispostos a realizar aportes significativos.

Até agora, cerca de 35 dirigentes já concordaram em apoiar a iniciativa. Entre os que aceitaram estão o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán; o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; o presidente da Argentina, Javier Milei; além de líderes do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia Central. A diplomacia saudita anunciou adesão conjunta de países como Catar, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Indonésia e Paquistão.

Países negaram participação

Alguns países já recusaram formalmente o convite, como França, Noruega e Ucrânia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que não pretende participar de um organismo que inclua a Rússia.

Outros governos adotaram postura um pouco mais cautelosa. China, Alemanha, Reino Unido, Canadá e União Europeia disseram que ainda avaliam os termos do convite. O papa Leão XIV também foi convidado, mas o Vaticano informou que o tema está em análise.

A ONU, por sua vez, reagiu com reserva. Um porta-voz das Nações Unidas declarou que o plano de Trump “não é um plano da ONU” e ressaltou que a autorização do Conselho de Segurança se restringe à atuação em Gaza.

Além do Conselho de Paz, o plano de Trump prevê a criação de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos, e de um Conselho Executivo de Gaza, com participação de representantes internacionais. Esses órgãos seriam responsáveis pela reconstrução, estabilização institucional e atração de investimentos para o território após o conflito.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu convite para integrar o Conselho de Paz, segundo confirmou o Itamaraty, mas ainda não respondeu oficialmente.

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