Repórter
Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 19h07.
Última atualização em 19 de janeiro de 2026 às 19h31.
A França recusou integrar o Conselho de Paz para a Faixa de Gaza nas condições atuais propostas pelos Estados Unidos. A decisão, divulgada pelo governo do presidente Emmanuel Macron nesta segunda-feira, 19 de janeiro, baseia-se em preocupações com os princípios do multilateralismo e com a estrutura institucional das Nações Unidas.
O presidente francês considera que o modelo sugerido por Washington ultrapassa a situação em Gaza e ameaça diretrizes centrais da ONU. Apesar disso, reafirma seu compromisso com um cessar-fogo e com a construção de um horizonte político crível tanto para palestinos quanto para israelenses.
Segundo fontes próximas ao governo de Macron à agência EFE, os Estados Unidos apresentaram à França um convite formal para integrar o Conselho de Paz e avaliam o marco jurídico do grupo em coordenação com outros parceiros. No entanto, Paris rejeita o formato atual por considerá-lo incompatível com a Carta da ONU e com a Resolução 2803, aprovada em 17 de novembro de 2025, que trata do fortalecimento da entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Essa resolução defende um caminho para a definição do estatuto de um Estado palestino, promovendo o diálogo entre israelenses e palestinos rumo a uma convivência pacífica. O Palácio do Eliseu reiterou que continua “totalmente comprometido com um cessar-fogo em Gaza e um horizonte político confiável” e manterá a defesa de “um multilateralismo eficaz”.
O Conselho de Paz proposto pelos Estados Unidos reúne nomes ligados a governos anteriores e lideranças de diferentes países, incluindo aliados estratégicos de Washington.
Entre os nomes confirmados estão o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o secretário de Estado americano Marco Rubio; o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff; e Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump.
A iniciativa é parte da segunda fase do plano de paz de Trump para Gaza, que prevê a instalação de um governo de tecnocratas na região e o desarmamento do grupo Hamas.
Além da França, a União Europeia também foi convidada a participar do conselho, assim como o presidente russo, Vladimir Putin. A lista de convidados inclui ainda o rei Abdullah II, da Jordânia; o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; o presidente da Argentina, Javier Milei; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
(Com informações da agência EFE)