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O Brasil importa petróleo do Irã?

Conflito no Oriente Médio pode pressionar preços do combustível e afetar o diesel no Brasil

Publicado em 10 de março de 2026 às 18h07.

Dez dias depois do primeiro ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, um bombardeio nos depósitos de petróleo deixou a capital Teerã no escuro. A guerra já começa a influenciar os mercados de diversos países, e os efeitos podem chegar ao Brasil.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que os óleos combustíveis de petróleo compõem 43,5% dos produtos importados pelo Brasil ao Oriente Médio. 

No entanto, segundo o levantamento da pasta, o Irã representa apenas 11,3% da parceria da balança regional com o Brasil.

O Brasil importa petróleo do Irã atualmente?

De modo geral, o Brasil não figura entre os principais compradores de petróleo do Irã nos últimos anos e o Mdic aponta que a relação comercial com o país não é próxima.

O Irã é o 28º parceiro comercial em exportações e o 72º em importações. Porém, os conflitos no país podem impactar indiretamente o Brasil. 

No curto prazo, o principal afetado pelos conflitos pode ser o diesel, uma vez que o mercado nacional importa aproximadamente 30% do que utiliza internamente. O que corresponde a cerca de um litro importado para cada quatro litros consumidos. 

A cotação do óleo pode aumentar e seguir a tendência dos preços do petróleo, o que influenciaria o abastecimento no Brasil. 

Impacto do conflito do Irã no diesel brasileiro 

Na segunda-feira, 9, a Petrobras já notava defasagem nos preços dos combustíveis, segundo dados da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom).

Em comparação com o mercado internacional, a estatal brasileira estava defasada em R$ 2,74 no preço do litro do diesel e R$ 1,22 no litro da gasolina

Sem aumentos a 300 dias, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou que pretende manter estabilidade dos preços

Ela explica que a ideia é evitar aumentos que respondam a "movimentos nervosos" do mercado. 

Comércio internacional de petróleo

O mercado global de petróleo é influenciado por fatores como logística, qualidade do petróleo, custos de refino e relações comerciais entre países.

Por isso, o conflito influencia não apenas países importadores, mas qualquer mercado que estabeleça outras relações comerciais ou que use a rota como corredor logístico para outras transações. 

Possíveis benefícios do conflito para o Brasil

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) afirma que o Brasil é o 8º maior produtor de petróleo no mundo.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã, as exportações do combustível fóssil podem aumentar no Brasil. 

Isso porque é estimado que 20% da produção global de petróleo seja comercializada pela rota de Ormuz e, segundo especialistas, o bloqueio pode levar mercados europeus e asiáticos a buscar outros fornecedores.

Nesse cenário, o Brasil se beneficia por ter uma rede de portos e oleodutos estruturada para exportação. 

Porém, isso deve ocorrer apenas se o conflito se estender pelas próximas quatro semanas e se o mercado nacional mostrar ampliação na sua produção

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