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Macron convida Lula para G7 e presidentes discutem defesa e saúde

Em encontro bilateral na Índia, chefes de Estado não trataram do acordo de comércio entre União Europeia e Mercosul

Lula e Emmanuel Macron: presidente do Brasil se reuniu com líder da França nesta quinta-feira, 19 (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Lula e Emmanuel Macron: presidente do Brasil se reuniu com líder da França nesta quinta-feira, 19 (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 13h21.

Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 13h25.

NOVA DÉLI* O presidente da França, Emannuel Macron, convidou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para participar do encontro do G7, marcado para acontecer em junho em Evian-les-Bains, na França.

Os presidentes tiveram reunião bilateral nesta quinta-feira, 19, durante a viagem de Lula à Índia. Ambos participaram da Cúpula de IA organizada pelo governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

Lula esteve na última reunião do G7 em junho do ano passado, no Canadá. O grupo é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido e a União Europeia, que participa como bloco.

Indústria de Defesa e saúde

No encontro, Lula e Macron também conversaram sobre possíveis cooperações no setor de defesa. Entraram na pauta, segundo apurou EXAME, a fabricação de helicópteros e submarinos.

Em julho do ano passado, Brasil e França assinaram uma carta de intenção para transformar a Helibras, fábrica instalada em Itajubá (MG), em um polo de produção e exportação de um dos modelos de helicópteros mais avançados do mundo, o H145, aeronave multiuso e de alta tecnologia embarcada.

Segundo informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços à época, o investimento na produção do H145, que pode ser utilizado tanto em missões civis quanto militares, é estimado em R$ 1 bilhão.

A expectativa é de que sejam construídas até 200 unidades, ao longo dos próximos 15 anos, voltadas aos mercados nacional e internacional.

Na questão dos submarinos, a Marinha fechou em setembro de 2025 um contrato de 528 milhões de euros com o grupo francês Naval Group para dois projetos ligados ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). Desde 2008, o Brasil coopera com a França no Prosub para a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear.

A EXAME apurou que a Embraer também esteve na pauta entre os mandatários.

Na conversa, os presidentes também falaram sobre possíveis cooperações e investimentos na indústria da saúde.

Os presidentes destacaram o intercâmbio comercial recorde de U$S 10,3 bilhões em 2025, reconhecendo que o resultado permanece aquém do potencial das duas economias.

O encontro foi pedido por Macron.

Acordo Mercosul-UE

Segundo a EXAME apurou, Lula e Macron não trataram do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

O país tem sido um dos maiores detratores do acordo, e vive pressão dos agricultores franceses, que temem perder competitividade com a abertura de mercado. Por lá, desde o ano passado, produtores têm realizado protestos contra a ratificação do acordo.

A Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores (FNSEA), principal entidade do setor na França, tem intensificado as manifestações, alegando que os produtos do Mercosul não seguem os mesmos padrões regulatórios e ambientais exigidos dos produtores europeus.

Apesar da oposição, estimativas da própria Comissão Europeia apontam que as exportações agroalimentares do bloco para os países sul-americanos podem crescer 50% com o acordo, impulsionadas pela redução de tarifas sobre produtos como vinhos e bebidas alcoólicas (até 35%), chocolate (20%) e azeite (10%).

*O jornalista viajou a convite da ApexBrasil

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