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Lula anuncia na TV o Novo Desenrola Brasil; veja detalhes do programa

O governo deve aportar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 30 de abril de 2026 às 21h13.

Última atualização em 30 de abril de 2026 às 21h20.

No dia seguinte à rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em rede nacional de rádio e televisão um novo programa de renegociação de dívidas, batizado por ele de Novo Desenrola Brasil.

Segundo o presidente, o lançamento da iniciativa está previsto para a próxima segunda‑feira.

Durante o pronunciamento, Lula afirmou que o programa permitirá a troca de dívidas em atraso — como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia — por contratos mais baratos, com taxas de juros limitadas a 1,99% ao mês. O presidente também mencionou que haverá possibilidade de renegociação de débitos do Fies.

Descontos aos consumidores

De acordo com Lula, os descontos oferecidos aos consumidores poderão variar entre 30% e 90% do valor da dívida. O programa também permitirá o uso do FGTS, limitado a até 20% do saldo, para quitar parte dos débitos. Diferentemente do Desenrola lançado em 2023, as renegociações serão feitas diretamente nos bancos onde os clientes têm dívidas, sem a necessidade de acesso a uma plataforma específica.

Uma das preocupações do governo, segundo Lula, é evitar que os beneficiários voltem a se endividar no curto prazo. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on‑line. “Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, afirmou o presidente.

Objetivo do programa

O Novo Desenrola Brasil retoma o nome do programa criado em 2023 e tem como objetivo aliviar o orçamento das famílias, especialmente no que diz respeito ao peso das dívidas bancárias. Segundo dados do Banco Central, 29,7% da renda dos brasileiros está comprometida com o pagamento de dívidas — o maior nível da série histórica, iniciada em 2005.

A iniciativa deve beneficiar pessoas que ganham até cinco salários mínimos e que tenham dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos. Os descontos devem variar entre 40% e 90%, conforme a chamada “idade da dívida”.

A renegociação ficará aberta por 90 dias após o lançamento. O cliente poderá parcelar a nova dívida em até quatro anos, com tendência de haver uma carência de até um mês para o pagamento da primeira parcela. É nesse momento que deve ocorrer a chamada “limpeza do nome” nos cadastros de inadimplência.

Para viabilizar o programa, o governo deve aportar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO), com o objetivo de cobrir eventuais calotes. Além disso, a estimativa é que sejam liberados cerca de R$ 4,5 bilhões do FGTS para o público elegível, destinados ao pagamento das dívidas junto aos bancos.

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