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Lula e Bernie Sanders: multilateralismo, governança da IA e o SUS na conversa em Nova York

Em encontro à margem da Assembleia da ONU, os dois ainda cobraram menos gasto militar e mais participação de jovens e mulheres na política

Lula e Bernie Sanders: multilateralismo, governança da IA e o SUS na conversa em Nova York. (Ricardo Stuckert.)

Lula e Bernie Sanders: multilateralismo, governança da IA e o SUS na conversa em Nova York. (Ricardo Stuckert.)

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 00h24.

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Nova York — Enquanto boa parte da expectativa da semana de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas gira em torno da agenda paralela de Donald Trump e da possibilidade de um breve encontro com Lula nos corredores da ONU, foi com um dos maiores adversários internos do republicano que o presidente brasileiro passou o fim da tarde desta segunda-feira, 21, em Nova York: o senador Bernie Sanders, independente por Vermont e uma das vozes mais influentes da esquerda dos Estados Unidos.

O encontro ilustra um movimento perceptível na agenda de Lula na cidade. Antes mesmo de subir ao púlpito para abrir o Debate Geral nesta terça-feira, 22, o presidente tem priorizado pontes com a ala progressista americana, a mesma que se opõe à Casa Branca.

Ao costurar encontros com Sanders e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, Lula desenha um roteiro próprio pela esquerda americana, à margem da diplomacia oficial com a Casa Branca.

A conversa girou em torno de temas caros aos dois, como a defesa do multilateralismo, da paz e da democracia. Nesse contexto, Lula e Sanders repudiaram o aumento dos gastos militares, o aprofundamento das desigualdades e a precarização do trabalho em diferentes partes do mundo.

Ambos manifestaram preocupação com o avanço do extremismo e convergiram sobre um ponto que tende a dominar as discussões diplomáticas dos próximos anos: a necessidade urgente de uma governança multilateral da inteligência artificial. Defenderam, ainda, maior participação de jovens e mulheres na política, em todos os níveis.

A política doméstica dos dois países também entrou na pauta. Sanders apresentou sua leitura sobre as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as midterms, que definem o controle do Congresso e funcionam como termômetro para o restante do mandato de Trump, além de expor o quadro político e econômico do país.

Lula, por sua vez, comentou o contexto eleitoral no Brasil, a poucas semanas do primeiro turno de uma disputa em que é candidato à reeleição, e detalhou parte das políticas públicas de inclusão do atual mandato, com ênfase na área de saúde.

Sanders, crítico de longa data do modelo privado de saúde dos Estados Unidos, demonstrou interesse em conhecer de perto a experiência brasileira com o Sistema Único de Saúde (SUS), a rede pública e universal que atende a maior parte da população do país e serve de referência recorrente ao debate progressista americano sobre acesso à saúde.

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