Repórter
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 10h18.
RESUMO | Luiz Inácio Lula da Silva viaja no domingo a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, onde abrirá o Debate Geral na terça-feira, 22, e pretende pedir a Donald Trump que não interfira nas eleições brasileiras. O Brasil discursa primeiro por uma tradição iniciada em 1949 e consolidada em 1955. A posição amplia a projeção das prioridades diplomáticas do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que viaja no domingo a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Ao anunciar a ida, disse que pretende conversar com o presidente americano, Donald Trump, para pedir que ele não interfira nas eleições brasileiras, e afirmou que o país pertence apenas ao seu povo.
Na terça-feira, 22, Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar na edição de 2026, posição que o Brasil ocupa todos os anos no principal fórum diplomático do planeta. A origem desse privilégio está mais na tradição do que em qualquer regra escrita.
De acordo com "O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011", obra editada pela Fundação Alexandre de Gusmão nos 50 anos da ONU, o costume começou em 1949. Com a Guerra Fria em andamento, a ideia era impedir que Estados Unidos ou União Soviética tivessem a primazia de abrir os trabalhos.
Desde então, antes de fechar a lista de oradores, o secretário-geral envia uma nota à missão brasileira perguntando se o país quer manter a prática. A resposta sempre positiva preserva um hábito que a publicação considera uma distinção para o Brasil. Segundo o livro, isso fez a diplomacia brasileira encarar o discurso inaugural como algo de peso estratégico.
Enquanto a maioria das delegações se concentra em assuntos do momento, o Brasil passou a usar a abertura para análises mais amplas do cenário internacional. Nelas, apresenta sua visão de mundo e defende pautas estruturais, como o combate à fome, o desenvolvimento e a reforma das instituições multilaterais.
A partir de 1955, o Brasil passou a abrir o Debate Geral de forma regular, seguido pelo país-sede, os Estados Unidos. Esse arranjo deu estabilidade ao protocolo. Depois dos dois, a sequência segue critérios como o nível da autoridade presente, o equilíbrio geográfico e a ordem de inscrição.
As exceções são raras e costumam vir de atrasos ou ajustes de agenda. Em 1983 e 1984, os EUA falaram antes do Brasil. Em 2016, o segundo lugar ficou com o Chade, porque o presidente americano não chegou a tempo.
Mais do que uma curiosidade protocolar, falar primeiro dá ao Brasil uma vitrine singular. O país pode projetar sua política externa, expor suas prioridades e marcar posição em temas globais diante de chefes de Estado, diplomatas e da imprensa internacional.
O Brasil abre o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU por uma tradição iniciada em 1949. Segundo o livro O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011, a escolha buscava evitar que Estados Unidos ou União Soviética abrissem os trabalhos durante a Guerra Fria.
Não existe uma regra escrita que garanta ao Brasil o primeiro discurso. Antes de fechar a lista de oradores, o secretário-geral consulta a missão brasileira, que sempre confirma o interesse em manter a tradição.
Os Estados Unidos, país-sede da ONU, costumam discursar depois do Brasil desde 1955. A ordem seguinte considera o nível da autoridade presente, o equilíbrio geográfico e a ordem de inscrição.
As exceções são raras e costumam ocorrer por atrasos ou ajustes de agenda. Os Estados Unidos falaram antes do Brasil em 1983 e 1984, enquanto o Chade ocupou o segundo lugar em 2016 porque o presidente americano não chegou a tempo.
O Brasil costuma apresentar análises amplas do cenário internacional e defender temas como combate à fome, desenvolvimento e reforma das instituições multilaterais. Segundo "O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011", a diplomacia brasileira atribui peso estratégico ao discurso inaugural.
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende pedir ao presidente Donald Trump que não interfira nas eleições brasileiras. Lula também declarou que o Brasil pertence apenas ao seu povo.