Hillary Clinton: ex-secretária de Estado e esposa do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton (Kevin Dietsch/Getty Images)
Repórter
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 17h36.
A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, afirmou nesta quinta-feira, durante manifestação à Comissão de Supervisão da Câmara, que não mantém lembrança de contato com o financista Jeffrey Epstein e que não possui informações sobre as atividades ilícitas atribuídas a ele.
Ela também pediu que o presidente americano Donald Trump seja convocado a depor "sob juramento" sobre o caso.
"Não me lembro de ter encontrado o Sr. Epstein. Nunca voei em seu avião nem visitei sua ilha, suas casas ou seus escritórios. Não tenho nada a acrescentar a isso", disse Clinton em um comunicado à Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes.
A fala ocorreu no mesmo dia em que ela estava prevista para prestar depoimento reservado ao colegiado, em Chappaqua, no estado de Nova York.
Candidata democrata à Casa Branca em 2016, Clinton declarou que o comitê, sob comando republicano, tenta direcionar a atenção pública para longe das conexões do presidente Donald Trump com Epstein, que morreu por suicídio, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual. Segundo ela, o governo Trump "desmantelou" um escritório do Departamento de Estado dedicado ao combate ao tráfico sexual internacional.
Ela e o ex-presidente Bill Clinton recusaram-se inicialmente a comparecer perante o colegiado, mas aceitaram após parlamentares cogitarem enquadrá-los por desacato ao Congresso. Bill Clinton tem depoimento marcado para esta sexta-feira.
O presidente da Comissão de Supervisão, James Comer, republicano do Kentucky, afirmou antes da audiência que a apuração não tem motivação partidária nem mira a adversária de Trump na disputa presidencial de 2016. Ele destacou que integrantes democratas também defenderam a oitiva dos Clintons. "Ninguém está acusando os Clintons de qualquer irregularidade neste momento", disse Comer.
De acordo com o parlamentar, o objetivo é mapear eventuais interações de Hillary Clinton com Jeffrey Epstein, a relação dele com iniciativas filantrópicas ligadas ao casal e possíveis vínculos com Ghislaine Maxwell, associada de Epstein atualmente presa.
O deputado Robert Garcia, democrata da Califórnia e principal representante do partido no comitê, declarou que Trump e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, também deveriam prestar depoimento. Lutnick reconheceu ter ido à ilha privada de Epstein anos após afirmar que havia encerrado o relacionamento com ele.
Um porta-voz do casal Clinton não respondeu a pedidos de manifestação. Comer informou que as transcrições das entrevistas serão divulgadas.
Registros apontam que Bill Clinton utilizou o avião de Epstein em diversas ocasiões no início dos anos 2000, após deixar a Presidência. O ex-presidente negou irregularidades e declarou arrependimento pela associação. Segundo Comer, Epstein esteve 17 vezes na Casa Branca durante o mandato de Clinton.
Trump manteve convivência com Epstein nas décadas de 1990 e 2000, antes da condenação do financista, em 2008, por aliciamento de menor para prostituição. O presidente do comitê afirmou que o material reunido até o momento não implica Trump.
O Departamento de Justiça, durante a gestão Trump, tornou públicos mais de 3 milhões de páginas de documentos ligados a Epstein para atender a uma legislação aprovada pelo Congresso. A pasta destacou imagens envolvendo Bill Clinton, mas os arquivos também detalham conexões de Epstein com empresários e líderes políticos, entre eles Lutnick e o CEO da Tesla, Elon Musk.
Fora dos Estados Unidos, as revelações motivaram investigações criminais contra Andrew Mountbatten-Windsor, ex-Duque de York, e outras figuras públicas.