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Por que Bashar al-Assad foi condenado à morte na Síria? Entenda

Ex-presidente sírio foi julgado à revelia por assassinatos, tortura e crimes contra a humanidade; decisão faz parte do processo de justiça transicional

Bashar al-Assad: ex-ditador foi condenado à morte à revelia por um tribunal da Síria por crimes ligados à repressão aos protestos de 2011. (Louai Beshara/AFP)

Bashar al-Assad: ex-ditador foi condenado à morte à revelia por um tribunal da Síria por crimes ligados à repressão aos protestos de 2011. (Louai Beshara/AFP)

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 10h42.

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Um tribunal da Síria condenou nesta terça-feira, 11, o ex-ditador Bashar al-Assad à pena de morte à revelia por crimes contra a humanidade, assassinato, tortura e detenções arbitrárias.

É a primeira sentença pública contra o ex-presidente desde sua queda do poder, em dezembro de 2024, quando deixou o país e se exilou em Moscou.

A decisão foi anunciada pelo juiz Fakhr al Din al Uryan, do tribunal criminal número 4 de Damasco. Além de Assad, outras oito pessoas também foram condenadas à morte, entre elas o irmão do ex-presidente, Maher al-Assad, e o primo Atef Najib, único réu presente na audiência.

Segundo o magistrado, Bashar al-Assad foi considerado o principal responsável pelas decisões que levaram à repressão dos protestos iniciados em 2011. A sentença afirma que ele mobilizou instituições do Estado para cometer assassinatos, torturas e outras violações de direitos humanos.

Julgamento trata da repressão aos protestos de 2011

O processo teve como foco a atuação de Atef Najib, ex-chefe da Segurança Política em Daraa, cidade onde começaram as manifestações que deram origem à guerra civil síria. De acordo com o tribunal, ele participou dos interrogatórios e da tortura de detidos após o início dos protestos.

As investigações também apontaram que forças de segurança sob seu comando participaram da invasão da mesquita Omari, que se tornou o principal símbolo das primeiras manifestações contra o governo. A operação resultou na morte de dezenas de manifestantes.

Najib também é acusado de ordenar a prisão e a tortura de crianças que escreveram mensagens contra o governo em um muro de escola, episódio considerado um dos estopins da revolta popular. Ele foi capturado em janeiro de 2025, após anos foragido.

Além de Bashar al-Assad, Maher al-Assad e Atef Najib, outros seis integrantes do antigo regime foram condenados à morte à revelia por assassinato premeditado e tortura com resultado de morte.

O julgamento começou em 26 de abril e realizou nove audiências em Damasco. Segundo as autoridades sírias, trata-se do primeiro processo público da fase de justiça transicional aberta após a queda de Assad e o primeiro a levar ao banco dos réus um ex-integrante de alto escalão do aparato de segurança responsável pela repressão aos protestos de 2011.

*Com EFE

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