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Caso Epstein: os principais pontos revelados pelos novos arquivos

Documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA detalham vínculos do financista com políticos, realeza e empresários e reacendem investigações, renúncias e pressões institucionais

Epstein: entenda o caso do financista (Stephanie Keith/Getty Images)

Epstein: entenda o caso do financista (Stephanie Keith/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 11h46.

Quase sete anos depois da morte de Jeffrey Epstein em uma prisão federal de Nova York, o caso continua a ganhar novos desdobramentos.

A divulgação recente de uma nova leva de documentos oficiais nos Estados Unidos reacendeu investigações, levou a renúncias e voltou a expor vínculos do financista com integrantes da realeza europeia, ex-chefes de governo, diplomatas e empresários.

Os arquivos, tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos  (DOJ, na sigla em inglês) em 30 de janeiro, reúnem cerca de 3,5 milhões de registros, entre e-mails, fotografias e vídeos. Embora a menção a nomes não implique, por si só, conduta criminosa, o material tem provocado danos reputacionais e pressionado autoridades e executivos a prestar esclarecimentos formais.

Principais pontos revelados pelos documentos

Os registros divulgados pelo DOJ detalham a extensão da rede de contatos mantida por Epstein ao longo de décadas. Entre os principais elementos destacados nos documentos estão:

  • Contato contínuo com figuras públicas após condenação: mensagens e registros indicam que Epstein manteve relações com políticos, empresários e membros da realeza mesmo depois de sua condenação em 2008 por crimes sexuais envolvendo menores de idade.

  • Pressão política e renúncias: a divulgação levou à saída de autoridades de cargos públicos e diplomáticos na Europa, incluindo ex-chanceleres, assessores de segurança nacional e embaixadores.

  • Realeza europeia: documentos reforçam vínculos do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor , do Reino Unido, com Epstein e mencionam contatos de sua ex-esposa, Sarah Ferguson. Na Noruega, a princesa Mette-Marit aparece associada a centenas de e-mails trocados com o financista após sua primeira condenação.

  • Executivos e instituições internacionais: registros citam encontros e trocas de mensagens entre Epstein e dirigentes de organismos multilaterais, incluindo o Fórum Econômico Mundial, que abriu apuração interna.

Jeffrey Epstein: quem foi o financista americano acusado de tráfico sexual de menores
  • Bill Gates: o fundador da Microsoft aparece em diversas menções. Gates afirmou publicamente lamentar “cada minuto” de convivência com Epstein, após documentos indicarem que o financista teria organizado encontros pessoais com mulheres. Melinda French Gates declarou que o ex-marido deve explicações sobre esses vínculos.

  • Família Clinton: o ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton aceitaram depor diante de um comitê do Congresso. Clinton reconhece ter viajado no jato privado de Epstein, mas nega qualquer conduta ilícita.

  • Donald Trump: o presidente dos Estados Unidos é citado milhares de vezes nos arquivos. Ele afirma não ter sido acusado por nenhuma vítima e sustenta ser alvo de uma conspiração política.

  • Empresários e líderes culturais: documentos também envolvem executivos do setor financeiro, jurídico e cultural, resultando em renúncias de dirigentes de universidades, escritórios de advocacia e instituições artísticas.

  • Ilhas e propriedades: registros reforçam o papel das ilhas privadas de Epstein nas Ilhas Virgens Americanas e de outras propriedades de luxo como locais recorrentes de encontros, viagens e atividades sob investigação.

Quem foi Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein foi um financista americano que construiu uma carreira cercada por relações com a elite política, econômica e social internacional, ao mesmo tempo em que esteve no centro de um esquema de abuso e tráfico sexual de menores investigado por autoridades dos Estados Unidos.

Nascido em 20 de janeiro de 1953, no Brooklyn, em Nova York, Epstein iniciou a vida profissional como professor de matemática e física na Dalton School, uma escola privada em Manhattan, onde estabeleceu os primeiros contatos com famílias influentes ligadas ao setor financeiro.

No fim da década de 1970, ingressou no mercado financeiro e trabalhou no banco de investimentos Bear Stearns. Em 1988, fundou a J. Epstein & Company, empresa que afirmava prestar serviços exclusivos de gestão de fortunas para clientes com patrimônio superior a US$ 1 bilhão.

Nesta imagem divulgada, a foto policial de Jeffrey Epstein, de 2019. (Foto de Kypros/Getty Images)

Foto policial de Jeffrey Epstein ( Kypros/Getty Images)

Seu cliente mais conhecido foi o empresário Leslie H. Wexner, fundador da Victoria’s Secret e de outros grupos do varejo. Epstein recebeu amplos poderes sobre as finanças e propriedades de Wexner, incluindo uma mansão em Manhattan que se tornaria sua principal residência. Apesar disso, a origem exata de sua fortuna nunca foi totalmente esclarecida.

Quando morreu, em 2019, o patrimônio de Epstein era estimado em cerca de US$ 578 milhões. Ele possuía mansões nos Estados Unidos, apartamentos em Paris, uma fazenda no Novo México, aeronaves particulares — incluindo um Boeing 727 — e duas ilhas privadas nas Ilhas Virgens Americanas, que se tornaram centrais nas investigações.

Epstein foi acusado de abuso sexual de menores desde o início dos anos 2000. Em 2008, firmou um acordo judicial na Flórida e cumpriu 13 meses de prisão em regime especial. Em julho de 2019, foi preso novamente por acusações federais de tráfico sexual de menores.

Caso Epstein: Trump pede que país 'vire a página' após novos documentos

Em 10 de agosto de 2019, Epstein foi encontrado morto em sua cela em uma prisão federal em Manhattan. A causa oficial foi registrada como suicídio por enforcamento. Após sua morte, a Justiça americana passou a liberar gradualmente documentos que detalham sua rede de contatos e operações, mantendo o caso em evidência internacional.

Como anda a investigação?

O caso Epstein está encerrado no âmbito criminal contra o financista desde sua morte, em 2019, mas permanece ativo em outras frentes. Em fevereiro de 2026, o foco está na divulgação de documentos, em ações civis e na responsabilização de instituições.

Ghislaine Maxwell, ex-parceira de Epstein, cumpre pena de 20 anos de prisão. Em outubro de 2025, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou seu último recurso. Na segunda-feira, 9, ela compareceu a um comitê do Congresso, mas invocou a 5ª Emenda e se recusou a responder sobre outros envolvidos.

No campo civil, o estado de Nova York abriu uma nova janela legal, válida de março de 2026 a março de 2027, para que vítimas entrem com ações indenizatórias. Também avançam processos contra instituições financeiras suspeitas de terem ignorado indícios das atividades ilícitas do financista.

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