Estreito de Ormuz: ataques atingem infraestrutura energética no Golfo no 23º dia do conflito (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de março de 2026 às 06h08.
Última atualização em 24 de março de 2026 às 06h23.
A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã entrou no 25º dia nesta terça-feira, 24, com novos ataques no Golfo, danos à infraestrutura energética e sinais contraditórios sobre uma possível trégua.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que adiou por cinco dias ataques a instalações de energia iranianas após “conversas produtivas”. O Irã negou as negociações.
No Golfo, o Kuwait registrou danos em sua rede elétrica após a queda de destroços de drones interceptados, que deixaram sete linhas fora de operação. O país também afirmou ter abatido mísseis e drones em seu espaço aéreo.
Na Arábia Saudita, ao menos 23 drones foram destruídos, enquanto sirenes antiaéreas foram acionadas no Bahrein.
A escalada ocorre após semanas de ataques a refinarias, gasodutos e centros de energia na região, ampliando a pressão sobre o sistema energético global e sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Mesmo com a pausa anunciada por Washington para alvos energéticos, novos ataques foram registrados no Irã. Dois projéteis atingiram um gasoduto em Khorramshahr e instalações de gás em Isfahan, sem registro de vítimas.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter lançado uma nova onda de mísseis contra Israel, incluindo alvos em Tel Aviv, Eilat e Dimona. Em resposta, Israel realizou ataques aéreos em Teerã e bombardeios contra posições do Hezbollah em Beirute, ampliando a ofensiva no Líbano.
O grupo libanês também anunciou ataques contra tropas israelenses no sul do país.
Os mercados reagiram às declarações de Trump com queda nos preços do petróleo e alta das bolsas globais. O barril do Brent recuou para cerca de US$ 100 após chegar a níveis superiores nos dias anteriores, refletindo expectativas de possível descompressão no conflito.
Ainda assim, autoridades internacionais alertam para riscos elevados. O diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, afirmou que a guerra representa uma “ameaça muito grave” à economia global, com potencial de gerar uma crise energética superior a choques anteriores.
Trump afirmou que há “pontos de acordo importantes” com o Irã e indicou que negociações podem avançar nos próximos dias, possivelmente com mediação de países como Paquistão, Egito e Catar.
Teerã, no entanto, nega qualquer diálogo direto e acusa os Estados Unidos de tentar manipular os mercados. O governo iraniano também criticou o uso de bases militares estrangeiras por aliados de Washington e reiterou que continuará respondendo aos ataques.
Enquanto isso, o Reino Unido condenou ataques contra a base conjunta com os Estados Unidos em Diego Garcia, no Oceano Índico, embora o Irã negue responsabilidade.
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro, já deixou milhares de mortos e ampliou a instabilidade no Oriente Médio, com impactos diretos sobre energia, comércio e segurança global.
*Com EFE e AFP