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No 24º dia da guerra, Irã diz ter 'controle total' sobre o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz

Porta-voz militar de Teerã também ameaçou as potências estrangeiras ao afirmar que 'não tem o direito de interferir na região'

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 23 de março de 2026 às 20h26.

Última atualização em 23 de março de 2026 às 20h31.

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O porta-voz militar do Irã afirmou que o país mantém “controle total” sobre o Golfo Pérsico, o Estreito de Ormuz e áreas marítimas próximas a Omã. A declaração foi feita por Ebrahim Zolfaghari e divulgada pela mídia estatal iraniana, em meio a relatos recentes sobre movimentações militares na região.

Segundo o porta-voz, o nível de domínio iraniano torna desnecessária a instalação de minas marítimas para assegurar sua posição estratégica.

"A República Islâmica do Irã tem controle total e poderoso sobre a região do Golfo Pérsico, as águas territoriais de Omã e o Estreito de Ormuz", disse Zolfaghari.

Ele acrescentou que "portanto, devido ao domínio e poder suficientes, não haverá necessidade de colocar minas no Golfo Pérsico, e usaremos todos os meios possíveis para garantir a segurança se necessário".

O representante também declarou que as Forças Armadas iranianas possuem capacidade para garantir a segurança na região e afirmou que países externos "não têm direito de interferir nessa área."

As declarações ocorrem após indicar que o Irã teria iniciado a instalação de minas no Estreito de Ormuz, com base em informações de inteligência dos Estados Unidos.

O Estreito de Ormuz é considerado uma rota estratégica para o transporte de energia, por onde circula cerca de um quinto do petróleo bruto comercializado globalmente.

No 24º dia de guerra, Irã ameaça instalar minas navais no Golfo Pérsico

Condições para o fim da guerra

O conselheiro militar do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou nesta segunda-feira, 23, que o conflito em curso só será encerrado após o pagamento integral de indenizações ao país.

A declaração foi feita em discurso televisionado, no qual o assessor também condicionou o fim das operações a mudanças no cenário internacional.

Rezaei declarou que o Irã continuará combatendo até que “todas as sanções econômicas sejam suspensas e garantias internacionais juridicamente vinculativas sejam obtidas para impedir a interferência dos EUA no Irã”.

“Vemos que nossas forças armadas estão realizando operações e atividades com vigor. Nosso projeto de liderança, com a escolha de um novo líder, está firmemente sob sua gestão”, disse.

O conselheiro afirmou que “a guerra estava efetivamente terminada” há mais de uma semana e que “os Estados Unidos estavam prontos para parar e buscar um cessar-fogo”. Segundo ele, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, “insistiu para que continuasse”.

Rezaei também declarou que, após o 15º dia de conflito, “os EUA entenderam claramente que não havia caminho para a vitória nesta guerra”.

As declarações ocorrem em meio à continuidade das tensões na região, com manifestações de autoridades iranianas sobre os termos para um eventual encerramento do conflito.

Efeitos no Petróleo

O preço do barril do petróleo Brent para entrega em maio recuou 10,92% nesta segunda-feira, 23, no mercado futuro de Londres, em meio a sinais de possível redução das tensões no Oriente Médio. A queda reflete a diminuição das preocupações com interrupções no fornecimento da commodity.

O Brent do Mar do Norte, referência na Europa, encerrou o pregão no ICE de Londres cotado a US$ 99,94 por barril, com recuo de US$ 12,25 em relação à sexta-feira.

O movimento ocorreu após reação do mercado ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o adiamento por cinco dias de ataques a infraestruturas energéticas do Irã, enquanto mantém negociações.

Apesar da sinalização, autoridades iranianas informaram que não há conversas em andamento, ainda que tenha existido uma proposta de contato.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irã, levou à elevação dos preços de petróleo e gás nas semanas anteriores.

O mercado segue monitorando os desdobramentos da guerra, com impacto direto sobre o fornecimento global de energia.

A consultoria Oxford Economics indicou que o conflito deve afetar os mercados energéticos ao longo do ano, em cenário de incerteza.

A análise aponta que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado ao tráfego até maio, o que influencia as projeções para oferta global. Com base nesse cenário, a consultoria revisou suas estimativas e projeta o Brent em média de US$ 114 por barril no segundo trimestre.

A previsão considera a retomada parcial do fluxo no estreito a partir de maio, com volume equivalente à metade do nível registrado antes do início do conflito e normalização gradual ao longo do ano.

Uso da força militar em Ormuz

ESTREITO DE ORMUZ - 17 DE JANEIRO DE 2026: Imagem de satélite do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o fornecimento global de energia e o comércio marítimo, em 17 de janeiro de 2026. Esta via navegável estratégica conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, ligando as exportações de petróleo e gás do Oriente Médio aos mercados internacionais.

Estreito de Ormuz: tráfego de embarcações e comércio foram afetados desde o início da guerra entre Irã, Israel e EUA. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

O governo do Bahrein apresentou, nesta segunda-feira, uma proposta de resolução ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que autoriza o uso de "todos os meios necessários" para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz.

O texto prevê autorização para ações militares para garantir a circulação de navios em uma das principais rotas de petróleo do mundo, segundo a agência Reuters.

A proposta conta com apoio de países árabes do Golfo e dos Estados Unidos, embora diplomatas indiquem baixa probabilidade de aprovação. A avaliação considera a possibilidade de veto por parte de Rússia e China, membros permanentes do Conselho.

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A iniciativa ocorre em meio à intensificação de tensões envolvendo o Irã, que tem sido apontado como responsável por ações que afetam a navegação na região. O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo, o que amplia o impacto de eventuais interrupções.

*Com informações das agências EFE e AFP.

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