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EUA podem elevar tarifa global de 10% para 15% ainda nesta semana

Secretário do Tesouro diz que aumento deve ocorrer nos próximos dias; governo busca base legal para retomar regime tarifário após decisão da Suprema Corte

Donald Trump: presidente anunciou tarifas globais após decisão da Suprema Corte (Kenny HOLSTON / POOL/AFP)

Donald Trump: presidente anunciou tarifas globais após decisão da Suprema Corte (Kenny HOLSTON / POOL/AFP)

Publicado em 4 de março de 2026 às 11h39.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira, 4, que o governo do presidente Donald Trump deve elevar ainda nesta semana a tarifa global aplicada a produtos estrangeiros de 10% para 15%.

Em entrevista à CNBC, Bessent disse que a implementação do aumento deve ocorrer nos próximos dias. “Isso provavelmente acontecerá em algum momento desta semana", afirmou o secretário ao ser questionado sobre o cronograma da medida.

A tarifa universal de 10% foi anunciada por Trump no mês passado, depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou grande parte do regime tarifário anterior adotado pelo governo.

Segundo Bessent, a nova taxa foi aplicada com base em uma regra que permite a imposição de tarifas por até 150 dias. Durante esse período, autoridades comerciais americanas devem buscar outros instrumentos legais para restabelecer o sistema anterior.

O secretário afirmou que as tarifas devem voltar aos níveis anteriores dentro de cinco meses.

Conflito no Oriente Médio

Na mesma entrevista, o secretário também minimizou riscos ao mercado de petróleo decorrentes da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Segundo ele, a oferta global de petróleo permanece elevada.

“Eu encorajaria todos a olharem além do ruído e verem para onde estamos indo do outro lado disso em termos de mercados de petróleo bruto — os mercados de petróleo bruto estão muito bem abastecidos”, afirmou Bessent. Ele observou que há “centenas de milhões de barris na água, longe do Golfo”.

Entre as medidas citadas pelo secretário estão o plano do governo americano de oferecer seguro para navios que transportam petróleo e a atuação da Marinha dos EUA para garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

Bessent também afirmou que a China é particularmente vulnerável a uma eventual interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico. Segundo ele, mais de 50% da energia consumida pelo país vem da região.

“Eles provavelmente estavam comprando 95% do petróleo bruto iraniano. Obviamente, isso está suspenso agora”, disse.

Questionado sobre comentários de Trump sugerindo um possível embargo comercial contra a Espanha, o secretário afirmou que qualquer decisão desse tipo envolveria diferentes órgãos do governo.

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